Amor à Segunda Vista | Crítica

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Duplos em desvios de relacionamentos

Por Fabricio Duque

Durante o Festival Varilux de Cinema Francês 2019

Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2019 na Cerimônia de Abertura que aconteceu no Cinema Odeon, “Amor à Segunda Vista” é um filme de situações “se”, de segunda chance, de realidades paralelas, que ressignifica a ordem pela intervenção caos, divina e mágica do Universo, alterando a lógica do tempo e espaço para conseguir o objetivo de reconquistar o amor perdido. O gênero escolhido aqui encontra semelhanças temáticas em inúmeros filmes, como por exemplo, “De Repente 30” (2004), de Gary Winick; “Um Homem de Família” (2000), de Brett Ratner; “Efeito Borboleta” (2004), e Eric Bress e J. Mackye Gruber; “A Morte te Dá Parabéns 1 e 2”, de Christopher B. Landon, “Feitiço do Tempo” (1993), de Harold Ramis, “Como se Fosse a Primeira Vez”, de Peter Segal.

“Amor à Segunda Vista”, que traz o ator francês François Civil, queridinho do momento (que no festival estava em mais dois filmes “O Chamado do Lobo” e “Quem Você Pensa Que Sou?”) , como o protagonista Raphael, ao lado de Olivia (a atriz Joséphine Japy), é um longa-metragem metafísico, conduzido entre uma loucura paralisante e um desvio inquietante de expansão da verdade. Desenvolvido pelos acasos e pela persuasão das personagens em convencer a mudança. É a máxima popular do “um dia da caça, outro do caçador”, transposto em uma narrativa que busca equilibrar aprofundamento espirituoso com humor caricato-pastelão, este último mais próximo dos exemplares “B” Hollywoodianos.

Assim, em toda história de paralelismo existencial, o protagonista precisa conhecer seu novo estágio para arquitetar o plano do “conserto”. Nesta nova realidade, confusões e incompatibilidades são inevitáveis. Tudo é diferente, principalmente o tempo. Se somos fracassados um uma, podemos ser famosos em outra. O filme é uma metáfora do amor. De descobrir o equilíbrio. De “viajar” pela paixão. De sair do estágio atual a fim de poder enxergar melhor os sentimentos de quem “só dá valor quando perde”. De reacender as elipses transcorridas na primeira fase (no preâmbulo de abertura do filme – uma sequência concisa de acontecimentos do casal).

Dirigido por Hugo Gélin (que teve a ideia original e, junto com Igor Gotesman, escreveu o roteiro), com trinta e nove anos, de “Uma Família de Dois”, e que produziu “A Gaiola Dourada”, de Ruben Alves, “Amor à Segunda Vista” é o que podemos chamar de gentrificação do cinema francês, que cada vez opta mais por espelhar características dos filmes americanos, soando mais como um produto palatável e de fácil assimilação para padronizar o público, mas também descartável até a próxima investida da indústria. Com seus atores bonitos, malhados e corpos explorados. Nada contra os bonitos, os malhados e aos corpos. Pelo contrário. Só que isso não pode ser só isso. Um fetiche de prazer aos olhos, que prende a atenção do espectador pelos motivos mais fúteis.

O longa-metragem é bem construído por sua parte técnica. A fotografia de Nicolas Massart nos imerge em uma sensação imagética, com suas luzes projetadas que criam a naturalidade do espontâneo, ajudando em muito nas transições do ir e vir. É uma viagem de redescobrir a simplicidade do amor. De aceitar que a rotina estará presente. Que a novidade sempre passa. Esta talvez seja uma possibilidade, uma projeção-imaginação que permite ressignificar antigos desejos, servindo como uma terapia de choque de urgência solicitada na mente. Será loucura?

“Amor à Segunda Vista” é uma experiência que se pauta por detalhes, idiossincrasias, análises, sistemáticas emoções, bebidas, ressacas, concertos de piano, andadas de bicicleta, dias com neve, competições de pingue-pongue (com direito a tatuagens), articulações sociais, movimentos à moda de “Um Convidado Bem Trapalhão”, de Blake Edwards, e números momentos constrangedores que tentam se desenhar organicamente (a nudez como natural), mas que desencadeiam a obviedade de um gatilho comum narrativo de “conhecer o pinto do outro” e ou relacionamento com “coelhinhas” em surto. Tudo pensado para a tão esperada “flecha do amor” e a segunda chance de uma segunda vista.

É uma comédia romântica, que, além da tipicidade americana, conserva a essência do cinema francês e que como consequência de gênero quer entreter com romance, levando a casais apaixonados um descanso que pode ajudar a manter a faísca da paixão acesa. O título original “Mon inconnue”, em uma tradução literal, quer dizer “Meu desconhecido”, palavra esta que no Dicionário Aurélio define como “pensar ser outro” e ou “não conhecer o valor de”.

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