Tudo Sobre a 44a Mostra de Cinema de São Paulo 2020

Um guia completo para ajudar o espectador a acompanhar a maratona de 198 filmes

Por Redação

Redefinir tradições pela moderna necessidade. Readaptar-se a novas regras de um mundo que precisou urgentemente ser remodelado. Aceitar as limitações impostos por uma pandemia mundial de proporções fatais. Tudo isso aconteceu neste ano de 2020, quando fomos surpreendidos com o novo Coronavírus. A solução (e obrigação consciente) encontrada foi privar o ser humano do próprio ser humano em quarentena, chamada de confinamento social. Afastá-los para os manter protegidos e solidários. Assim, oito meses depois, a vida se reinventou, palavra esta que ganhou força no distanciamento e que provou que cada um de nós consegue facilmente mudar rotinas e ações, com a válvula de escape da diversão. A arte corroborou sua potência, inquestionavelmente, de coexistir como elemento fundamental e básico de sobrevivência. Aprendemos rápido. Talvez rápido demais. As coisas voltaram “ao novo normal”, outra expressão trending. E o cinema recriou novos formatos de exibição. Festivais cinematográficos acostumaram e se realizaram pelo online. Totalmente virtual. Um deles é a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que com plataforma exclusiva e 198 títulos, traz uma curadoria pincelada dos grandes festivais, inclusive da edição de Cannes que não aconteceu.

Reanata de Almeida, diretora da Mostra, na coletiva de imprensa, apresentou dia 10 de outubro de 2020, as novidades da 44ª edição, começando pelo cartaz assinado pelo diretor chinês Jia ZhangKe, que optou por fotografar o acendedor de incensos de Fenyang (sua terra natal) executando sua nobre função para o Deus da Literatura, símbolo da cidade que é muito visitada por artistas e escritores daquele país. “A Mostra também tem um trabalho jornalístico. Eu não gosto de curadoria vaidosa. Tem que ter lugar para o filme mais experimental e pelo mais aberto. No editorial, reflito qual é a cara da Mostra”, disse Renata.

A mesa de “telas virtuais” ainda contou com Christiano Braga, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa; Mário Mazzilli, do Instituto CPFL; Eduardo Saron, do Itaú Cultural; e o professor Danilo Santos de Miranda, Direror Geral do Sesc SP.

Nesta edição, a Mostra Internacional de Cinema fará duas homenagens com o Prêmio Humanidade: a primeira será aos funcionários da Cinemateca e a segunda ao conceituado documentarista americano Frederick Wiseman, diretor de City Hall, longa confirmado na seleção do evento.

O prêmio Leon Cakoff será entregue à produtora Sara Silveira. Em homenagem a ela, a Mostra irá exibir sua mais recente produção, o longa Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, no Cinesesc Drive-in (unidade Sesc Parque Dom Pedro II) no dia 2 de novembro, onde a produtora receberá o prêmio.

Na coletiva, as palavras da vez foram “resiliência e resistência”. “Não tem cafezinho este ano, mas tem a capacidade de superação de resistir e evoluir. Incomodar é parte do nosso processo evolutivo”, disse Saron. “Provas de resistência pessoal e de expressão significativa do cinema além do cinema. Como será o pós se ainda não acabou a pandemia?”, disse o professor Danilo em “caráter de previsibilidade”.

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A MOSTRA PLAY

A Mostra explicou que foi “negociado números de sessões (de views), no máximo 2000” e sempre “pensar primeiro no público”. O maior desafio e dificuldade? “Convencer os diretores e produtores a colocar seus filmes online nesta plataforma, a mesma do mercado de Cannes e Tribeca”, disse Renata.

“Pela primeira vez, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ocorrerá majoritariamente de forma virtual, por meio de uma plataforma exclusiva, a MOSTRA PLAY. Para garantir a qualidade da transmissão das melhores e mais recentes produções cinematográficas do mundo, a Mostra trabalhará com as empresas FESTIVAL SCOPE e SHIFT72, que se uniram na pandemia e foram responsáveis pelas edições online dos festivais de TORONTO e TRIBECA e pelo MERCADO de CANNES.

