Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme

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Ficha Técnica

Direção: Oliver Stone
Roteiro:Allan Loeb, baseado em personagens criados por Oliver Stone e Stanley Weisser
Elenco: Shia LaBeouf, Carey Mulligan, Charlie Sheen , Michael Douglas, Susan Sarandon
Fotografia:Rodrigo Prieto
Direção de arte:Paul D. Kelly
Figurino:Ellen Mirojnick
Edição: David Brenner e Julie Monroe
Efeitos especiais: Crazy Horse Effects
Produção:Michael Douglas, Eric Kopeloff, Edward R. Pressman e Oliver Stone
Estúdio:Edward R. Pressman Film
Distribuidora:20th Century Fox Film Corporation
Duração: 127 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

Wall Street é uma rua que corre na Manhattan Inferior, e é considerada o coração histórico do atual Distrito Financeiro da cidade de Nova Iorque, onde se localiza a bolsa de valores de Nova Iorque, a mais importante dos Estados Unidos e uma das mais importantes do mundo. É abordando essa temática que o diretor Oliver Stone realiza dois filmes. O primeiro recorre ao mundo empresarial da década de 80. O jovem e ambicioso corretor Bud Fox (Charlie Sheen) sente-se atraído pelo mundo ilegal e altamente lucrativo da espionagem empresarial. Seu ídolo é a lenda viva de Wall Street, Gordon Gekko (Michael Douglas). No entanto, não demora muito tempo para o rapaz descobrir que a riqueza e o status adquiridos da noite para o dia podem ter um preço muito alto.

A continuação com “O Dinheiro nunca morre”, que é o filme em questão, retrata a vida de Jacob “Jake” Moore (Shia LaBeouf), que é um novato corretor da Bolsa de Valores norte-americana e que está namorando Winnie (Carey Mulligan), a filha de Gordon Gekko (Michael Douglas). Jake acredita que seu chefe, Bretton James (Josh Brolin), teve alguma ligação com a morte de seu mentor. Gekko decide, então, ajudar o jovem Jake em seus planos de vingança.

Stone objetiva a crítica ao capitalismo e tenta exterminar ideias de ganância, recorrendo aos princípios básicos familiares. Redenção, transformação, simplicidade, são algumas das características objetivada. Porém, o sistema é uma força difícil de ser comatida e necessita utilizar o mesmo veneno para a cura. Manipulação da ingenuidade e ou alto poder de persuasão são os atos para o querer pretendido.

O longa inicia-se envolto em preconceitos. Um negro é recebido, após sair da prisão, por uma limusine. Em outro caso, há a presença da família. Mas não para Gordon, que narra, didática e tecnicamente, a estrutura de uma “bomba” (novidades de mercado). O linguajar é empresarial e extremamente verborrágico, com diálogos perspicazes e sarcásticos (agressivos e ou sutis). A agilidade das imagens remete à correria do centro financeira. Metrô, trânsito, o andar apressado das pessoas, um submundo rico e projetado para poderosos. O local superior econômico é focado por reflexos dessas pessoas nas telas de seus computadores de seus gráficos. Assim, pretende-se resgatar a atmosfera datada e nostálgica da primeira parte, porém com modernidade e elegância atual. “Você é tão Wall Street”, diz a namorada a Jacob. Algumas ações são clichês, como controle remoto da televisão jogado no chão por causa do não querer da matéria vinculada.

A abertura, instante dos créditos iniciais, é fantástica. Interage o espectador quase na velocidade da luz, explicitando a escolha da narrativa, que é a loucura do universo de uma bolsa de valores. Mas falta paixão. O que se apresenta são ações teatrais, encenadas para o filme (há um limite de competição aceitável). O ponto alto: as interpretações e as conversas. O tema da economia aparece nos diálogos familiares e profissionais. Sempre há o dinheiro. A mensagem inicialmente inferida é que isso é a paga da humanidade.

A calmaria aparece na figura do Central Park, um parque construído no meio de Nova Iorque. Ali é a opção de salvação do outro mundo esquizofrênico, que só pensa na falência dos outros, fusão de empresas, vendas de ações pelo menor preço possível, especulação, empréstimos a limite, em reuniões, conselhos e palestras de auto-ajuda. Neste encontro, Michael Douglas refere-se tudo ao câncer, inferindo a sua doença na vida real.

