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Um Olhar no Paraíso

Ficha Técnica

Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, baseado em livro de Alice Sebold
Elenco: Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Stanley Tucci
Fotografia: Andrew Lesnie
Música: Brian Eno
Direção de arte: Jules Cook e Chris Shriver
Figurino:Nancy Steiner
Edição:Jabez Olssen
Efeitos especiais:Weta Digital
Produção: Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Aimée Peyronnet, Fran Walsh
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: WingNut Films
Duração: 139 minutos
País: EUA/ Reino Unido/ Nova Zelândia
Ano: 2009
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

O novo filme do diretor Peter Jackson (de ‘Senhor dos Anéis – a trilogia’), baseado em livro de Alice Sebold, aborda a vida, após a morte, em uma narrativa lúdica, colorida e fantasiosa, de Susie Salmon “como o peixe” (Saoirse Ronan) que tem 14 anos, mora num bairro do subúrbio da Pensilvânia e é assassinada por um vizinho. Do céu, ela narra a história, mostrando como a vida dos que viviam ao seu redor mudaram após sua morte, bem como a busca por seu corpo ainda desaparecido.

“Ele tem uma boa vida, preso num mundo perfeito”, diz -se sobre um pinguim em miniatura em uma bola de neve. O ambiente nostálgico de Albert Camus complementa a mudança de um época a outra, de um esfriamento cotidiano de uma família. A referência mostra que quanto mais o tempo passa, o tipo de leitura é modificada. Antes política, agora bebê e o cozinhar.

As ações são diretas, impensadas, estilizadas e estilosas ora rápidas como um videoclipe, ora introspectivas do tempo interno de cada um. A sutileza em captar o que realmente os personagens estão sentindo é, extremamente, poesia realista e ambienta uma emoção infantil e ingênua do não conhecimento pela crueldade e e das desgraças impostos pelos adultos, por seuas desvios de personalidade e manias individualizadas. Vê-se no externo a não fantasia do interno, humanizando os sentimentos sem as repetições massificadas de erros que tantos tentam e não conseguem.

A narração é a percepção sobre a vida dos que ficaram e da vida que levava. Logo de ínicio já sabemos o que irá acontecer. Então a angústia e tensão são recorrentes em quem está do outro lado da tela. A manipulação acontece aos poucos, intercalando histórias e esperando, jogando com o imaginário e o real, como uma grande viagem cósmica e psicodélica.

A trama desperta, no momento certo, os conflitos e gerando aprisionamente do espectador em não perceber o tempo passado. O jogo basicamente é a observância do assassino as suas vítimas e nós o assassino.

A defesa, o medo e o amor da pré adolescência apresenta-se como uma fantasia. As ações são humanizadas como um música de Karen O. and the Kids (de ‘Onde vivem os monstros – aqui no blog) e ou de uma típica trilha sonora islandesa (Sigur Rós). A contemplação dos detalhes realiza o perfeccionismo do roteiro. “Os hobbies são saudáveis. Ensinam coisas”, diz-se. Em outro momento “É um crime ser criativa nesta família”.

O assassino estimula a atenção da menina pela ingenuidade dela de ainda não acreditar nas deficiências esquizofrênicas da alma humana. “A arte da camuflagem é a paciência. Estar horas na escuridão”, diz-se.

O início do seu desenlace terreno é solitário e confuso. Ela tenta entender o q aconteceu. “Um assassino muda tudo, o ódio é tudo que tenho”, ela diz alterando o ‘eixo’ dos acontecimentos. Com uma fotografia espetacular de luzes subilimares de efeitos especiais, a personagem aprende a superar o desejo de permanecer junto aos seus familiares e amigos. “Você não deve andar para trás, mas seguir em frente”, diz-se. O difícil desapego é trabalhado em seu caminho, pelo limbo (“horizonte azul”), entre o céu e a terra, ao mundo perfeito e surreal. A metáfora da fantasia, da morte e de se continuar a existir em outro campo magnético de vida.

As cenas são entrecortadas. Ora a trajetória ao céu, ora a trajetória do assassino, ora a trajetoria de se descobrir quem foi o responsável por tal ato imperdoável. Susie observa a terra como um filme, com direito a pipoca, em uma das cenas mais sutis, lamentando o que ainda não teve, mas resignando-se na felicidade eterna e procurada.

As interpretações são excelentes. A do Stanley Tucci (indicado ao Oscar 2010 de Melhor Ator Coadjuvante) é magistral. Porém o filme peca nas exageradas cenas de Susan Sarandon (a avó). Ela apresenta-se caricata e atrapalha o ritmo que estava sendo abordado. Mas entende-se o propósito que é a de ser a responsável por trazer esperança e vida de novo à família.