Todos os filmes desta edição do evento poderão ser acessados pelo site da Mostra (mostra.org), que irá direcionar para as plataformas. Os títulos disponíveis na MOSTRA PLAY custarão R$ 6,00 por visualização. Este ano, dada as diferentes formas de exibição e ao valor reduzido dos ingressos, a Mostra não oferecerá pacotes e haverá número limitado de visualizações por filme.

Também ocorrerão sessões no Belas Artes Drive-in e no Cinesesc Drivein (na unidade Sesc Parque Dom Pedro II). A programação dos filmes que serão exibidos nesses espaços foi realizada em parceria com os dois cines drive-in a partir de filmes da seleção da Mostra. Tendo em vista que, este ano, a Mostra não trará seus convidados para São Paulo, a presença dos diretores e profissionais da área se dará por meio de vídeos enviados previamente, entrevistas especiais gravadas e lives.”, informou o release oficial.

A 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo conta com uma grande variedade de filmes dos mais diversos países. Estão confirmadas produções da Alemanha, África do Sul, Argentina, Armênia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Belarus, Bélgica, Bolívia, Bósnia-Herzegovina, Brasil, Bulgária, Burkina Faso, Canadá, Catar, Chile, China, Colômbia, Croácia, Cuba, Dinamarca, Egito, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irã, Iraque, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Jordânia, Kosovo, Lesoto, Letônia, Líbano, Macedônia do Norte, Mali, Marrocos, México, Mongólia, Nigéria, Noruega, Palestina, Panamá, Paquistão, Polônia, Portugal, Quirguistão, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Ruanda, Rússia, Sérvia, Síria, Sudão, Suécia, Suíça, Taiwan, Turquia, Ucrânia, Uruguai, somando 71 países que produziram e/ou coproduziram os filmes da seleção.

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NOSSA COBERTURA ATÉ AGORA

Uma cobertura de um festival começa muito antes, semanas antes de preparação. E quando uma maratona cinematográfica “cola” na outra, o trabalho é redobrado. O Vertentes do Cinema já assistiu a inúmeros filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2020, por cabines organizadas à imprensa e pelos festivais internacionais, como o Berlim.

Nós preparamos uma lista-cotação a fim de ajudar nas escolhas (que será atualizada ao longo do festival). Até porque este ano foram ofertados apenas seis ingressos no total por jornalista credenciado. TODAS as críticas serão realizadas durante o período da Mostra (até 05/11). E contará com a MOSTRA LIVE, um bate-papo entre amigos.

5 CÂMERAS

“Nova Ordem”, de Michel Franco
“Kubrick por Kubrick”, de Gregory Monro
“Dau, Natasha”, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel
“Rizi”, de Tsai Ming-Liang
“Exile”, de Visar Morina

4 CÂMERAS

“Chico Ventana Também Quer ter Um Submarino”, de Alex Piperno
“Siberia”, de Abel Ferrara
“Vil, Má”, de Gustavo Vinagre
“Meu Nome é Bagdá”, de Caru Alves de Souza
“Não Há Mal Algum”, de Mohammad Rasoulof
“17 Quadras”, de Davy Rothbart
“Mate-o e Deixe Esta Cidade”, de Balaji Vembu Chelli
“Panquiaco”, de Ana Elena Tejera
“Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meireles

3 CÂMERAS

“Nadando Até o Mar se Tornar Azul”, de Jia Zhang-ke
“Malmkrog”, de Cristi Puiu
“Cidade Pássaro”, de Matias Mariani
“Minha Irmã”, de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond
“A Saída dos Trens”, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă
“O Charlatão”, de Agnieszka Holland
“Irmã”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes
“O Problema de Nascer”, de Sandra Wollner
“Limiar”, de Rouzbeh Akhbari e Felix Kalmenson
“Apenas Mortais”, de Liu Ze
“Mosquito”, de João Nuno Pinto
“Coronation”, de Ai Weiwei
“As Órbitas da Água”, de Frederico Machado
“Um Dia com Jerusa”, de Viviane Ferreira

