Ficha Técnica

Direção: Nancy Meyers
Roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin, John Krasinski, Robert Adamson, Blanchard Ryan, Hunter Parrish, Lake Bell
Fotografia: John Toll
Música:Heitor Pereira e Hans Zimmer
Direção de arte:W. Steven Graham
Figurino:Sonia Grande
Edição:Joe Hutshing e David Moritz
Efeitos especiais:Hammerhead Productions
Produção: Nancy Meyers, Scott Rudin
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Scott Rudin Productions
Duração: 118 minutos
País: EUA
Ano: 2009
COTAÇÃO: BOM

A opinião

O novo filme da diretora de filmes adultos (não é pornô) e maduros incursiona por um universo do existencialismo realista do envelhecer. A busca para postergar o tempo utiliza todos os elementos do estar jovem. É um filme da síndrome de Peter Pan, aquele persoinagem que não quer crescer nunca. Mas a direção faz com que os seus personagens passem estágios e modifiquem a si e aos outros.

Aborda a vida de Jane, uma mãe de três filhos adultos, dona de um restaurante em Santa Barbara e tem – depois de uma década de separação – uma relação amigável com o ex-marido, o advogado Jake. Mas, quando Jane e Jake vão à formatura do filho, as coisas começam a ficar complicadas. O inimaginável acontece: começam um affair. O problema é que Jake acabou de se casar novamente e Jane, agora, se vê como a amante. No meio dessa confusão, chega Adam, arquiteto contratado por Jane, que também está se recuperando de um divórcio. Ele apaixona-se por Jane e logo percebe que faz parte de um triângulo amoroso.

“Quem irá assistir ‘The hills’ comigo?”, questiona-se socialmente aos filhos a personagem com a sua solidão resignada. A personagem ém questão é Meryl Streep, excelente como sempre, sendo sempre Meryl Streep. Ela está sexy, sensual e sexual sem vulgarizar. Quer aproveitar e ser jovem na idade que se encontra. Busca uma cirurgia pástica, mas não sofrer com as consequências. Quer respostas rápidas do seu terapeuta. Tudo discutido e confidenciado para as amigas, em um quase episódio, porém inteligente, de ‘Sex and the city’. As revelações são reais e cotidianas. Não há pudores e não há excessos. “Deixa fluir”, diz-se explicando na cena e ao espectador qual ritmo o longa deseja conduzir, sem comentários óbvios e piadas clichês.

A fotografia clara, iluminada e solitária – porém com esperanças, mostra o dia-a-dia de uma família, com suas manias, detalhes, escolhas e vivências. O filme observa os detalhes dos outros. Por esses detalhes que a trama vai sendo desenvolvida. “Adoro o silêncio da sua casa. Não tenho silêncio. Nunca”, diz-se.

O divórcio é humanizado, mostrando o lado dos dois, sem julgamentos e sem tomar partido. As lembranças são ainda intensas e o redescobrir o ex-marido torna-se quase obrigatório para a vida dela. Sobre o sexo com o marido “Estou tendo uma experiência extra-corpórea”. Sobre a maconha “Estou chapada, a última vez foi há 27 anos. Eles colocaram mais coisa nela?”, ri-se.

O melhor do filme é o seu roteiro. Inteligente, descontraído, sem ser pretensioso e prepotente. Divaga sobre viagens (Paris, Toscana), sobre um riqueza comum de ser rico e da própria construção do caminho da vida. Deixa acontecer. A trama possui vida própria. É um filme divertido, gostoso de assistir. “Por que você precisa rotular tudo?”, sobre o caso com o ex-marido. E complementa-se “Isso é tão francês para nós”.

A nostalgia do momento encanta, sendo intercalado por questões existenciais, em tom de picardia ingênua, tão natural e normal, sobre a idade que se tem. “Nós já envelhecemos separados”, divaga-se. “Sua idade é uma das coisas que mais gosto em você”.

Há uma troca de papéis. Pais ‘chapados’ para curtir o momento gerando a epifania da catarse. Pais fazendo sexo bêbados. O julgamento e o politicamente correto são abertos e sem sentenças. “Diversão nunca é demais”, diz-se.

O final, como todo filme de gênero romântico, intensifica o previsível, mas necessário, para resolver os seus conflitos. Porém vale a pena assistir pelo roteiro. Inteligente e se mostrando de acordo com o tempo real. As interpretações são cumuns em um fotografia interessante, mas sem acrescentar muita coisa. É um bom filme. Recomendo.

A Diretora

Nancy Jane Meyers nasceu em 8 de dezembro de 1949. É uma diretora, produtora e roteirista americana. Roteirizou “O pai da noiva I e II” com Steve Martin, que volta a trabalhar no seu último filme.

Filmografia

2006 – O Amor não tira Férias (The Holiday) – Direção / Roteiro
2003 – Alguém tem que Ceder (Something’s Gotta Give) – Direção / Roteiro
2000 – O que as mulheres Gostam (What Women Want) – Direção
1998 – The Parent Trap – Direção / Roteiro

A Atriz

Mary Louise Streep (Summit, 22 de junho de 1949), mais conhecida como Meryl Streep, é uma premiada atriz norte-americana. Streep é recordista em indicações/nomeações, com dezesseis indicações ao Oscar da Academia, tendo vencido em duas ocasiões; e de indicações/nomeações e de vitórias para o Golden Globe Awards, com 25 indicações, tendo ganho sete vezes.

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