Os elementos concretos externalizam os abstratos dos sentimentos, usando a poesia das imagens computadorizadas. A canção do final, uma regravação em inglês da música de Ivri Lider, um cantor israelense, ajuda a aumentar um pouco mais o clichê, mas não atrapalha. A camera entra no movimento do momento. “Estive aqui um momento e parti”, finaliza-se.

Vale muito a pena ser visto. Mas influencia e direciona a aceitar como absoluto algo tão subjetivo e pessoal. É um filme de autor, introspectivo em suas idéias defendidas e com a parcialidade inerente a este gênero cinematográfico. A forma como se conta a história não é convencional. Experimenta elementos e estilos. Recomendo.

O Diretor

Sir Peter Jackson, nasceu em Pukerua Bay, 31 de outubro de 1961, é um roteirista, cineasta e produtor de filmes neozelandês. Filho de Bill e Joan Jackson, ambos imigrantes ingleses, ele ficou conhecido por dirigir a trilogia épica O Senhor dos Anéis, adaptada por ele, juntamente com Fran Walsh e Philippa Boyens da obra de J.R.R. Tolkien.

Um de seus primeiros filmes, um sucesso do gênero trash, é Braindead (1992). Mais tarde, pelo seu filme Heavenly Creatures (1994), Jackson dividiu uma indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Original com sua esposa, Fran Walsh. O casal tem dois filhos, Billy Jackson e Katie Jackson.

Quando um amigo de seus pais presenteou o pequeno Peter Jackson, aos seus 8 anos, com uma câmera Super 8, o garoto, que já se divertia tirando fotos, começou a fazer seus próprios filmes, que ele gravava com seus amigos. Eles eram curtos, mas já mostravam uma das características principais do futuro cineasta: efeitos especiais impressionantes e a baixo custo.

Jackson começou a desenvolver projetos mais sérios a partir de sua entrada em um concurso local que procurava estimular filmes amadores e infantis. Para esse concurso ele utilizou o recurso de animação em stop motion para criar um monstro arruinando uma cidade, mas infelizmente não chegou a vencer.

Aos 22 anos, um de seus projetos mudou o rumo de sua carreira cinematográfica. O filme trash Bad Taste começou como qualquer outro filme de Peter Jackson: de forma amadora, com poucos recursos e com seus amigos atuando e auxiliando-o. Ele mesmo fez o filme praticamente sozinho, dirigindo, produzindo, filmando e estrelando em vários papéis, inclusive o de herói. Levou cerca de quatro anos para finalizar o filme, que cresceu de meia hora de duração,conforme o planejado, para um longa metragem de 90 minutos.

O que começou como uma piada, se transformou num clássico. Um amigo de Jackson, que já estava envolvido na indústria cinematográfica, o convenceu que o filme tinha atrativos comerciais, então decidiram levar o resultado final ao Festival de Cannes. Lá, o filme foi aclamado pelos críticos e ganhou vários prêmios. Bad Taste agradou principalmente pelo seu humor bizarro e pelo excesso de efeitos especiais, alguns realistícos, outros hilários, graças ao seu visual amador. Os direitos do filme foram vendidos a doze países, e Peter Jackson tornou-se um diretor reconhecido, iniciando então a sua carreira profissional como cineasta.

Diferente de outros diretores neozelandeses, Jackson permaneceu na Nova Zelândia para fazer os seus filmes, fazendo com que Hollywood viesse até ele. Esse foi o início de várias companhias de suporte e produção. Grande parte de seus bens estão localizados na Península de Miramar, em Wellington, e muitos de seus filmes se passam ao redor da cidade.

Filmografia

1987 – Bad Taste
1989 – Trash – Náusea Total
1989 – Meet the Feebles
1992 – Fome animal
1994 – Almas gêmeas
1995 – Forgotten Silver
1996 – Os espíritos
2001 – O Senhor dos Anéis: A sociedade do anel
2002 – O Senhor dos Anéis: As duas torres
2003 – O Senhor dos Anéis: O retorno do rei
2005 – King Kong
2009 – District 9 (Produtor)
2010 – Dambusters (Produtor)
2011 – As Aventuras de Tintim (Produtor)
2011 – O Hobbit I (Produtor / Escritor)
2012 – O II Hobbit (Produtor / Escritor)


A Atriz

Saoirse Ronan (pronuncia Sir-sha) nasceu em Nova Iorque, Estados Unidos, 12 de abril de 1994.

Filmografia

2007 – Christmas Miracle of Jonathan Toomey
2007 – Desejo e Reparação
2007 – Nunca é Tarde para Amar
2008 – Atos que Desafiam a Morte
2008 – Cidade das Sombras
2009 – Um Olhar do Paraíso

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