Tudo Sobre o financiamento coletivo da Websérie Na Real_Virtual

Apoiadores da campanha recebem episódios da websérie com grandes documentaristas brasileiros, que participaram do Seminário Na Real_Virtual

Por Redação

O seminário Na Real_Virtual, que contou com documentaristas renomados, como João Moreira Salles e Petra Costa, ganha versão em websérie através da campanha de Crowdfunding. A campanha acontecerá de 6 de julho a 12 de agosto através da Plataforma

CATARSE: https://www.catarse.me/webserienarealvirtual

As cotas vão de 30 reais a 2500 reais ou mais. Todos os participantes receberão o direito de assistir a episódios, como também podem receber outras recompensas, todas detalhadas no site.

A realização da Websérie é da Imaginário Digital e co-realização da Supimpa Produções. Bebeto Abrantes e Marcio Blanco, respectivamente curador e produtor do evento, irão assinar a direção.  Bebeto e Carlos Alberto Mattos, ambos curadores do projeto, também serão os roteiristas. A edição da série ficará a cargo de Wellington dos Anjos. Marcio Blanco continua respondendo pela produção.

A primeira parte do Na Real_Virtual reuniu, em julho do ano passado, 12 dentre os maiores documentaristas brasileiros para conversas de alto nível sobre seus trabalhos e sobre o ofício de levar o real para o cinema. Os encontros, realizados na plataforma Zoom, contaram com plateias participativas de até 200 pessoas, em intensa transmissão de conhecimentos e numa atmosfera de grande simpatia.

Cada realizador discorreu sobre suas maneiras de lidar com a matéria-prima do mundo, com a linguagem do cinema, com seus temas e personagens. Embora houvesse sempre um filme representativo em destaque, a conversa com os curadores e mediadores Bebeto Abrantes e Carlos Alberto Mattos invariavelmente abrangia também outros títulos das respectivas carreiras e considerações mais gerais sobre o cinema do real.

A realização online do Na Real_Virtual trouxe um formato inovador de debate sobre o documentário brasileiro contemporâneo, gerando uma aproximação afetuosa do público com a obra e o pensamento de cada diretor. Queremos manter esse clima na Websérie e ampliar o alcance desse evento histórico”, afirma o produtor Marcio Blanco, da Associação Imaginário Digital.

Para o curador Bebeto Abrantes, “nossa ideia com esta Websérie Na Real_Virtual é transformar as ricas conversas que tivemos com os diretores, em documentários que tenham uma estrutura narrativa e uma atmosfera fiel ao que foram todas as sessões do Seminário online de 2020: encontros marcados de afetuosidade, troca e produção de conteúdo. Ainda e sempre norteados pelo pensamento de que fazer e pensar documentários são dois lados de uma mesma moeda.”

Por sua vez, o crítico Carlos Alberto Mattos, também curador do evento, destaca a diversidade dos temas abordados: “Falamos do documentário de observação, da ressignificação de arquivos, da poética das coisas simples, de temas históricos, da expressão das periferias, etc. Várias faces do cinema e do Brasil passaram pelo crivo daqueles documentaristas, razão pela qual esse material merece chegar a um público maior”.    

Sem menosprezar o interesse para qualquer tipo de público, a Websérie Na Real_Virtual será um indispensável material de pesquisa e deleite cinematográfico para estudantes, professores e pesquisadores do cinema documental, aprendizes e profissionais do documentário. A campanha visa cobrir os custos de roteirização e edição dos 12 documentários, assim como os direitos dos filmes citados visualmente. As várias formas de participação preveem o acesso à série inteira ou a episódios específicos, assim como outras modalidades de retorno.

OPINIÕES SOBRE O SEMINÁRIO

“Tomara que o segundo Na Real aconteça logo (…) A sua turma não está na sua cidade necessariamente, a sua turma está no mundo. E o virtual ajuda você a encontrar sua turma.”, João Moreira Salles, cineasta.

“De uma certa forma vocês inauguraram uma nova maneira de fazer documentário. Eu fiquei com um caderno cheio de anotações, muita coisa de interesse e já fico com saudades.”, de Walter Carvalho, cineasta e fotógrafo.

