Angry Birds 2 – O Filme

Produto semi-pronto

Por Vitor Velloso

Com o fracasso de crítica do primeiro longa, essa nada aguardada sequência vêm com a missão de superar a alta bilheteria do anterior, mas compensar os graves equívocos passados, assim, apostaram no estreante na direção Thurop Van Orman, para assumir o risco.

As adaptações de games às telonas, estão se tornando cada vez mais comuns, como era de se esperar e com isso, as catástrofes…. “Mario”, “FarCry”, “Assassins Creed” e “Tomb Raider” são exemplos claros desta grave deficiência de transcriação. E “Angry Birds 2 – O Filme” já se configurava uma aposta fora do padrão, por tratar de uma narrativa mínima e expositiva. Logo, é necessária a criação de uma longa aventura para que o espectador possa acompanhar a jornada dos protagonistas. A trama é de uma simplicidade e linearidade irreparável, que facilita a criançada à acompanhar o desenvolvimento, mas peca ao compor pequenas histórias paralelas a fim de gerar humor, que acaba quebrando o ritmo por diversas vezes. Além disso, não consegue suprir as necessidades de construir as motivações de diversos personagens, focando-se em núcleos dramáticos isolados para prosseguir com as discussões propostas.

E surpreendentemente acaba saindo da superfície em alguns momentos, atingindo a masculinidade tóxica, o ego, relacionamentos e até traumas, sempre com a clássica dose de responsabilidade. Sendo o eixo mais interessante da obra, o protagonista Red (Jason Sudeikis), que fica incomodado com a presença de Silver (Rachel Bloom), mega gabaritada e que compreende todas as falhas nos planos da trupe. A relação deles, assim como o sucesso, é atrapalhado pelo ego inflado de Red e sua necessidade de se provar herói constantemente. Enquanto Silver, possui certa arrogância em se vangloriar de seu currículo, mas raramente está equivocada. Tal “desconstrução” da jornada do protagonista, desarticula a fórmula clássica pré-estabelecida pela indústria, gerando um produto minimamente interessante no cenário atual, ainda que ao dar cabo da narrativa, haja algumas concessões quanto a isso.

A animação é agradável, possuindo detalhes vívidos, assim como as cores vibrantes e a fluidez nos movimentos. Se afastando um pouco da tendência realista das animações, esta pode vir a chamar atenção do público pela maneira com que concilia a obra original, o jogo, com o filme, mantendo seu estilo caricato, ainda que esteja otimizado para a sala de cinema. E neste quesito a experiência funciona relativamente bem, já que é fácil sentir-se agradado diretamente com as imagens de “Angry Birds 2 – O Filme”. Porém, torna-se cansativo com o passar do tempo, pois o excesso de variação de cores e a parcial repetição de cenários, acaba enclausurando a trama em um looping que parece não ter fim. Deixando claro que a jornada épica prometida, é tratada assim pela música e pelos personagens, mas não pela ambientação, que se permite fazer a tarefa básica de situar o espectador na geografia daquele local, apenas.

E se a área técnica não é destaque como um todo, o mesmo pode se dizer da trilha sonora que também cumpre a padronagem do mercado, evocando o Pop e o estilo dançante para animar a molecada no cinema. Thurop mantém-se na zona de conforto, não arrisca nenhum movimento, utilizando-se a do movimento acelerado, com a “câmera” estática, a fim de criar situações cômicas, que são bem espaçadas no longa, sendo raras e de pouca intensidade, porém ao relativizarmos o humor apresentado com o público alvo, é possível que haja eficiência no produto. Se alguma construção por parte do diretor soa interessante ao longo da projeção, é a escolha de absorver questões metalinguísticas na encenação, como slogans de apresentação dos personagens diretamente no campo física do filme, mas infelizmente tal cena já está no trailer e pode acabar sendo frustrante na sala.

Angry Birds 2 – O Filme” é um produto industrial semi-pronto que será lançado ao mercado visando as bilheterias e a conexão direta com o jogo de celular, mas que vai acabar angariando jovens espectadores à realmente se divertir em sua uma hora e meia. É facilmente mais eficiente que o anterior, ainda que não possua tantos méritos. Mas só pela alfinetada direta à estrutura clássica do herói, à masculinidade tóxica e a emancipação das mulheres naquele mundo, já vale algo distinto.

 

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