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Como Cuidar de um Bebê Elefante

Criando filhotes enormes

Por Pedro Sales

Como Cuidar de um Bebê Elefante

Não demorou muito até a Netflix se consolidar como a precursora e principal representante dos streamings. No começo, apenas com obras feitas por outros estúdios. Depois, tornou-se ela mesma uma produtora de filmes e séries. Ser simplesmente um grande nome da indústria cinematográfica não era o suficiente, a empresa queria reconhecimento. Por esse motivo, a Netflix começou investir pesado na temporada de premiações, em especial o Oscar. Na categoria principal, no entanto, ainda não chegou a ser vencedora. Por outro lado, ganhou prêmios nas três categorias de curtas-metragens: curta live action, com “Dois Estranhos“, curta animação, com “Se Algo Acontecer…Te Amo“, e curta documentário, com “Os Capacetes Brancos“. Nesta edição da premiação, a gigante do streaming tenta conseguir mais uma estatueta com “O Efeito Martha Mitchell” e “Como Cuidar de um Bebê Elefante“.

O curta documentário dirigido por Kartiki Gonsalves examina as relações de um casal indiano, Bonman e Belli, com o bebê elefante órfão Raghu, do qual eles cuidam. Em primeiro lugar, a diretora estabelece a integração homem-natureza como algo inerente à família. Existe, ainda, uma certa hereditariedade ao se cuidar dos elefantes. O pai de Bonman fez, o avô dele, e assim por diante. A conexão é evocada por meio de planos em que o cuidador alimenta e dá banho no pequeno grande elefante. A fotografia usa o pôr-do-sol e a câmera-lenta para provocar a fotogenia da beleza natural, não apenas da paisagem indiana, mas dos próprios animais também. Se “Como Cuidar de um Bebê Elefante” se dedica ao máximo para extrair a graciosidade da interação de Bonman e Belli com Raghu, por outro lado, pouco se preocupa em contextualizar melhor as condições de vida dos cuidadores.

Gonsalves evidencia que eles ganham a vida cuidando de Raghu no santuário Theppakadu, porém ela se restringe a essa esfera micro e não amplia a discussão para como o santuário em si se sustenta. O documentário não se compromete, por assim dizer, com esse aspecto real da manutenção do espaço e mesmo das necessidades básicas do casal. Tratar desses assuntos, ofuscaria, de certa forma, o caráter mágico e primitivo da amizade do humano com o elefante.

A aura mágica se expande para o religioso. No hinduísmo, os elefantes são sagrados, e a figura de Ganesha – deus hindu com cabeça de elefante – comprova a sacralidade do animal. Durante o documentário, o casal e outros cuidadores adornam os filhotes com colares de flores e pinturas com giz na cabeça, corpo e tromba, em um ritual religioso. A devoção não é só demonstrada nesses momentos. O respeito, o cuidado e o carinho são sinais que o casal devotou sua vida para Raghu e, posteriormente, para a pequena Ammu. Ou seja, além de ser uma questão religiosa, o vínculo se torna familiar.

Raghu e Ammu são dois filhotes órfãos. Aparentemente, é comum que as manadas acabem deixando um ou dois elefantes para trás, sobretudo os filhotes. A reinserção na natureza é quase impossível e, por isso, as reservas e santuários são tão importantes para a preservação da espécie. A condição de abandono faz de Bonman e Belli praticamente os pais dos filhotes, e eles se sentem assim. São responsáveis pela alimentação, pelo banho, por passear. Em um dado momento, Belli afirma que é como cuidar de uma criança, e o trata dessa maneira, ela mima, briga, se desculpa, como uma mãe faz com um filho. Os laços são, portanto, familiares. No período de luto do casal, por exemplo, Raghu ocupou ainda mais esse espaço de filho ao “consolar” os dois.

Como Cuidar de um Bebê Elefante” é um documentário que reconhece o valor da natureza e sua conexão com os humanos. Os planos contemplativos da paisagem e dos animais, à moda de um National Geographic, são visualmente encantadores. Apesar disso, se tornam extremamente repetitivos, sem variação na forma e no conteúdo. Em quarenta minutos, Gonsalves não consegue explorar outras temáticas e acaba sempre voltando para os mesmos assuntos. A obra ganha valor quando extrapola o simples ato de cuidar dos bebês elefantes e deixa os personagens mostrarem como a presença desses animais foi impactante em suas vidas.

3 Nota do Crítico 5 1

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