Umbrella

O Amar Elo das emoções

Por Fabricio Duque

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O cinema brasileiro ganha uma indicação ao Oscar 2021. “Umbrella” (2021), de Helena Hilario e Mario Pece (diretores de Palmas, no Paraná), o primeiro curta-metragem brasileiro de animação a entrar na corrida pela estatueta dourada, traz a memória afetiva por detalhes físicos da recordação, impedindo que o passado se dissipe em esquecimento. O filme também busca a sinestesia humanista, imprimindo na forma características definidoras da Pixar. Não, não se copia nada, seu uso é  apenas de motivação condutora. Nós sentimos as gotas da chuva, a emoção pulsante, a comoção da perda, a dificuldade de ser um estrangeiro à procura de sobrevivência em terras melhores. Um simples guarda-chuva pode guardar toda uma carga de bagagem sentimental.

“Umbrella” é uma obra afirmativa. De conscientização social. De ressignificar comportamentos em relação a nosso próximo. A de não imunizar a convivência protocolar e diplomática, e sim se direcionar ao outro como humano, um primata “Homem sábio”, que deveria racionalizar mais suas emoções, as transformando em universais, normalizadas, naturalizadas, plurais, diversas e dignas de existir. Ao resgatar essa memória afetiva (modelado em um simples sonho inicialmente capitalista) por um importante, pontual e definidor elemento do passado (a explicação da complexidade do porquê desse querer-precisar), este filme permite que se reconstrua um mundo mais saudável e menos desarticulado. A ciência nos mostra que nenhuma memória é contínua e que nenhuma consciência é pronta. O novo filme da Pixar “Soul” embasa que toda vida é um processo adaptativa e sempre com novos arbítrios. As escolhas, independentes de maniqueísmos, representam a essência, incondicional e unilateralmente, todo e qualquer ser presente e de passagem neste universo chamado Mundo.

A mise-en-scène de “Umbrella”, realizado pelo estúdio criativo independente Stratostorm e que não segue a perspectiva do curta “O Guarda-Chuva Azul” (2013) da Pixar, também quer a imersão do público. Sua câmera acompanha e passeia de forma metafísica como uma tradução etérea, especialmente por criar a sensação de estarmos em um filme em terceira dimensão sem a necessidade de óculos especiais. O roteiro, baseado em uma história real (de uma visita da irmã da diretora em um orfanato), faz inferência com “Toy Story” e a importância da doação de brinquedos. De substituição de felicidades. De compartilhar a alegria casual do antes para ajudar na imaginação do agora. Dessa forma, “Umbrella” não só impressiona pela técnica CGI, como por sua temática: a de humanizar a sensibilidade, sem apelar aos típicos gatilhos comuns tão fáceis de acontecer.

“Escrevemos um roteiro com um storytelling voltado para um curta-metragem. Nosso sonho e objetivo era fazer um curta de animação e transformar a dor em arte. Nos inspiramos em um evento triste para criar uma história bonita e delicada. E assim entendemos que não podemos julgar as pessoas sem saber o que tem por trás daquela vivência. Todo mundo passa por situações que nem imaginamos, por isso devemos ser gentis uns com os outros”, comenta Helena. “Por isso pensamos em trazer a empatia e a esperança para essa narrativa. Algo que precisamos cada vez mais e mais”, finaliza os diretores.

 

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(disponível até 21/01)

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