Ficha Técnica

Diretor: Wolney Atalla
Roteiro: Wolney Atalla, Caio Cavechini
Elenco: Documentário
Fotografia: Arturo Querzoli
Música: Tuta Aquino
Edição: Marcelo Moraes, Wolney Atalla e Marcelo Bala
Produção: Wolney Atalla, Alexandre Moreira Leite
Distribuidora: Downtown Filmes
Estúdio: Midmix Entertainment; Yukon Filmworks; Filmland International ; Paradigm Pictures
Duração: 94 minutos
País: Brasil
Ano: 2010
COTAÇÃO: REGULAR

A opinião

“Sequestro” traz à tona o tema social da privação da liberdade, que é usado com o intuito de extorsão, uma forma de “recompensa” monetária, coagindo pessoas por meio de violência ou ameaça. No Código Penal Brasileiro, este crime é punido com a pena de reclusão de 8 a 15 anos (artigo 159). O documentário do economista Wolney Atalla (do curta-metragem “Princess” de 1999 e do primeiro longa-metragem “A Vida em Cana” de 2001) acompanha durante quatro anos o trabalho da Divisão Antissequestro da Polícia Civil de São Paulo. Neste período, mais de 1500 pessoas foram sequestradas em todo o Brasil, 400 somente em São Paulo, e mostra a realidade e a rotina de quem lida com este tipo de crime, o depoimento das vítimas e como é o crime organizado e comandado dentro da cadeia. O diretor opta pela narrativa, estilo videoclipe, alternando entrevistas e trechos de negociação (em fade escurecido) com o seqüestrador. “Sequestro” apresenta os casos em paralelo, intercalando as resoluções, estratégias e reviravoltas. Na parte inicial, preâmbulo explicativo, explica-se o começo – e a causa – da recorrência da prática. A ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas patrocinava os grupos de esquerda da época. O filme baseia-se no seqüestro do empresário Abílio Diniz a fim de expor a condução das histórias. Quando esta ajuda acabou, os revolucionários necessitaram descobrir novos meios de financiar as suas “ideologias”. “Um seqüestro para acontecer precisa de dinheiro, estratégia e inteligência”, dizem ao contrariar o estilo de hoje em dia. Esta prática, no passado, funcionava como um “empréstimo”.
“Não havia tanta tortura”, dizem mais ou menos assim. O problema é que estes revolucionários foram encarcerados junto aos presos comuns e em celas comuns. Assim, o inevitável aconteceu. Estes “intelectuais” de certa forma ensinaram aos outros as técnicas, formalizando um livro “passo a passo”. O DAS conta com 80 homens, que têm a difícil tarefa de vasculhar uma cidade enorme com cerca de 18 milhões de habitantes. E precisam enfrentar seus próprios sentimentos, sem os conduzi-los ao tom passional. Alguns sofrem problemas cardíacos, muitos fumam e tentam quase que em vão separar a emoção à flor da pele da posição profissional que precisam assumir. O papel do documentário é contraditório e em diversos casos polêmico, como este em questão. O tema abordado pode simplesmente ser apenas de registro e ou incentivo a novos casos. Este estímulo pode ser danoso à sociedade, porque mesmo sem querer fornece poder midiático, estimulado ideias e “ideologias” corrompidas. É inerente a sinestesia emocional do espectador. A reação natural é o arrepio de quem assiste ao ser embarcado nas dores, desesperos e “esperanças” projetadas. A maneira com que a narrativa traduz tudo isto não ajuda ao tema e tampouco o próprio questionamento. Assim, o contexto é apagado para que se possa dar voz a sentimentalismos, a mesmice, a truques narrativos de manipular a emoção menos sólida do indivíduo.
A catarse – e o apelo – popular que se objetiva perdem a imparcialidade do gênero escolhido, traduzindo-se em uma realidade ficcional, dramática e extremamente clichê. Desta forma, abandona-se a arte, o contexto e escolhe-se filmar um programa de televisão pretensioso sobre policiais e violência. Mas nem tudo são pedras. Há diamantes brutos também, como as cenas iniciais. Por coincidência, o tempo que Wolney precisou para convencer que estava fazendo um trabalho sério. “Quando eu chegava, tinha policial que nem me olhava na cara. Eles me viam como o intruso, um cara que estava ali para atrapalhar. Mas aos poucos foram percebendo que meu projeto era sério. “Eles me recomendaram que nunca tratasse os policiais como atores, para não prejudicar o trabalho, que é cercado de riscos. Evitei aqueles que tentavam aparecer demais para a câmera durante as negociações. Demorei um ano para editar, eliminei tudo que pudesse expor demais os personagens envolvidos. Foram 20 cortes até chegar à versão final”, disse o cineasta. Concluindo, um filme como disse controverso e polêmico que deixo na mão dos espectadores e participantes da sociedade. Esta foi apenas opinião de um indivíduo social. “Minha intenção foi fazer uma radiografia desse tipo de crime e todos os seus aspectos. Não filmei para enaltecer, nem agradar ninguém. Tanto que teve até um policial que ficou meio magoado por ter sido cortado da edição final. É um retrato de como se dá a ação dos bandidos, o trabalho da polícia nas negociações e na captura dos criminosos e como vivem as famílias após passar por um trauma como esse”, finaliza-se. Vencedor de Melhor Documentário e Direção no Festival de Beverly Hills 2010 e Melhor Roteiro e Montagem do Festival Cine PE 2010.
O Diretor
Nascido em São Paulo, formou-se em Economia pela Universidade do Texas e concluiu mestrado em Administração na Suíça. Estudou Direção na New York Film Academy. Seu curta-metragem de graduação, “Princess” (1999), recebeu menção honrosa no Columbus International Film Festival. Seu primeiro longa-metragem, o documentário “A Vida em Cana” (2001), ganhou o prêmio de melhor documentário da Academia de Imprensa Internacional de Los Angeles. Em 2005, começou a filmar seu segundo longa documental, “Sequestro”, concluído em 2009.

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