2 CÂMERAS

“Berlin Alexanderplatz”, de Burhan Qurbani
“O Lodo”, de Helvécio Ratto
“Mães de Verdade”, de Naomi Kawase
“Welcome to Chechnya”, de David France
“Al-Shafaq – Quando o Céu se Divide”, de Esen Isik
“Miss Marx”, de Susanna Nicchiarelli

1 CÂMERA

“Favolacce”, de abio e Damiano D’Innocenzo
“Cozinhar F*der Matar”, de Mira Fornay
“O Tremor”, de Balaji Vembu Chelli
“Mamãe, Mamãe, Mamãe”, de Sol Berruezo Pichon-Rivière
“Todos os Mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo

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A MOSTRA APRESENTA OS FILMES DA MOSTRA

Vencedor do Leão de Prata e do Leoncino d’Oro Agiscuola do Festival de Veneza e exibido nos festivais de San Sebastián e de Toronto, o thriller mexicano Nova Ordem (New Order) inaugura a 44a edição da Mostra. Ambientado em uma Cidade do México que ferve com protestos, em que uma revolta inesperada abre caminho para um violento golpe de Estado, Nova Ordem mostra um casamento luxuoso da classe alta que dá errado. Visto pelos olhos de Marianne, a jovem e simpática noiva, e dos criados que trabalham para –e contra– sua família rica, o filme traça o colapso de um sistema político enquanto uma substituição mais angustiante surge em seu rastro. O longa é dirigido por Michel Franco, que tem uma filmografia composta de obras como Daniel & Ana (2009, exibido na 33ª Mostra), Depois de Lúcia (2012), vencedor da seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, e As Filhas de Abril (2017, 41ª Mostra), vencedor do Prêmio Especial do Júri da seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes.

Na seleção desta 44ª Mostra, estão filmes premiados e exibidos em Festivais internacionais, além de títulos inéditos como Kubrick por Kubrick (Kubrick by Kubrick), de Gregory Monro, exibido em Tribeca, O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho, baseado no livro homônimo de José Saramago, Berlim Alexanderplatz, de Burhan Qurbani, da seleção de Berlim, Araña, do chileno Andrés Wood, apresentado em San Sebastián e Toronto, Vencidos da Vida, de Rodrigo Areias, O Paraíso da Serpente (El Paraiso de La Serpiente), de Bernardo Arellano, Ordem Moral, de Mário Barroso.

Do Festival de Veneza, a Mostra exibe filmes como o documentário Sportin’ Life, de Abel Ferrara, também diretor de Sibéria, apresentado em Berlim, City Hall, de Frederick Wiseman -diretor que recebe o Prêmio Humanidade-, Entre Mortes (In Between Dying), de Hilal Baydarov, A Herdade, de Tiago Guedes, além dos premiados Crianças do Sol (Sun Children), de Majid Majidi, Miss Marx, de Susanna Nicchiarelli, Gênero, Pan (Lahi, Hayop), de Lav Diaz, Zanka Contact, de Ismaël El Iraki, e o documentário Notturno, de Gianfranco Rosi.

Também ganham sessão filmes que fizeram parte da seleção oficial do Festival de Cannes (cancelado em razão da pandemia de Covid-19), como Fevereiro (February), de Kamen Kalev, Nadia, Borboleta (Nadia, Butterfly), de Pascal Plante, Josep, de Aurélien Froment, Dezesseis Primaveras (Spring Blossom), de Suzanne Lindon, Suor (Sweat), de Magnus von Horn, Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria, Mães de Verdade (True Mothers), de Naomi Kawase, A Morte do Cinema e do Meu Pai Também (The Death of Cinema and My Father Too), de Dani 7 Rosenberg, Caminhando Contra o Vento (Striding into the Wind), de Wei Shujun, e Ao Entardecer (In the Dusk), de Sharunas Bartas.

