Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015

 

“Dheepan”, novo filme de Jacques Audiard (de “O Profeta”, “De tanto bater, meu coração parou”), da mostra competitiva oficial, e o grande vencedor da Palma de Ouro desta edição de 2015, é um filme socialmente político. O longa-metragem não levanta bandeiras utópicas, mas sim constrói a antropologia de uma família imigrante, que sai de uma guerra explícita no Sri Lanka para entrar em outra implícita na França. Caminha-se do trabalho clandestino e ilegal ao conjunto habitacional de alta periculosidade. O casal e a filha buscam a adaptação (primeiro dia na escola da filha e novos ‘bullying’, conversão da moeda, intolerância dos outros) passando por dificuldades, aprendendo e confundindo a nova língua. A câmera próxima traz o espectador para participar daquela vida privada. Eles buscam a inclusão, repetindo atos, hábitos e costumes. A integração sutil dá-se muito pela interpretação naturalista dos atores, que mais se comportam como exemplos documentais dentro da ficção. Aos poucos, a nova “existência” os acolhe e descobrem que os franceses não agem “sobre a linguagem e sim senso de humor”. As gigantescas discrepâncias sociais geram neles a subserviência, o silêncio e a demasiada simpatia. Mas o meio também os manipula e os conduz à mudança de si mesmos. Tornaram-se os outros. A nova guerra cria a pressão do estresse. O final apoteótico, digno de um Rambo, precisa acontecer e o espectador, aceitar. A liberdade poética da redenção pela revolução guardada e explosiva fornece a mensagem clara, imprescindível e altamente obrigatória. Filmaço!

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