Outra característica do filme é a elipse. Não há a necessidade de se explicar todos os passos, tendo lapsos de tempo entendidos. Com isso respeita-se a inteligência do espectador, com contrastes e ironias. Isso cria a cumplicidade com quem está do outro lado da tela, o tornando tão sórdido como os personagens do longa.

Busca-se a redenção. O recomeço. “Dinheiro é uma vadia que nunca morre” e “salve o socialismo”, levanta-se a bandeira do radicalismo político, crença de Oliver. Há o politicamente correto da tecnologia limpa. Há divisão de imagens na tela. Há flashbacks. Há elementos passeando entre o clichê e o alternativo. “Defender seu pai é como defender um cigarro”, ironiza-se. Há graça quando ó toque do celular é a do filme “Por um punhado de dólares”, que resume a ideia de um faroeste atual, vencendo os mais fortes e os que possuem melhores armas. Há raiva resignada, sincera e passional, dentro do sadismo social. Há Goya com seu quadro “Saturno devorando seu filho”. Os elementos apresentados embasam os argumentos da trama, e faz de forma competente. “Não saber o que está fazendo é suicídio”, diz-se sobre o futuro do profissional.

“Um pescador sempre reconhece um outro pescador de longe”, diz-se. A namorada do protagonista é interpretada por Carey Mulligan. Sempre a achei afetada e com a mesmice interpretativa. Até isso o filme fez: criou sutilezas na atriz. O olhar final dela, sem uma palavra sequer, mostra a sua competência.

“Pare de contar mentiras sobre mim e eu paro de contar verdades sobre você”, diz-se. Há um mundo fake como um musical da Broadway, mostrando que os brincos mais caros são os que ditam o que uma pessoa é. Preza-se a futilidade e esquece-se do conteúdo. Vale a pena assistir. Recomendo.

O Diretor

Oliver Stone nasceu em Nova Iorque, 15 de setembro de 1946). Ele estudou nas universidades de Yale e de Nova Iorque. Ganhou dois Oscar de melhor diretor com os filmes “Platoon” (serviu na guerra do Vietnã, onde ganhou a “Estrela de Bronze de Honra ao Mérito”) e “Born on the Fourth of July” (Nascido em quatro de julho).

Uma característica dos filmes de Oliver Stone reside no uso de cameras e formatos de filme diferentes, que podem ir do VHS ao filme de 8mm.
Stone escreveu ou participou em todos os filmes que dirigiu, à excepção de U Turn, de 1997. Para além disso ajudou nos argumentos de Midnight Express (O Expresso da Meia Noite), Conan the Barbarian (Conan, o Bárbaro), Scarface, Year of the Dragon, 8 Million Ways to Die e Evita.

Por gostar bastante de fazer filmes que causam alguma polêmica, alguns críticos acusam Stone de ser um teórico da conspiração e que os seus filmes manipulam os espectadores, mas apesar disso muitos consideram também que Stone é um dos melhores realizadores de Hollywood.

Seu novo filme, “Wall Street: Money never sleeps”, que volta a ter como ator principal Michael Douglas, é a segunda parte de “Wall Street” e acaba de ser lançado em Cannes. Stone disse em entrevista “que esperava que o sistema financeiro mundial tivesse mudado. Mas que infelizmente as normas de funcionamento de Wall Street continuam as mesmas”.
“Acreditei que o sistema seria corrigido com o tempo, mas isso não aconteceu”, disse Stone, cujo novo filme destaca o mecanismo de ganância do mundo das altas finanças e que foi rodado durante a eclosão da mais nova crise do capitalismo.

O filme tenta mostrar como funciona o sistema bancário e sugere que a próxima bolha capitalista especulativa pronta para explodir é dos investimentos em torno das energias “limpas”. Já esteve preso duas vezes em sua vida: aos 21 anos, por porte de maconha no México, e em 1999, por porte de haxixe.

Filmografia

2009 – Ao Sul da Fronteira
2008 – W.
2006 – As torres gêmeas
2004 – Procurando Fidel
2004 – Alexandre, o grande
1999 – Um domingo qualquer
1997 – U Turn Reviravolta
1995 – Nixon
1994 – Assassinos por natureza
1993 – Entre o céu e a terra
1991 – JFK – A pergunta que não quer calar
1991 – The Doors
1989 – Nascido em 4 de Julho
1988 – Talk Radio
1987 – Wall Street – Poder e cobiça
1986 – Platoon Platoon – Os bravos do pelotão
1986 – Salvador – O martírio de um povo
1981 – A mão

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