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As Vantagens de Ser Invisível

Um “desajustado” infinito

Por Fabricio Duque

As Vantagens de Ser Invisível

“As Vantagens de Ser Invisível” aborda os medos, ansiedades, dúvidas, apatias e entusiasmos de adolescentes que experimentaram a maturidade por um passado desafiador, e que precisam transcorrer esta fase convivendo com “amigos” (basicamente do colégio) que se comportam como típicos exemplares “plastificados” e estereotipados da idade. Uns crescem pelo sofrimento, tentando se mostrar o mínimo possível, com receio de que a exposição cause momentos embaraçosos, “bullying” e ou cruéis apelidos. O estudante fora do padrão social (determinado por alguns populares e espalhado como “seja assim”) é datado de “diferente”, “esquisito”, “nerd”. São “desajustados” em um mundo moderno que não os entende e que não entende nada de quase nada. O processo de crescimento é difícil e confuso. O que se vivencia neste período pode criar traumas mais a frente, interferindo nas definições de ser um adulto. Quando o passado impõe um caminho diferenciado, tornando o possível em concreto, então há a necessidade de “analisar” mais um quesito, além dos comuns da adolescência. Assim, é um filme denso, equilibrado nas “tragédias” (trespassadas de forma existencial, contida e quase silenciosa – se não fosse, as músicas) e conduz a melancolia projetada à felicidade, talvez pela trilha sonora que mistura The Smiths, David Bowie, músicas “antigas”, entre tantas outras, podendo até ser considerado um filme musical, sem a “cantoria” dos personagens.

Isso porque há referencia explicita a “The Rocky Horror Picture Show”, filme homenagem à androgenia, liberação sexual (e comportamental) e a possibilidade de se gostar do que quiser. É também um filme questionador, pois quem assiste busca a nostalgia de uma época para “resgatar” a esperança de uma vida inteira, aliando filosofia cotidiana, esta explicando o porquê das escolhas ruins e vazias dos relacionamentos interpessoais. “Nós aceitamos o amor que nós pensamos merecer”, diz-se. Amamos apenas o que achamos que merecemos. Se há baixa estima, logo não conseguimos o “objeto apaixonado”, logo a defesa do querer é criada, logo a desistência acontece. A consequência final de “As Vantagens de Ser Invisível” é a resignação dos momentos felizes, corroborando a apatia dia após dia. Ao “participar” das possibilidades mundanas (drogas “recreativas”, uma delas), não existe tempo ao sofrimento, como a música alta em um túnel completamente iluminado, num carro “pickape”, sendo “Heroes” libertos dentro de um mundo próprio mitigado de limitações e aberto a ânsia do entusiasmo.

“Somos infinitos”, eles definem a catarse vivenciada. Os “desajustados” são Charlie (Logan Lerman, de “Percy Jackson”, “O Patriota”, “Efeito Borboleta”), o “wallflower” do título, uma expressão em inglês que se refere a uma pessoa pouco popular, que busca construir amizades, encontra Patrick (Ezra Miller, de “Precisamos Falar Sobre o Kevin”) e Sam (Emma Watson, vivendo Hermione Granger nos filmes da franquia “Harry Potter”), que passam a andar com ele, fazendo com que o protagonista pense mais em si. O roteiro de “As Vantagens de Ser Invisível”, baseado no livro homônimo escrito pelo próprio diretor do filme, Stephen Chbosky, apresenta narrativa equilibrada, excluindo toda e qualquer possibilidade de melodrama e ou clichê, retratando, de forma realista, o comportamento de jovens ávidos por experimentar novidades a fim de definir “personalidades”. Este quesito é “ajudado” pela parte técnica. A granulação da fotografia induz atemporalidade, motivado talvez pela inserção de elementos “nostálgicos”, como por exemplo, o vinil, a fita cassete, os livros, as roupas, a máquina de escrever e as músicas dos anos oitenta. Confesso que a primeira coisa que fiz ao sair da sala de cinema foi desligar o celular, correr para casa a fim de escrever estas linhas, sentindo um leve estágio depressivo, mas vivenciando, plenamente, uma invencibilidade infinita. Concluindo, ser um “desajustado” e assistir “As Vantagens de Ser Invisível” faz com que possamos resgatar a essência de nós mesmos. Recomendo. É incrível que quanto mais se pensa sobre o filme, mais se quer dizer, mais se quer analisar pelas “infinitas” camadas narrativas, extremamente simbólicas.

4 Nota do Crítico 5 1

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