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Tudo Sobre a Curadoria de Curtas-Metragens do Vertentes do Cinema

Curtas Vertentes

Tudo Sobre a Curadoria de Curtas do Vertentes do Cinema

Saiba sobre a Mostra Permanente de Curtas-Metragens que acontecerá o ano inteiro no Vertentes do Cinema

Por Clarissa Kuschnir

Curta é cinema! E como é…. Há pouco mais de dez anos em que tenho frequentado alguns festivais de cinema pelo Brasil (na função de jornalista, júri e curadora), os curtas têm ganho um espaço importante no meu trabalho, e no meu dia a dia. Afinal de contas, o cinema começou com os curtas, e “A Viagem à Lua”, de Georges Méliès, continua sendo uma referência para muitos cinéfilos. E o que seria de mim sem o cinema, e sem os curtas (que estiveram ao alcance de todos), durante os quase dois anos de pandemia. Os festivais de cinema precisaram se adaptar para que pudessem continuar seguindo seus cursos e graças à tecnologia, nós apaixonados por filmes, tivemos a oportunidade de ver, rever e conhecer muitos trabalhos novos e independentes feitos aqui, e fora também. E os curtas que, na maioria das vezes se restringem aos festivais, ganharam uma janela a mais, com os eventos online. Festivais de curtas como os grandes Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e Curta Cinema (do Rio) além dos festivais do interior como o Curta Taquary (realizado no agreste de Pernambuco, pelo incansável Alexandre), Curta Campos do Jordão (realizado no interior de São Paulo), Comunicurtas (de Campina Grande , na Paraíba), Curta Caicó (do Rio Grande do Norte) e até o novato e ótimo FIC Rio, aconteceram.  Sem contar os festivais de longas-metragens, que também selecionam suas mostras de curtas. E o formato vem ganhando cada vez mais espaço. As mostras e festivais continuam aí, mas com a volta do presencial talvez não estejam mais tão ao alcance de todos assim. Vamos torcer! Porém, muitos dos festivais viram a importância de se fazer um festival híbrido (online e presencial). Tarefa não muito fácil, já que cada festival tem uma série de critérios (como ineditismo, ano do filme, contratos exclusivos dos premiados). O próprio Vertentes do Cinema sempre complementou os festivais como uma curadoria especial de curtas-metragens.

Como incentivadora e muito ligada aos curtas, acho que os curtas-metragens merecem um acesso mais fácil. Inclusive, nesse mês de agosto, fiz meu primeiro trabalho como produtora executiva no Curta “A Sombra da Terra” do cineasta Marcelo Domingues. Filmamos em Votorantim (interior paulista). E foi um lindo começo na função. Por isso, há muito que venho conversando com o nosso querido Fabricio Duque sobre a importância de um espaço maior para os curtas no Vertentes. Aliás, um espaço que já é ocupado por curtas. O Vertentes do Cinema hoje é o único site que coloca curtas em sua programação. Eu só estou chegando para complementar e assinar a curadoria. Uma curadoria pensada de forma diversa, universal com curtas que passaram, muito ou pouco em festivais, premiados, não premiados, com foco no interior (o Brasil tem produzido cada vez mais curtas-metragens em seus interiores); com foco na diversidade; com temas polêmicos e reflexivos. Temos muitos curtas de cineastas veteranos e curtas de realizadores, que só focaram suas carreiras nesse formato.  Ou seja, assunto e curta não faltam e faltarão. A cada ano o Brasil tem produzido cada vez mais curtas. E precisamos mesmo abrir essa janela para que eles sejam vistos. 

13 Festivais do Rio 13 Vertentes

E para começar, abracei a ideia da curadoria inventada às pressas por Fabricio Duque. A Mostra Online “13 Festivais do Rio em 13 Vertentes” acontecerá de 06 à 19 de outubro. A programação, totalmente gratuita, digital e inclusiva (com a opção de Closed Caption), exibirá um filme por dia, sempre à meia-noite, durante 24 horas. Os 13 filmes e o Curta Homenagem traçam uma linha do tempo de 2009 a 2021 e estarão disponíveis na página principal do site (link aqui) e no Vimeo do Vertentes do Cinema.

E a seguir essa nova fase de curtas no site, já que estamos em ano de eleição, pensei a priori escolher esse primeiro tema com foco em filmes que falem sobre a política. Dentro desse contexto pensei em quatro curtas que formam a Mostra “Para Votar Bem”. O primeiro curta “A Eleição é uma Festa” (2013) é do cineasta Fábio Rogério, natural da capital sergipana, mas há alguns anos mora em São Carlos, interior paulista. O curta documental mostra dois candidatos a vereador em Aracaju, que se vestem como os heróis Batman e Robin, durante toda a campanha política na cidade.

