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Algo-Rhythm

Ritmos e dados

Por Vitor Velloso

Durante o Olhar de Cinema 2020

Curta-metragem que representa de forma sólida parte do alinhamento da produção cinematográfica contemporânea, suas experimentações e o algoritmo em tom de música e expressão. A direção é de Manu Luksch e o projeto busca compreender em si, razões que diferem da realidade enquanto formalização dessa superestrutura que rege o mundo. Está claro aqui, que há uma unidade nas escolhas da sessão PGM 02 e “ALGO-RHYTHM” é um projeto sintomático do cinema contemporâneo, assim como parte de sua recepção. Isso porque entramos em uma onda de ideologias e pensamentos que tornaram-se homogêneas, em assimilação e/ou contraposição desse universo excessivamente virtual. É geracional que essa relação se dê em tom explícito, retomando uma vulgaridade que se vê presente na prática política. Mas aqui, a ideia presente já no título, “ALGO-RHYTHM” torna a experiência atravessada por um clipe onde se expõe questões desse mundo contemporâneo, sem necessariamente discutir. Não à toa, a unilateralidade e a superfície se mantém intactas enquanto realidade no projeto. E pela mesma razão, assume-se o caráter ficcional, pois a matéria não pode ser compreendida em um projeto tão paralelo ao próprio algoritmo que expõe. 

E como grande parte dos projetos de mesma característica. Não há espaço para a crítica, o debate vira caráter exterior a qualquer projeção feita pela obra e o tom explícito que se assume enquanto forma, vira a grande pauta a ser debatida pelos conservadores de plantão. Na falta de consciência do próprio presente, apela-se ao uniforme do capital, acusa, mas não apresenta a reformulação do mesmo. É a burguesia lúdica em sinfonia de dados.

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