A Beleza de Rose

O dito destaque

Por Vitor Velloso

Durante o Cine Ceará 2020

” A Beleza de Rose” de Natal Portela, considerado um dos destaques do Cine Ceará 2020, é uma obra que busca algumas raízes na questão estrutural dos problemas étnicos no Brasil. A experiência se assemelha ao boicote da estrutura narrativa, sempre que estamos a conceber algum dos pontos que o curta pretende expor, somos jogados a outro lugar. Essa fragmentação da imagem e da e narrativa é uma perspectiva de como sintetizar a forma-discurso à blocos isolados de exposição absoluta. Um didatismo que ultrapassa qualquer campo da dialética, apenas mira o rivotril na catarse. Um barato próximo à Kleber Mendonça Filho.

Não é difícil entender de onde surgem os elogios para “A Beleza de Rose”, mas sua construção é reprodução do consenso mimético em torno da linguagem que aborda suas temáticas. É como se o roteiro fosse feito exclusivamente para chegar ao clímax, mas na prática não funciona, aí a montagem fragmenta a obra de ponta-a-ponta e ainda assim não consegue organizar algumas ideias deslocadas. O que temos no fim é uma colcha de retalhos um tanto bagunçada que não consegue se achar no emaranhado de possibilidades que projeta. Esse excesso é traduzido na fragilidade da transcriação, ou traição, para o campo audiovisual. Assim, a linguagem (meio, conteúdo, forma) é uma reprodução tão consensual que desfigura o projeto.

Trailer

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