A Fita Branca

O movimento de Haneke

Por Fabricio Duque

“A Fita Branca” ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes 2009. Tem uma certa moral. Há a necessidade de ser visto. É incrível como um diretor pode prender a atenção do espectador por duas horas e meia em uma cadeira de cinema. Michael Haneke faz isso muito bem. É fantástico. O filme é extremamente técnico. Filmado em preto-e-branco, aborda o retorno a pureza e a inocência pela imposição de vontades dos que possuem o poder para ensinar. Os enquadramentos são perfeitas fotografias em movimento, com uma luz espetacular. Cada cena é artesanalmente produzida, despertando um perfeccionismo metódico.

Os diálogos são diretos, prepotentes por uns. Por outros existe uma emoção reprimida pelo medo e o respeito imposto pela dominação de quem pode. A câmera espera e observa as ações. Não cria suposições, e sim mostra por elementos cinematográficos usando os próprios personagens. “É preciso sofrer para ficar bonita”, diz-se. O sofrimento é aceito e esperado. Há nuances para expor o lado introspectivo e as claras para mostrar a vergonha de uma sociedade hipócrita que causa culpa de sempre estar entre o limite do certo e errado por pequenos detalhes. A opressão escolhe o silêncio e a frustração. Só quem pode se liberta. O diretor consegue extrair o pior do ser humano: a maldade, a crueldade, a brutalidade, a inveja e a vingança. Coloca na tela sem rodeios e sem flores. Aparece seco e grosseiro.

Diferentemente dos seus outros filmes, “A Fita Branca” tem uma chama de esperança bem distante, mas tem. É onde os espectadores seguram-se para não perder a fé na humanidade. O longa é fantástico demais. Uma obra-prima competente e de um grau elevado de qualidade. Não só recomendo, como o obrigo a assistir. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, estranhos eventos perturbam a calma de uma pequena cidade na Alemanha. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico, um celeiro é incendiado, duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor do coro de crianças e jovens da escola local investiga os acontecimentos para encontrar o responsável, e aos poucos desvela a perturbadora verdade.

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