Ficha Técnica

Direção: Scott Cooper
Roteiro: Scott Cooper
Elenco: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, Robert Duvall, James Keane, Anna Felix, Paul Herman, Tom Bower, Ryan Bingham, Beth Grant, Rick Dial, Jerry Handy
Fotografia: Barry Markowitz
Trilha Sonora: Stephen Brutom, T-Bone Burnett
Direção de arte:Ben Zeller
Figurino:Doug Hall
Edição:John Axelrad
Produção: Eric Brenner, Jeff Bridges, Michael A. Simpson
Distribuidora:Fox Searchlight Pictures
Duração: 112 minutos
País: EUA
Ano: 2009
COTAÇÃO: BOM

A opinião

O diretor estreante Scott Cooper, baseado em livro de Thomas Cobb, aborda a vida de Bad Blake (Jeff Bridges), um cantor de música country acabado por uma vida dura, com casamentos demais, muitos anos na estrada e drinks demais. Ainda assim, Bad não pode evitar procurar sua salvação com a ajuda de Jean (Maggie Gyllenhaal), uma jornalista que descobre o homem por trás do músico.

A atmosfera sertaneja americana, com o estilo country de ser, retrata a trajetória final, o recomeço, à volta por cima de uma carreira. Shows em lugares pequenos, os outros não o conhecendo mais, o seu aluno mais famoso que o professor expressa uma vida quase terminal para um cantor. “Já toquei bêbado e divorciado”, diz.

“O vaqueiro do amor” , como é conhecido, segue, indo de um lugar a outro, sem nada, a turnê por lugares sem importância, vivendo uma vida sem importância, até que conhece uma jornalista que pode salvar a sua carreira e ele próprio. “Aprendi a dar a vocês algo, se não vocês não iam querer nada”, diz ao seu público. A arrogância do saber que é bom junto com a resignação da velhice fornece o tom utilizado pelo personagem principal. É quase um monologo de vários, mas só um realmente importa.

O road movie por desertos e montanhas é a base para que a interpretação de Jeff Brigdes brilhe. Não é uma encenação, porque ele conduz o personagem com um realismo e uma naturalidade, que, em hipótese nenhuma, em nenhuma cena, o espectador percebe a diferença entre realidade e ficção. É visceral e totalmente entregue. A sutileza dos movimentos e ações ajuda a aprofundar a trama, com o desleixo de sua barba branca por fazer, o suor, a camisa aberta, as gorduras localizadas mostradas sem vergonhas ou pudores e inspirações da música da vida, “Infelizmente”, diz. Ele sabe de seu charme country, então a naturalidade é inerente, deixando acontecer as consequências.

“Sei o que não quero fazer”, diz-se a jornalista com uma interpretação contida e com medo do excesso. Os texanos, ou caubóis, como são chamados, têm como característica o de ser brutos e sem a etiqueta de uma educação social. Dizem o que pensa de forma direta e sem se importarem com a mensagem transmitida. Este ‘ser’ do indivíduo comporta-se como uma defesa de suas limitações de pensamentos e do não conhecimento de se agir em determinadas ocasiões. Isso cria a intransigência, que sendo repetida transforma água em pedra.

As referências a outras músicas sertanejas levam ao entendimento de que a sua carreira precisa crescer, mesmo depois de muito tempo estagnada. “Na minha idade é bom estar em qualquer lugar”, diz-se. Com a camera intimista e em close dilacera as defesas internas presentes.

A segunda parte do filme muda a narrativa. Corre-se para realizar a mudança do personagem. Com um acidente, a atmosfera clichê aparece. Uma mulher, um filho ‘adotado’, um balão, um outro filme de sangue que apareceu no roteiro para complementar a história.

A redenção acontece. A necessidade de salvação também. Reuniões dos alcoólatras anônimos, novos contratos na carreira e a segunda chance para resolver culpas e falhas cometidas estimulam a percepção de se tratar de um filme auto-ajuda. “Um dia de cada vez”, diz-se do recomeço de sua vida.

A manipulação do ‘dito’ final manipula e ganha interesse do espectador. Mas o final real recupera o óbvio e a necessidade americana do politicamente correto. Torna-se sentimental.

Produzido pelo próprio Jeff Bridges e Robert Durval, o longa recebeu duas indicações ao Oscar 2010: Melhor Ator (Jeff Bridges), Melhor Atriz Coadjuvante (Maggie Gyllenhaal). E ganhou dois Globos de Ouro 2010: Melhor Ator e Melhor Canção.

É um filme bom, mas se o quesito interpretação for posto em debate, a opinião é excelente. Resume-se a construção do personagem que o ator Jeff Bridges realizou. Fantástico. Por isso ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator. Em contrapartida, em uma visão geral, é um longa comum, com roteiro comum e outras interpretações comuns.

O Diretor

Scott Cooper é um ator, roteirista, produtor e diretor americano. Venceu vários prêmios: Chicago Film Critics Association, Independent Spirit Awards e Writers Guild of America. Ele estreia na direção com ‘Coração Louco’ e já participou como ator de várias produções de televisão: ‘Arquivo X’. ‘Austin Powers’ no cinema.

O Ator

Jeffrey Leon Bridges (Los Angeles, 4 de dezembro de 1949) é um premiado ator e músico americano. É filho do ator Lloyd Bridges e irmão do também ator Beau Bridges. Possui uma estrela na Calçada da Fama.

Filmografia

1971 – A última sessão de cinema
1972 – Cidade das ilusões
1972 – Bad Company
1973 – O importante é vencer
1974 – O último golpe
1976 – King Kong
1976 – O guarda-costas
1979 – Morte no inverno
1980 – As portas do céu
1982 – Tron – Uma odisséia eletrônica
1982 – O último unicórnio (voz)
1982 – Meu adorável fantasma
1984 – Starman – O homem das estrelas
1984 – Paixões violentas
1985 – O fio da suspeita
1986 – Morrer mil vezes
1986 – A manhã seguinte
1987 – Nadine – Um amor à prova de balas
1988 – Tucker – Um homem e seu sonho
1989 – Susie e os Baker Boys
1990 – Texasville – A última sessão de cinema continua
1991 – O pescador de ilusões
1992 – Nada a perder
1993 – O silêncio do lago
1993 – Sem medo de viver
1994 – Contagem regressiva
1995 – Wild Bill – Uma lenda do Oeste
1996 – O espelho tem duas faces
1996 – Tormenta
1998 – O grande Lebowsky
1999 – O suspeito da rua Arlington
1999 – Simpático
2000 – A conspiração – pt: O jogo do poder
2001 – K-Pax – O caminho da luz
2001 – Scenes of the Crime
2003 – Masked and Anonymous
2003 – Seabiscuit – Alma de herói
2004 – Provocação
2005 – The Moguls
2005 – Tideland – O mundo ao contrário
2006 – Stick It
2008 – Homem de Ferro
2009 – Crazy Heart
2010 – Tron Legacy

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