De Berlim, integram a programação da Mostra os premiados Não Há Mal Algum (There Is No Evil), de Mohammad Rasoulof, Fábulas Ruins (Bad Tales), de Fabio e Damiano D’Innocenzo, Sem Ressentimentos (No Hard Feelings), de Faraz Shariat, Malmkrog, de Cristi Puiu, Pai (Otac/Father), de Srdan Golubović, Dias (Rizi), de Tsai Ming-Liang, Welcome To Chechnya, de David France, Mamãe, Mamãe, Mamãe (Mamá, Mamá, Mamá), de Sol Berruezo Pichon-Rivière, O Problema de Nascer (The Trouble With Being Born), de Sandra Wollner, Desenterrar (Digger), de Georgis Grigorakis, O Século 20 (The Twentieth Century), de Matthew Rankin. Além disso, a Mostra também conta com títulos que foram exibidos no Festival de Berlim, entre eles Lua Vermelha (Red Moon Tide), de Lois Patiño, Animais Nus (Naked Animals), de Melanie Waelde, Minha Jovem Irmã (My Little Sister), de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond, e Dau Degeneration, de Ilya Khrzhanovskiy e Ilya Permyakov e Dau Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jkaterina Oertel, projeto de Ilya Khrzhanovskiy que simula o sistema soviético, combinando cinema, ciência, performance, espiritualidade, experimentação social e artística, literatura e arquitetura para falar do uso totalitário do poder.

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Dentre os 198 títulos da seleção, cerca de 25% contam com mulheres assinando a direção, entre eles Gato na Parede (Cat In the Wall), de Vesela Kazakova e Mina Mileva, Impedimento em Cartum (Khartoum Offside), de Marwa Zein, A Arte de Derrubar (The Art of Fallism), de Aslaug Aarsæther e Gunnbjörg Gunnarsdóttir, Rebeldes de Verão (Summer Rebels), de Martina Saková, e Irmãs Separadas (Sisters Apart), de Daphne Charizani.

Mais de 30 títulos brasileiros integram a seleção da Mostra Brasil. Os longas estão divididos nas seções Apresentação Especial, Competição Novos Diretores e Perspectiva Internacional. As produções brasileiras desta 44ª edição são inéditas, com exceção dos filmes que prestam tributo, como os dirigidos por Fernando Coni Campos, que ganha homenagem póstuma.

O documentário Coronation, do artista Ai Weiwei, que retrata o confinamento em Wuhan, na China, durante o início do surto de Covid-19 no começo do ano, será exibido durante o evento. Ai Weiwei apresenta um segundo filme na Mostra: o longa Vivos, sobre um grupo de estudantes mexicanos que foram brutalmente atacados por forças policiais e outros agressores mascarados.

Também ganha sessão especial o curta Escondida (Hidden), do iraniano Jafar Panahi, que segue o cineasta, sua filha e seu amigo a uma remota vila curda para visitar uma cantora sobrenaturalmente talentosa, que é proibida de se apresentar publicamente.

Outro curta que integra a programação é Uma Noite na Ópera, do renomado diretor ucraniano Sergei Loznitsa. Baseado em imagens de arquivo dos anos 1950 e 1960, o filme revisita as noites de gala na Ópera de Paris.

E Jia Zhangke, que apresenta seu longa Nadando até o Mar Se Tornar Azul, nos brinda também com o seu mais recente trabalho, o curta A Visita (Visit), gravado com o celular. O filme retrata uma reunião entre dois parceiros de trabalho que acaba revelando os rígidos protocolos de cuidados impostos pela epidemia do novo coronavírus.

O brasileiro Fernando Coni Campos (1933-1988) ganha homenagem póstuma nesta edição do evento com a apresentação especial de três de seus sete longasmetragens: Viagem ao Fim do Mundo (1968), Ladrões de Cinema (1977) e O Mágico e o Delegado (1983).

A Mostra proporciona uma rara oportunidade de revisitar o universo desse autor original e originário do Recôncavo baiano. Viagem ao Fim do Mundo integra a seleção. Em plena ditadura, Coni escreve e dirige este longa que conquista o Leopardo de Prata no Festival de Locarno.

A comédia Ladrões de Cinema, protagonizado por Ruth de Souza e Léa Garcia e narrado por Antonio Pitanga e Milton Gonçalves, conta a história de ladrões do morro do Pavãozinho que resolvem fazer um filme, tendo a Inconfidência Mineira como tema.