“Na Real é um time incrível de diretores. Gostei de ver as perguntas do público, bem interessantes. Plateia afetiva.”, Petra Costa, cineasta.

“Tão emocionante. Encontros incríveis. Alegria monstra.”, Bia Lessa, diretora de teatro e cinema.

“Vai ter hashtag #ficanarealvirtual por todo canto da web (…) o maior evento cinematográfico feito no Brasil em 2020, até agora.”, Rodrigo Fonseca, jornalista.

“Acho que o seminário reforça mais uma vez o momento exuberante e sólido do documentário brasileiro. E me parece muito importante evidenciar isso hoje, quando o audiovisual no Brasil é atacado de forma dura e sistemática.”, Maria Augusta Ramos, cineasta.

“De fato temos aqui um novo formato que só tende a evoluir entre os seus realizadores, o público e seus convidados.”, Batman Zavareze, artista visual e curador.

“Vocês estão proporcionando uma experiência extraordinária para todos aqueles que se interessam pelo documentário brasileiro contemporâneo.”, Silvio Da-Rin, cineasta.

“Esse gesto de criação e compartilhamento que vocês estão nos trazendo nesses encontros nos alimentam de trocas e poesias, tão importantes no nosso cotidiano hoje (…) Espero ansiosamente pelo Na real virtual 2.”, Karen Harley, montadora.

“Eis que surge o Na Real e o contato com a obra de tantas feras do nosso cinema. Fui imediatamente provocado a retornar a ilha de edição repensar completamente o meu filme. A frustração deu lugar à esperança e à vontade de terminar esse filme de qualquer forma.”, Pedro Vinicius, cineasta.

“Um compartilhamento e uma intimidade de trocas, de abertura e encontros, cada qual na intimidade de sua casa, de seus quartos, de suas famílias, trocando não apenas palavras e filmes, e sim aprendizados e sensações recíprocas de vida. Transformando uns aos outros.”, Filippo Pitanga, crítico.

“A cabeça e o coração andam a mil por aqui, tudo por conta desses encontros sensacionais que têm acontecido no Na Real.”, Andrea Pasquini, cineasta.

“Eu sabia que seria bom, mas me surpreendi porque excedeu minhas expectativas.”, de Fernando Mozart, roteirista, diretor e curador.

Webserie Na Real Virtual

SOBRE A WEBSÉRIE NA REAL_VIRTUAL

O material dos encontros será editado em 12 documentários de cerca de 60 minutos, com o melhor de cada conferência, num formato ágil e atraente. A inserção de trechos dos filmes abordados vai permitir uma fruição ainda mais viva e completa dos assuntos. A chamada estética Zoom será preservada, de maneira a reproduzir um pouco do espírito dos encontros, mas o tratamento vai privilegiar a clareza e a concisão. Estes são os episódios:

1. OBSERVAR O MUNDO

Maria Augusta Ramos 

Filme: Seca 

O chamado cinema de observação pretende flagrar situações sem interferir sobre elas. No Brasil, Maria Augusta Ramos é a principal cultora dessa forma de documentário. Em Seca, ela lança um olhar paciente e pouco intervencionista sobre a realidade filmada, no caso a relação dos moradores da região pernambucana do Pajeú com a água difícil e preciosa.

2. A IMAGEM QUESTIONADA

João Moreira Salles

Filme: No Intenso Agora

A inquietação do documentarista João Moreira Salles levou-o, em seus dois últimos filmes, a colocar em questão imagens produzidas por ele próprio e por outros no passado. Assim trataremos de uma das vertentes mais incisivas do documentário, que é dobrar-se sobre si mesmo e as imagens alheias.

3. A POÉTICA DO SIMPLES

Cao Guimarães

Filme: A Alma do Osso

Uma das características do documentário contemporâneo é o interesse pelo simples, por coisas, pessoas e situações que nada têm de extraordinário. O mineiro Cao Guimarães é um expoente dessa modalidade. O título do premiado A Alma do Osso, assim como a frugalidade de seu único personagem, espelha a opção pelo essencial.

