Crítica: Câini – Dogs

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Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes
15 de maio de 2016

 

É naturalmente perdoável a direção ingênua de diretores estreantes, porque eles trazem a utopia da renovação cinematográfica. Não é preguiça na verdade, mas sim uma fragilidade de quem experimenta conceitos e narrativas. Um deles é o romeno “Câini – Dogs”, de Bogdan Mirica, que integra a competição da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2016. O diretor em seu discurso de efeito, visivelmente nervoso, disse perguntando retoricamente se “tinha alguma grávida ou alguém com problemas cardíacos na plateia”, indicando assim que seu “filho” é chocante, e representa sua visão pessoal sobre as coisas, pessoas e o meio em que vive. O longa-metragem caminha sua narrativa pela contemplação e pela observação estendida do tempo a fim de construir o retrato de uma comunidade fazendeira que se comporta como uma “terra sem lei” de um moderninho “velho oeste”. Aqui também é um metáfora (uma cachorra chamada de Polícia) que representa a transformação de um homem em “cachorro” (que usa a raiva e o latido como proteção), seres vivenciados intrinsecamente nos instintos mais imorais e egoístas da auto-sobrevivência. Há um mistério. Um pé dentro de uma bota no pântano (tendo inclusive a cena detalhada, em plano longo e estático – de um trabalho de arte impressionante e impecável, do procedimento Instituto Médico Legal – só que em casa mesmo). Um suspense policial que conduz investigação e matanças neste “fim do mundo” sem “água”. O protagonista descobre a casa que herdou do avô e que o que mais quer é vender os hectares, mas por causa dos “xerifes intrusos” e cúmplices (silêncios) poderosos, a concretização da ação é sempre postergada. Há filme coral – intercalando histórias paralelas; a sensação iminente do perigo; conversas-suposições e “wrestling”; premonições caninas; segredos (“Você é esperto. Não seja estúpido”); uma trilha-sonora completamente fora do tom; e frases de efeito tentando ser um indicativo “perigoso”. O protagonista aos poucos transmuta-se de um homem puro e com princípios morais a um cachorro enlouquecido, ogro, surtado, raivoso, instintivo, bruto, agressivo, defensivo (não mais humano) e que não aceita provocações-rebates de sua companheira (que entra e sai do nada da história). “Câini – Dogs” tem aura de suspense, porém com ações sem sentido, perdidas e com inúmeras “barrigas”no roteiro. Concluindo, um filme realizado no instinto, e que tem uma impecável interpretação de seu ator principal, Dragos Bucur (de ‘Polícia, Adjetivo”). Não é ruim, mas infelizmente gira em torno de gatilhos comuns e um frágil final.

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