“A Eleição é uma festa é um curta que eu quis falar de uma certa avacalhação que havia na eleição municipal de 2012, em Aracaju/SE, minha cidade. Batman e Robin eram dois candidatos a vereador que não tinham uma plataforma política, não tinham propostas para nada, e achei que havia uma potencialidade cinematográfica nesses dois personagens e que poderia dar um curta. Foi o meu primeiro filme que eu fiz tudo sozinho. Não tinha equipe, não tinha dinheiro e eu tive que fazer tudo sozinho. Literalmente é um filme de uma única pessoa”, disse o cineasta Fábio Rogério.

Em seguida teremos mais dois trabalhos que também levam a assinatura de Fábio Rogério, mas em parceria com o crítico, professor, pesquisador e realizador Marcelo Ikeda. “O Brado Retumbante” (2015) e “Impávido Colosso” (2018). O primeiro fala sobre as eleições de 2014 com imagens tiradas das campanhas dos candidatos e o segundo sobre as eleições de 1989 (a era Collor) e 2014.

“Esses dois curtas, realizados em parceria com o cineasta Fábio Rogério, são uma reflexão sobre o processo político brasileiro, a partir de material de arquivo extraído do horário político eleitoral. Não procuram defender um candidato específico, mas apontar para os paradoxos da campanha e como a política se tornou uma questão de imagem, em que a retórica publicitária importa mais que os discursos em si. O Brado Retumbante se baseia na campanha dos três principais candidatos da eleição presidencial de 2014 (Marina, Aécio e Dilma), enquanto Impávido Colosso faz um paralelo entre as eleições de 1989 e 2014, ambas resultando em impeachment”, resume Marcelo Ikeda, sobre os curtas.

“O Brado Retumbante e Impávido Colosso são dois filmes realizados juntamente com Marcelo Ikeda e é todo feito com material de arquivo. Não filmamos nada e utilizamos apenas o horário eleitoral como recurso de linguagem para falarmos o quanto a política passa mais pela construção da imagem de um candidato, do que necessariamente por um pensamento político”, finaliza Fábio.

E o último filme da leva é o premiado “Vai Melhorar” do cineasta potiguar Pedro Fiúza. Com cerca de 30 prêmios, o curta já rodou mais de 50 festivais pelo mundo e foi um dos finalistas ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2021.  A ficção conta a história de Luísa, uma apresentadora de campanha política, que descobre um esquema de corrupção dentro da própria campanha em que está trabalhando. 

“Apesar de acreditar muito no roteiro, eu não tinha como saber como ele seria recebido, sobretudo por ser meu primeiro filme. Eu sabia que tinha algo de interessante numa ficção sobre campanha política que se passa nos bastidores da produção de conteúdo, mas a resposta das plateias me deu essa certeza e me ensinou como era possível fazer esse cinema aqui no Rio Grande do Norte e se conectar com o mundo. Foi difícil fazer uma narrativa mais clássica com poucos recursos e experiência, mas era a abordagem que eu queria e que achava que funcionaria para falar de eleições a partir de histórias próximas a mim que se comunicassem com todo mundo”, explica o cineasta Pedro Fiúza

Curtas Vertentes

Da política para os interiores do Brasil teremos a Mostra Cinema Instantâneo. Como o próprio nome já diz é um cinema que foi pensando em reunir cineastas de diversas partes do país para juntos realizarem filmes rápidos e de baixo custo, proporcionando um intercâmbio cultural entre os envolvidos.  Só que baixo custo com qualidade, pois muitos dos filmes partem do empenho e conhecimento técnico de seus realizadores tanto que, os filmes já rodaram diversos festivais (mais de cem de pequenos a grandes) de cinema pelo Brasil e exterior, sendo premiados em alguns deles. Em quatro anos de existência, o projeto que começou em São Carlos (interior de São Paulo), já passou por seis estados, treze cidades e produziu 26 curtas e três longas. Sem contar que o Cinema Instantâneo acaba estimulando novos profissionais por onde passam. Para essa Mostra do Cinema Instantâneo serão oito títulos (que em breve serão divulgados por aqui).

Ou seja, com essa era digital e com vontade é possível produzir muito, com pouco. E os curtas são a porta de entrada para nossos cineastas. E aqui abrimos esse espaço a mais, para nossos realizadores, com um curta por semana (ou por dia, como a Mostra “13 Festivais do Rio em 13 Vertentes”, com direito a uma apresentação inicial e um bate papo com esses realizadores (Q&A). As conversas terão uma duração de até 30 minutos e ficarão em nossa plataforma. E eu chego com essa curadoria, no desafio de poder apresentar uma infinidade e uma diversidade de curtas para vocês, nossos vertenteiros e nossas vertenteiras!

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