O Mágico e o Delegado, vencedor do Festival de Brasília, é seu filme-testamento. Nele, Coni retorna ao mundo fantástico da infância e dos artistas de circo para recriar o microcosmo do país sob a derrocada do “milagre econômico”.

Tudo Sobre a 44a Mostra de Cinema de São Paulo 2020

A 44a Mostra conta com uma seleção de cerca de 25 títulos produzidos ou coproduzidos por outros países latino-americanos, como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Cuba e Uruguai, entre os quais alguns que participaram e foram premiados em festivais internacionais, como Nem Herói, nem Traidor, de Nicolás Savignone, Piedra Sola, de Alejandro Telémaco Tarraf, Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino, de Alex Piperno, Uma Máquina para Habitar, de Yoni 9 Goldstein, Entre Cão e Lobo, de Irene Gutiérrez, Entre Mortes, de Hilal Baydarov, e Panquiaco, de Ana Elena Tejera.

Nos dias 29 de outubro e 03 de novembro, o Fórum Nacional Lideranças Femininas no Audiovisual volta à Mostra com o objetivo de destacar o tema da diversidade na produção audiovisual no Brasil e no mundo. Em 2020, o evento conta com uma programação intensa que inclui convidadas internacionais e o encontro de lideranças femininas de todo o país. A iniciativa é uma parceria do +Mulheres Lideranças do Audiovisual Brasileiro com a ONU Mulheres Brasil e a Spcine.

Neste ano de 2020, o Fórum Mostra chega a sua quarta edição e, seguindo os protocolos sanitários decorrentes da Covid-19, acontece de forma virtual. O IV Fórum Mostra tornou-se, no processo de adequação ao novo contexto, mais enxuto e mais internacionalizado.

Habitualmente realizados no auditório do Itaú Cultural, os debates, este ano, serão transmitidos pelas plataformas do Itaú Cultural e da Mostra. A programação central se dividirá em três dias – de 28 a 30 de outubro.

Num ano como este, no qual os cinemas foram fechados, os sets interrompidos e, ao mesmo tempo, o consumo audiovisual explodiu, o IV Fórum Mostra procura contribuir para a reflexão sobre o atual momento e o futuro dessa atividade que, apesar de todos os desafios impostos pela pandemia, se mostra mais viva que nunca.

Questões como cinema e memória, as mudanças no consumo e na produção audiovisual pós-Covid, serão temas de debates. Ainda no âmbito do Fórum acontecerá a terceira edição do evento Da Palavra à Imagem, um pitching que procura apresentar, para produtores de cinema, livros que podem ser transformados em filmes ou séries.

O cineasta Ruy Guerra vai ministrar, com a participação do historiador Adilson Mendes, um curso sobre a arte cinematográfica. Com trajetória transnacional, Guerra atravessa momentos da história do cinema na França, no Brasil, em Portugal, em Moçambique e em Cuba. Uma história do cinema com cronologia livre das amarras da historiografia tradicional, da trajetória particular do cineasta ao cinema mundial.

Quatro encontros com Ruy para refletir sobre seu primeiro filme no Institut des Hautes Études Cinématographiques (IDHEC), nos anos 1950, passando pelo Cinema Novo, na década de 1960, até o presente. Com comentários críticos e leituras encenadas, o curso visita sequências fundamentais dos filmes do autor, destacando aspectos do trabalho artístico de um realizador múltiplo, autor de filmes, peças teatrais, crônicas, canções e poesias que expressam uma sensibilidade inconformada, entre o gesto político e o impulso onírico.

Os encontros têm participação do historiador Adilson Mendes. Ruy Guerra (1931) é cineasta, escritor e poeta, realiza a produção de A fúria, filme que encerra o tríptico constituído por Os fuzis e A queda. Adilson Mendes é historiador, com estudos sobre a história do cinema brasileiro. Organizador de Ruy Guerra – Arte e Revolução (Desconcertos: 2019). Encontro I – Comentário crítico-histórico sobre os filmes Quand le Soleil Dort (1958) e Os Cafajestes (1961) Encontro II – Análise das sequências fundamentais de Os Fuzis (1964), Os Deuses e os Mortos (1970) e A queda (1977). Encontro III – Abordagem das adaptações de Gabriel Garcia Marques Encontro IV – Balanço crítico sobre a trajetória de Ruy Guerra e o fazer cinema no Brasil hoje.

