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A Presença da entidade Abigail

Por Fabricio Duque

O curta-metragem “Abigail”, das diretoras Isabel Penoni, carioca, e Valentina Homem, pernambucana, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2016, e que está na mostra competitiva da VIII Semana dos Realizadores, é um filme homenagem, que se desenvolve pelo subjetivismo imagético. A câmera torna-se personagem, o próprio espectador, permitindo assim que possamos “andar pela floresta” abandonada da casa da Sra. Abigail. A narrativa é construída por detalhes de dentro de casa, sensações umbandistas e personifica a saudade (aberta de memórias quase extintas) em uma encenação pela Mise-en-scène do suspense-terror. Nós sentimos a presença-entidade da “joia” dos espíritos. A narração pessoal-sentimental e as imagens de arquivo complementam a ambiência objetivada. Abigail investiu toda a vida, acumulada em coisas, pessoas e lembranças, pelos índios Xavantes, dos filhos, dos Santos, pela “aldeia” que era sua casa e por sua idiossincrasias amalgamadas ao longo do tempo existencial. “Pacificar os índios para que? Para aprender o que não presta?”, diz enquanto o off sinestésico busca nos aproximar da emoção (“O cheiro do café e do entulho vão ficando mais fraco”) pelo cansaço da idade avançada na busca da “paz”. “Não podemos ter medo de nada”, diz, nem mesmo do marido que mesmo depois de falecido aparecia em sua vida. “Se eu tô errada ou certa, a Deus pertence decidir. Ninguém veio me pedir nada. Tenho as coisas por ser teimosa”. O “Baluaê”.“Atotô”, Abigail Lopes, por unir os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé e o avesso do inverso. Integra também a sessão Curtas da vigésima edição da Mostra de Cinema de Tiradentes 2017.

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