4. O TEMPO COMO MATÉRIA

Carlos Nader

Filme: Homem Comum

O tempo é matéria essencial de qualquer tipo de cinema, mas no documentário esse ingrediente pode assumir uma concretude especial. É o caso de alguns filmes de Carlos Nader, em que o passar do tempo sobre os personagens constitui o próprio tema e impregna cada imagem ou fala.

5. O EU FILMADO E MINHA FAMÍLIA

Petra Costa

Filme: Elena

Desde que o documentário moderno liberou a subjetividade dos realizadores, um campo imenso se abriu para o cinema. Teremos aqui um expressivo representante do documentário pessoal e familiar. Petra Costa faz espelhar a si própria ao falar da perda da irmã em Elena.

6. RETRATOS DE ARTISTAS

Walter Carvalho

Filme: Iran

Walter Carvalho se destaca como um dos grandes realizadores de perfis de artistas, sejam eles músicos, escritores, atores ou artistas plásticos. Ele exercita diferentes formas de composição nesses retratos, evidenciando as muitas possibilidades do documentário biográfico, do tradicional ao experimental.

7. NOS BAÚS DA HISTÓRIA

Belisario Franca

Filme: Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil

Belisario Franca é um documentarista notoriamente empenhado na arqueologia da História brasileira. Seus filmes desenterram verdades duras e ajudam a compreender o país em que vivemos. Valorizam a pesquisa e a articulação de informações encontradas em várias fontes.

8. O FILME-ENSAIO

Joel Pizzini

Filme: 500 Almas

Uma das mais nobres facetas do cinema do real, o filme-ensaio explora seus temas de maneira livre, ampla e multidisciplinar. Envolve questionamentos e visão crítica a partir da subjetividade do realizador. Joel Pizzini está entre os mais requintados adeptos dessa modalidade. Em 500 Almas, a etnografia ganha verniz poético.

9. ESTRATÉGIAS NARRATIVAS 

Gabriel Mascaro

Filme: Doméstica

Uma das riquezas do documentário são os muitos caminhos tomados pelos realizadores para chegarem a seus objetivos. Gabriel Mascaro tem sido um desbravador dessas estratégias narrativas. Em Doméstica, ele repassou a autoria a jovens não cineastas para registrarem sua relação com as empregadas de suas casas. É o típico documentário de dispositivo: no lugar do roteiro, uma decisão de método.  O diretor se coloca à mercê de um critério previamente estabelecido.

10. POR UM CINEMA HÍBRIDO

Rodrigo Siqueira

Filme: Orestes

Outra marca importante do cinema brasileiro contemporâneo é a mescla de registros documentais e ficcionais, o embaralhamento de fronteiras entre captação do real e dramatização. Em Orestes, testemunhamos a interação de depoimentos, psicodrama e teatralização para dar conta de um drama histórico nacional à luz da tragédia grega.

11. QUANDO O REAL VIRA FICÇÃO

Marcelo Gomes e/ou Karim Aïnouz

Filme: Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo

A operação de transformar imagens documentais em matéria de ficção envolve ousadia e inteligência, virtudes que não faltam aos diretores desse filme. Gomes e Aïnouz ressignificaram cenas colhidas para um documentário no Nordeste adicionando-lhes uma narração de história romântica.

12. A PERIFERIA NO CENTRO

Emílio Domingos

Filme: Favela é Moda

A democratização digital e as políticas de inclusão cultural fizeram com que as vozes da periferia ganhassem centralidade no cinema brasileiro contemporâneo. Emílio Domingos é um notório conhecedor desse processo e mantém uma instigante relação de troca com os personagens de seus filmes.


SERVIÇO

Serviço:  Websérie NA REAL_VIRTUAL (Campanha Crowdfunding)

De 6 de julho a 12 de agosto

Plataforma Catarse: https://www.catarse.me/webserienarealvirtual

Instagram: https://www.instagram.com/narealvirtual/

Facebook: https://www.facebook.com/narealvirtual

 

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