O JÚRI

Nascida em São Paulo em 1954, Cristina Amaral é uma das principais e mais importantes montadoras do país. Estudou cinema na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e, nos anos 1980, ainda na faculdade, começou a trajetória no cinema montando curtas-metragens. Trabalhou com alguns dos mais relevantes realizadores do país, como Carlos Reichenbach, com quem teve uma extensa parceria em filmes como Alma Corsária (1993), Dois Córregos (1999), Garotas do ABC (2003), Bens Confiscados (2004, 28a Mostra) e Falsa Loura (2007). Também trabalhou com João Batista de Andrade em O Cego que Gritava Luz (1997), com Guilherme de Almeida Prado em A Hora Mágica (1999) e com Edgar Navarro nos títulos O Homem que Não Dormia (2012, 35a Mostra) e Abaixo a Gravidade (2017, 41a Mostra). Sua parceria mais notória se deu com o cineasta Andrea Tonacci, com quem criou em 1997 a Extrema Produções Artísticas e cujo trabalho rendeu algumas das obras mais emblemáticas do cinema brasileiro recente, como Serras da Desordem (2006, 30a Mostra) e Já Visto Jamais Visto (2013). Em 2029, o trabalho de Cristina foi tema de uma retrospectiva no Sesc Pompeia.

Felipe Hirsch Nasceu no Rio de Janeiro em 1972. É diretor, dramaturgo, cenógrafo e produtor de teatro. Com o ator Guilherme Weber, fundou em 1993, na cidade de Curitiba, a Sutil Companhia de Teatro, que estreou cerca de 20 montagens, incluindo A Vida É Cheia de Som e Fúria (2000), adaptação do romance Alta Fidelidade, do escritor Nick Hornby, peça que foi sucesso de crítica e público por onde passou. Hirsch é, ainda, um dos criadores da Ultralíricos, companhia na qual desenvolve experimentações cênicas, como o espetáculo Puzzle, apresentado na Feira do Livro de Frankfurt no ano de 2013. Na televisão, dirigiu para a MTV brasileira a série A Menina sem Qualidades (2013). Enveredou para o cinema em 2009, quando estreou na direção de longas-metragens com Insolação (33ª Mostra), feito em parceria com Daniela Thomas, e exibido no Festival de Veneza. Também assinou a direção do longa Severina (2017, 41ª Mostra), selecionado para o Festival de Locarno.

Sara Silveira Nasceu em Porto Alegre em 1950. Nome fundamental da produção cinematográfica brasileira, Sara Silveira, formada em direito, entrou para o cinema nos anos 1980 como assistente de produção de filmes como Nasce uma Mulher (1983), de Roberto Santos, e Além da Paixão (1984), de Bruno Barreto. Em seguida, foi diretora de produção de obras como Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach, e A Dama do Cine Shanghai (1987), de Guilherme de Almeida Prado. Em 1991, fundou, com o cineasta Carlos Reichenbach e em parceria com a produtora Maria Ionescu, a Dezenove Som e Imagens, empresa reconhecida por revelar novos talentos do cinema nacional e levá-los para o mundo. De lá para cá, a Dezenove já produziu (ou coproduziu) alguns sucessos do Brasil, como Bicho de 12 Sete Cabeças (2000, 24ª Mostra), de Laís Bodanzky; Falsa Loura (2007); de Reichenbach; Ó Paí, Ó (2007), de Monique Gardenberg; É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert; Girimunho (2011, 35ª Mostra), de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.; Trabalhar Cansa (2011) e As Boas Maneiras (2017, 41ª Mostra), ambos dirigidos por Marco Dutra e Juliana Rojas, e O que se Move (2012, 36ª Mostra), de Caetano Gotardo. Na 44ª Mostra, além de integrar o Júri, Sara apresenta o longa Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, e receberá o Prêmio Leon Cakoff.

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