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X – A Marca da Morte

A good dirty movie

Por Giulia Dela Pace

X – A Marca da Morte

No final da década de 1970, um grupo de atores e cineastas jovens quer aproveitar o crescimento do mercado de vídeos pornô – já que por muito tempo as pessoas tinham de ir ao cinema para assistir a filmes adultos – para produzir um roteiro de “pornô elevado” – caso o termo fosse tão real quanto o dito “terror elevado” da A24. O novo filme da produtora, “X: A Marca da Morte”, foi uma grande homenagem ao cinema pornô e aos slashers dirigido por Ti West, tendo em vista não só um culto aos filmes de gênero e filmes B, como também ao cinema por si só.

E assim o cineasta independente RJ, interpretado por Owen Campbell, acredita firmemente que é possível conceber um filme “explícito” com um plot e elementos “artísticos” do cinema, como: direção de arte condizente, fotografia cuidadosa, sets realistas e um roteiro “bem amarrado”. Tudo sob seu olhar como diretor de fotografia… Mas quando sua namorada decide participar de uma das cenas, todas as suas motivações artísticas e liberais caem por terra.

Um slasher da A24, com fortes elementos metalinguísticos e declaradamente um tributo aos filmes B e cinema pornô é algo, no mínimo, difícil de se imaginar combinado. E o longa consegue cumprir o que prometeu… Só se esqueceu de entregar algo além de homenagens, discussão sobre cinema e gratidão: quaisquer elementos memoráveis sobre as figuras monstruosas que matam, quase aleatoriamente, os personagens. Talvez a fatia mais importante manual de regras dos marcantes filmes de slasher que não nos esquecemos na semana seguinte.

Como “terror elevado” – termo usado pela crítica “fastfood” para tipificar certos produtos audiovisuais de terror\horror\suspense como eruditos ou “cult” demais para serem consumidos como filmes comuns – o filme passa pelo que deveria e de uma forma até agradável. Temos um casal de idosos bizarros; uma libido no fundo do guarda-roupas cheirando a naftalina; um background mortificante da vida conjugal do casal com as duas grandes guerras; pressões estéticas sobre corpos femininos; uma exposição de questões morais “pentelhudas” sobre liberdade sexual e libertação de tabus ligados ao corpo e às relações amorosas.

Mesmo que as discussões morais do filme e alguns sermões, relativamente complexos, sejam feitos sobre envelhecimento de corpos femininos e consiga dar motivo suficiente para um estopim de todo o sofrimento e mistério sobre do casal de assassinos, não é forte o suficiente – ou não impacta como poderia – para fortalecer essas criaturas que são tomadas por uma sede de sangue “justificada” na narrativa.

Ainda assim, “X: A Marca da Morte” traz certos elementos que animam fãs do gênero, como reflexos gore e thriller de Lucio Fulci. Além de brincar com as promessas dos slashers de forma divertida, como com a disputa entre dois estereótipos de final girl que brigam pelo posto oficial e pelo título de scream girl.

E para lá de uma intensa carta de amor aos filmes B, Ti West também faz questão de prestigiar as produções cinematográficas eróticas da década de 1970, como: Garganta Profunda (1972) – protagonizado por Linda Lovelace, que parece ter inspirado penteado e maquiagem de Maxine (Mia Goth) –  e The Farmer’s Daughter, título homônimo do filme adulto de 1976.

E a A24 ser a produtora de A Bruxa, O Farol, Midsommar e Hereditário, filmes de terror tidos como “inteligentes”, são o padrão de obras que “X” veio quebrar. Na verdade, o longa traz os elementos entediantes desses filmes para dentro das lacunas possíveis de deliciosas duas horas de massacre sangrento e converge coisas, a priori, opostas de forma bem posta. No fim, é sempre bom dar uma apimentada no relacionamento.. No relacionamento entre os subgêneros e no relacionamento de pessoas que não têm seus corpos mais vistos como sexualmente desejáveis ou ativos.

“X: A Marca da Morte” é um horror decente e agressivo que consegue ser chocante e surpreendente sensível em alguns momentos. Mas como slasher, por mais que o tempo dos elementos da narrativa seja bom e os assassinos apavorem pela sua palpável realidade, não cumpre com o que grandes clássicos desse subgênero costumam nos dar: os tão “cultuados” monstros que vendem máscaras para crianças em outubro.

3 Nota do Crítico 5 1

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