Confira o que aconteceu na Abertura do CineOP 2020

Uma cerimônia que reinventa a preservação e importância de todos os meios audiovisuais

Por Vitor Velloso

A abertura da 15ª CineOP, dia 03/09, desta vez em ambiente virtual por conta da pandemia, foi de uma beleza única. Compreendendo na própria linguagem, a temática escolhida para esta edição “Cinema de Todas as Telas”, o evento foi oficialmente inaugurado com apresentações múltiplas, em especial Pererê e sua voz absolutamente marcante, que falavam da necessidade de se compreender a memória e este espaço e tempo contemporâneo que estamos presenciando, como uma abertura política do agora.

Leitura de parte das “Cartas Chilenas”, marcaram bem o posicionamento do festival, contra o desmonte da cultura, capitaneado pela atual gestão do Estado Brasileiro, que excluiu o Ministério da Cultura, impôs ao status de “Secretaria”, alocou junto ao Ministério do Turismo e promoveu a vergonhosa situação com Regina Duarte, agora Frias.

Com performances de participantes do grupo Galpão, leituras de interpretações de Guimarães Rosa à Gilberto Gil, o lugar latino-americano, brasileiro, foi fincado como ponto das pautas que sempre norteiam a CineOP: preservação, educação, história. Logo, o firmamento desses posicionamentos, são de suma importância para que haja debate em torno dessa realidade tacanha que estamos vivenciando. E neste ponto, a Universo Produção, nunca deixou de se posicionar diante de seu público.

Os fades, os cortes e as performances que buscaram essa aproximação da linguagem da TV e da Internet, transformou em forma àquilo que será debatido ao longo da Mostra, pois as multiplicidade de tela se tornou um chamariz inevitável do evento. Pois, além da concepção imediata de uma espécie de recortes, fragmentos, que veio à compôr a abertura, nos traz à essa virtualidade inerente do mundo contemporâneo, em especial, o momento de isolamento social.

Logo depois da exibição desses fragmentos, leituras e canções, o público foi introduzido em um bate-papo, debate inaugural, com a presença de Francis Vogner dos Reis, Ailton Krenak, Tadeu Jungle e Clarisse Alvarenga. Francis debatendo a questão da linguagem da TV, em especial à homenagem histórica, mostra da qual é curador, à “TVDO”, que Jungle fez parte durante a década de 80.

Confira o que aconteceu na Abertura do CineOP 2020

O curador comenta sobre como a concepção das imagens na TVDO não são perenes, “a imagem é mutante e a mudança tecnológica avança a passos largos, mais rápido que a percepção e a nossa capacidade cognitiva possa entender.” E Jungle logo após, fala sobre sua visão de alcance da linguagem televisiva, no campo estético e didático, levando parte desse debate à educação, propondo um exercício educativo com o cinema, em um trabalho de base.

Clarisse Alvarenga tratou da questão da Educação e ressalta “Em um momento que a morte ocupou um lugar de protagonista, em nossa época, é importante que façamos um movimento reverso, colocando a vida”. E abriu a discussão para os outros debates que virão ao longo da CineOP, lembrando parte da programação, inclusive os filmes-carta, realizado por indígenas.

E Krenak, entra no bate-papo com sua visão mais direta, de ocupação, do que seria essa televisão, para uma questão cultural diversa, como o Brasil, mas que reduziu sua língua a apenas uma, a portuguesa. E aqui, claro, devemos entender não como uma escolha arbitrária, mas um etnocídio brutal que destruiu línguas e culturas. Krenak fala também sobre a “representação” tacanha, ofensiva que a Xuxa, Chacrinha e Silvio Santos utilizavam na TV Brasileira, reproduzindo o modelo imperialista norte-americano.

O debate foi bastante esclarecedor quanto à diversas questões que irão ser debatidas ao longo da 15ª CineOP, com destaque para as personalidades de cada um, Francis sempre buscando um olhar mais analítico para a imagem, contextualizando em seu tempo de produção, Krenak com sua vivência e tentativa de se incorporar à TV, por reconhecer nela uma oportunidade de diálogo, Alvarenga compreendendo o papel da educação como eixo fundamental para a (re)estruturação da sociedade, sempre, mas em especial durante esse período de pandemia e Jungle falou sobre sua visão dessa união das questões caras à CineOP.

E essas questões particulares das perspectivas individuais, tornou a temática, o todo, um objeto mais concreto aos olhos do espectador, que além de poder ver e escutar os debatedores presentes naquele momento, puderam ver essa questão da multiplicidade de telas, latente, da abertura ao debate, também fragmentado pelas telas. E essa inserção virtual, de uma imagem que já é codificada, vêm tornando a experiência de acompanhar a CineOP e sua temática deste ano, um exercício de compreensão bastante volátil, mas perene, talvez não no sentido que Francis utilizou durante sua fala, mas de um movimento que se compreende em meio à esse turbilhão de zeros e uns.

Logo após o debate, um show com a presença de Túlio Mourão, Tatiane e Tizumba, ao vivo, diretamente da página da Universo Produção no YouTube. Lembrando que todos os eventos já citados aqui durante a cobertura, estão disponíveis na página do YouTube, homônima. E paralelamente ao show, a exibição do “média metragem”, censurado, “Avesso Festa Baile”, de 1983, dirigido por Tadeu Jungle, que terá crítica aqui no Vertentes.

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