Ficha Técnica

Direção: Fabián Hofman
Roteiro: Diana Cardozo
Elenco: Fermín Volcoff, Martín Slipak, Luis Ziembrowski, Carmen Beato
Fotografia: Alberto Anaya
Montagem: Miguel Schverdfinger
Música: Hermanos Rincón
País: Argentina / México
Ano: 2010
Duração: 96 minutos

A opinião

“Sinto sua falta” é um filme sobre a ditadura argentina. Dois irmãos envolvem-se na revolução com o intuito de mudar o mundo. “Viva o comunismo!”, eles dizem. São jovens e ingênuos, porém com ideais. “Obrigações são façanhas?”, pergunta o pai ao mais novo de quinze anos, sobre as notas altas da escola. Uma família normal, com diálogos realistas, ironizados e perspicazes. A camera apresenta duas vertentes de participação. Uma delas é ser observadora, quase proibida, ficando muito junto aos seus personagens, com tremidas propositais pelo fato de estar tão perto. Neste caso, escolhe a cumplicidade do espectador, o transportando para a tela. As ações são ágeis e apressadas neste primeiro momento. A fotografia apresenta-se saturada ao contraste, remetendo a nostalgia da época. É como se fosse uma velha foto em movimento. Há poesia quando trabalha com alguns elementos visuais. A luz do sol no cabelo quando se abre uma caixa com uma bomba guardada. A condescendência da família é recorrente, principalmente da avó com problemas de esquecimento.

Javi, o mais novo, torna-se revolucionário por onda, referência ao mesmo ônibus que o conduz para a proteção. Ele tem a sua primeira vez sexual em um quarto de hotel. “Ele pensa que com o seu discurso pode mudar tudo”, diz-se sobre o irmão mais velho mais envolvido com a luta armada. O longa não se comporta de forma linear. Há idas e voltas, por lembranças de saudade de Javi. O objetivo é criar o sentimento de alerta, de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. A perseguição é subentendida. O outro estágio da camera é a imagem estática de espera, do nada. Espera-se algo, não tão definido no roteiro. Neste momento, o filme perde ritmo e entra na mesmice repetitiva. Há a Argentina, México e Uruguai. Uma sucessão de clichês e instantes cansativos, e vazios, acontece até o sentimentalismo final. “E se eles estiverem certos?”, diz-se. Concluindo, é um longa que desperdiça talentos para contar a história boba de uma saudade. Eu não vou sentir falta.

A Sinopse

Aos 15 anos, Javier é forçado a deixar a Argentina por causa da ditadura militar dos anos 70. Quando Adrián, seu irmão de 20 anos, “desaparece” em Buenos Aires, o adolescente é mandado pelos pais para viver com parentes no México. O assassinato de Adrián, que comandava um pequeno grupo de jovens dissidentes políticos, se torna uma sombra na vida de Javier. Entre a admiração e a inveja, ele vive com o peso de fazer jus à memória do irmão e a saudade de sua presença. Seu sentimento é de que Adrián é quem devia estar vivo, e não ele. Estréia na mostra Geração do Festival de Berlim 2010.

O Diretor

Nasceu em Buenos Aires, em 1960. Formou-se em Fotografia em Israel em 1982. Deu aulas de Mídia e Vídeo na Universidade de Buenos Aires, coordenou o departamento de mídia na Escola Nacional de Antropologia e História e foi diretor do Centro de Capacitação Cinematográfica, no México. Após dirigir uma série de curtas documentais, realizou em 1994 o longa Los Ferro. Em 2001, realizou seu primeiro filme ficcional, Pachito Rex.

Anuncie no Vertentes do Cinema

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *