Crítica: Poderia Me Perdoar?

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Saindo do forno

Vitor Velloso


E lá vamos nós para mais um produto de drama Hollywoodiano que vai angariar um grupo de fãs por tratar-se de uma história real e possuir a moral didática…. Pera aí, Melissa McCarthy? Ok, vamos lá.

Dirigido por Marielle Heller (“O Diário de uma Adolescente”), a narrativa de “Poderia me Perdoar?” vai acompanhar Lee Israel (Melissa) em sua jornada rumo ao fundo do poço. Demitida, gato doente, aluguel atrasado… Até que ela encontra com o sequela do Jack Hock (Richard E. Grant), onde terá uma reviravolta na vida, ainda que às avessas. Baseado na obra homônima de Lee Israel, o roteiro irá contar como ela sobreviveu este período forjando cartas de autores renomados. A premissa soa interessante, já que Jack é um completo esquisito que se apresenta referindo-se ao próprio pênis e irá ajudá-la nessa escalada pelo montante de desgraça que se acumula. Mas infelizmente, a condução de Heller é feita de maneira tão lenta e prosaica que o cansaço bate aos trinta minutos de projeção.

Não me leve a mal, eu até gosto das intenções da diretora, mas o ritmo da obra beira o entediante. Enquanto a vemos contornar diversas questões éticas de maneira orgânica do tipo: “Preciso ter o que comer e onde morar”, um desenho dramático curioso se cria no eixo da atuação, Melissa está de fato bem no papel, ainda que não impressione ou roube a cena. E essa notícia afeta a maioria com surpresa, já que estamos acostumados a vê-la nas comédias chanchadescas produzidas pelas máquinas de xerox de Hollywood. E Richard monta um personagem excêntrico em sua maneira de agir, inconsequente, mas que no fundo é tão solitário quanto Lee. E a relação dos dois rege o longa inteiro. A trama das cartas torna-se o eixo mais importante da narrativa apenas durante o segundo ato. E essa falta de concretude sobre o material fílmico que gera essa variação rítmica. Onde a mudança de tema poderia ser vista como força, já que poderia ser argumentado tratar-se de uma evolução daquela proposta inicial, vê-se uma tentativa, falha, de construir um drama pessoal que se transformaria em estudo de personagem. Infelizmente, a indústria venceu desta vez. E se Heller anteriormente pudesse ditar com alguma autoria aquilo que desenhava no projeto, aqui é mais engessada que o normal e torna-se parte de um produto realizado à um público alvo bastante específico, além de um prêmio ou outro. A falta de criatividade na direção e na montagem é compensada por alguns diálogos e tiradas que realmente funcionam, apesar de alguns tropeços em falas ultra expositivas.

E, claro, não poderia faltar um pouco de humor. Os momentos que buscam fazer o público rir, normalmente, passam batidos, com exceção de uma linha ou outra, mas a fisicalidade está assombrosa. A junção da dramaticidade com o grau cômico na atuação, não funciona nenhum pouco. E enquanto os esforços do filme se mantém em humanizar a personagem, que à priori, parece uma caricatura do jornalista beberrão, um romance se cria… e some. Não há nenhuma preocupação em encerrar este arco amoroso que se instala, ele simplesmente sai do roteiro, sendo relembrado lá no fim em um plano safado de medíocre, o que aconteceu anteriormente.

E toda sua trama criminosa se dá de maneira tão secundária à projeção que a diretora realiza, que quase nos esquecemos do que de fato deveria ser o longa. Claro, culpa da naturalidade que Melissa e Richard compõe a tudo aquilo, mas ainda assim, a misancene de Heller não arquiteta nenhum tipo de atmosfera para que possamos sentir qualquer virada do roteiro. No fim, vemos os créditos subirem e percebemos que nada daquilo no fim importava, apenas Lee. Sem dúvida, a personagem possui carisma e gatilhos suficientes para que o público se importe com ela até o fim. Mas para além da postura carismática da atriz, o roteiro utiliza alguns arquétipos dos personagens secundários para fazer isso acontecer. Uma solução preguiçosa de um roteiro baseado na história de uma escritora e jornalista, não?

Como esperado não é uma bomba completa, mas tá longe de conseguir alguma concretude em seus breves méritos.

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