Ficha Técnica

Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin, Adam Bousdoukos
Elenco: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel, Wotan Wilke Möhring, Peter Lohmeyer, Jan Fedder, Dorka Gryllys, Cem Akin, Catrin Striebeck, Lukas Gregorowicz, Pheline Roggan.
Fotografia: Rainer Klausmann
Direção de arte: Seth Turner
Figurino: Katrin Aschendorf
Edição: Andrew Bird
Efeitos especiais: Optical Art
Produção: Klaus Maeck
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Corazón International
Duração: 99 minutos
País: Alemanha
Ano: 2009
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

Entender a filmografia do diretor Fatih Akin é aceitar o acaso com seus acontecimentos realistas, diretos, crus e brutos. Os seus personagens são perdedores resignados, porém possuem a esperança de que tudo mude. É neste momento que o acaso participa do filme, para o bem ou para o mal, dependendo da ocasião. As historias acontecem paralelamente, juntando-se aos poucos.

Jovem proprietário do restaurante Zinos (Adam Bousdoukos) é perseguido pela má sorte: sua namorada Nadine (Phéline Roggan) mudou para Xangai, por causa de um novo emprego, e ele descobriu que tem uma hérnia de disco. Completamente apaixonado, porém, ele decide ir atrás de seu grande amor e deixa a administração do lugar por conta de seu irmão Ilíada (Moritz Bleibtreu). Mas, pouco tempo depois, ele descobre que fez péssimas escolhas: o irmão acaba vendendo o restaurante para um agente imobiliário e sua namorada está interessada agora em um outro homem. Agora, o jovem precisará correr atrás do prejuízo e retomar seu restaurante.

Um restaurante decadente, um cozinheiro simples com um cardápio modesto e popular. Um chef conceituado, experiente em alta gastronomia em um restaurante que se diz moderno, mas o cliente leigo sempre possui a razão. “Gaspacho é uma sopa fria”, O cozinheiro diz. “Mas eu quero quente”, o outro responde.

Os tipos são passionais. Agem antes, pensam depois. O diretor inventa, experimentando, misturando musica brega com ambiente atual. “Você esta fedendo”, diz-se. Não há limites para se dizer o que pensa. A vida do dono do restaurante modesto começa a mudar, dando reviravoltas surreais, fantasiosas, mas perfeitamente aplicáveis. A namorada vai atrás dos sonhos dela. Bate-papos com câmeras separam os dois, com musica antiga. O jazz desliza as imagens fotográficas do computador.

As historias entrelaçam-se. O irmão (Moritz Bleibtreu) saiu da prisão. Um problema de coluna com danças para aliviar a dor. Demonstram-se personagens perdidos, no extremo de tomar decisões importantes em suas vidas. Uma reviravolta pode salvar, já outra seguinte volta a destruir. “Não cozinho isso. Faço uma ilusão com truques”, sobre a comida apresentada. “Musica é o alimento da alma”, frase que explica o que a musica representa nos filmes do diretor. “Voltamos semana que vem com um apetite maior”, sarcasmo sobre a quantidade de comida do prato.

Um busca a comida de qualidade para pessoas simples. “Ignorantes só comem o que conhecem”, diz o outro e complementa “Racistas gastronômicos”. O acaso é recorrente. O publico muda. O dinheiro aparece. Um grupo de músicos com seus fãs. A fotografia da boate ilustra o que se deseja transmitir. As cores representam manifestações de uma luz fraca e saturada. É uma atmosfera de bar cult e moderninho com pessoas adultas, na faixa dos seus trinta anos. “O viajante ainda não chegou ao seu destino”, filosofa-se.

O personagem principal busca a recuperação de sua vida e de seus bens. Um leilão para recuperar o que perdeu. “200 mil e 15”, grita. Para logo depois dizer “Eu quero ser livre. Um restaurante é demais para mim”. O irmão apronta e muda o andamento da trama. Passa a ser um ambiente lounge. A reforma do restaurante e a interação da musica. É um filme sobre sonhos e a luta para que sejam realizados. Mas não há a fantasia clichê de tudo acontecer perfeitamente. Ninguém ali é santo. Todos são imperfeitos e erram bastante. O lugar lotado passeia por comida de qualidade, musica, temperos afrodisíacos, liberação sexual sem pudores, mas não explicito. É sensual, sexy, porém não se apresenta como pornô.

Os personagens buscam a redenção, um final feliz. São utópicos ingênuos com uma perspicácia com o pé no chão. A esperança de lutar e buscar o objetivo não termina. Mesmo com os imprevistos cada vez mais presentes da vida. São superados a cada instante, a cada obstáculo. Uma hora dá certo, a outra já não tanto. O erro por inexperiência ou por burrice não terminara. Continuara a acontecer. E assim a vida deles segue com o acaso nas mãos.

Vale a pena ser visto. É uma comédia sobre superação, dar a volta por cima, transpassar barreiras para a busca do que se quer, do que se almeja. Recomendo. Vencedor no Festival de Veneza 2009 do prêmio especial do júri.

“É mais um filme de família. Minha mulher, meu irmão, meus amigos, todos de alguma forma participaram de Soul Kitchen. À medida que elaborava a história e convivia com os personagens, fui me envolvendo cada vez mais com a vitalidade e diversidade deles. Percebi que Soul Kitchen teria de ser diferente dos meus outros filmes. Os outros eram filmes de arte, de autor. Este eu queria que fosse para o público. Fiz Soul Kitchen pensando nos espectadores. Tem gente que não acredita quando digo que foi meu filme mais difícil de fazer. O tempo todo eu ficava me interrogando sobre o público. Pensava em diferentes opções para contar a história, diferentes planos. Foi tudo muito sofrido e, ao mesmo tempo, estava cercado de gente que eu amo, num ambiente fraterno. Sofria, mas era um prazer masoquista”, disse o diretor Fatih Akin.

O Diretor

Fatih Akin nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 25/08/1973. Ele tem 36 anos e é um Turco alemão. Formou-se em Comunicação Visual na Universidade de Hamburgo. Casado desde 2004 com a atriz germano-mexicana Monique Obermuller. Ainda mora em Hamburgo. Cem Akin, seu irmão, é ator. O tema das confusões de Turcos alemães entre duas culturas é recorrente. Trabalhou como ator no filme “A Experiência” (2001).

Filmografia

2009 – Soul Kitchen
2008 – Nova York, Eu Te Amo
2007 – Do Outro Lado
2005 – Atravessando a Ponte – O Som de Istambul
2004 – Contra a Parede
2004 – Visões da Europa (segmento “Velhas Canções Malditas”/”Die alten bösen Lieder”)
2000 – Julia em Julia (in July)

O Ator

Moritz Bleibtreu nasceu em 13/08/1971, em Munique, Alemanha. Tem 38 anos. Depois de deixar a escola com 16 anos, fui viver em Paris e Nova Iorque, que fez escola dramática. Em 1992, começou a carreira no Schauspielhaus em Hamburgo. Seu filho, David, nasceu em novembro de 2008, em Hamburgo.

Filmografia

2009 – Soul Kitchen
2008 – A Ressurreição de Adam
2008 – O Grupo Baader Meinhof
2008 – Speed Racer
2007 – A Casa das Cotovias
2007 – Free Rainer
2007 – O Acompanhante
2006 – Partículas Elementares
2005 – Munique
2005 – The Keeper: The Legend of Omar Khayyam
2004 – Agnes e seus irmãos
2001 – A Experiência
2001 – Tomando Partindo – O Caso Furtwängler
2001 – Uma História a Três

Anuncie no Vertentes do Cinema

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *