Ficha Técnica

Direção: Asif Kapadia
Roteiro: Manish Pandey
Elenco: Alain Prost, Frank Williams, Ron Dennis, Viviane Senna, Milton da Silva
Fotografia: Gregers Salt
Música: Antonio Pinto
Edição: Chris King e Gregers Sall
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner e James Gay-rees
Estúdio: Working Title Films / Midfield Films
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 107 Minutos
País: Reino Unido
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“Senna” apresenta-se a um público especifico, objetivando o resgate emocional da comoção nacional que aconteceu a época de sua morte. Não estou dizendo com isso que há segmentação, mas que aborda, apenas, a vida de um ídolo brasileiro que viveu dentro deste esporte direcionado. Eu não acompanho, e tampouco entendo, a Formula 1, mas sei da importância que Ayrton Senna proporcionou ao cenário mundial. Com ele, os olhares dos outros países se voltaram ao Brasil, que vivia em extrema pobreza e sem perspectivas. O blog direciona o seu leitor à experiência cinematografia (incluindo a sinestesia das cenas apresentadas). Ayrton Senna nasceu em São Paulo, 21 de março de 1960, falecendo em Bolonha, 1 de maio de 1994. Foi três vezes campeão mundial, nos anos de 1988, 1990 e 1991 e vice-campeão no controverso campeonato de 1989 e em 1993. O documentário retrata a sua vida, com arquivos pessoais, partes jornalísticas, entrevistas e depoimentos de amigos, repórteres e profissionais da área. “Ele lutava para correr do jeito dele, do jeito certo. E pagou caro pelo embate (com a alta cúpula deste esporte)”, disse a irmã Viviane Senna. Com o apoio do Instituto Ayrton Senna, da grande produtora Working Title, da distribuidora Paramount e patrocinado pelo Grupo Bradesco Seguros e pela Embratel, o filme entra em circuito com 120 cópias. Havia mais de cinco mil horas de imagens.

“O segredo foi saber cortar”, disse o roteirista Manish Pandey. A narrativa escolhida segue ora o lado existencial de Ayrton, ora a agilidade típica da velocidade das corridas (como a camera dentro do carro, interagindo emoções e arrepios). Mas não há correria. Cria-se o contraste da rapidez com a narração suavizada do próprio piloto em questão e dos outros depoentes. Respeita-se a ordem cronológica, começando em 1978, quando Senna chega à Europa. O longa expõe não só a determinação pela vitória do paulista, com sua musiquinha característica, da Rede Globo, tendo Galvão Bueno e Reginaldo Leme como quase anfitriões; nem também os percalços de seus caminhos e suas lutas para que a Formula 1 fosse mais segura; nem os amores com Xuxa e Adriane Galisteu; nem a amizade balançada com o francês Alain Prost; nem a diversão com família. O que mostra além do que acabei de descrever é a simplicidade e a paixão por correr. “Corrida de verdade, sem dinheiro envolvido”, diz sobre não vivenciar a pressão, e “a tonelada de pesos nos seus ombros”, de se superar e obter troféu (e o banho de champanhe). “Formula 1 é politica, é dinheiro. Você se sai bem, ou esquece. Tornar os números cada vez maiores”, diz-se. “Um gênio na chuva”, sobre a facilidade de Senna vencer com a pista molhada. O espectador é direcionado às informações sobre a vida do piloto, que viveu em um meio privilegiado, que falava a língua inglesa fluentemente, que era perspicaz e sagaz com os jornalistas, que desejava a paz pela dedicação que empregava, que acreditava em Deus incondicionalmente, que aprendia com os erros, mas não gostava de comete-los. “Ele é humilde e engrandece nosso Brasil”, diz-se. Senna era ser humano como todo outro. Tinha medo, vencia perigos reais da morte e de se machucar.

“Os pilotos tem os seus limites”, dizia. Percebemos que a entrega pela vitória era tamanho que ao fim de uma corrida, ele ganhou e desmaiou, pelos espasmos musculares excessivos de emoção. “A única coisa que o Brasil em de bom”, o povo dizia. “Dedicação, determinação e competência” era o seu lema. O documentário não aborda outras polêmicas, como um suposto filho perdido e ou a disputa em quais das duas famosas que ele ficou seria realmente a principal. É um filme morno, que relembra o ídolo que Ayrton Senna foi e que criou o bordão “Acelera Ayrton”. “Nunca tinha ido a uma corrida. E foi assim que cheguei. No início do processo, me senti como um forasteiro. O que considero empolgante é a jornada, aprender sobre o tema através de pesquisa e entrevistas, vendo o material de forma nova.”, disse o diretor do longa. Inicialmente, a trama seria ficcional, estrelado por Antônio Banderas, porém a família Senna não concordou. Resumindo é um filme de imagens, colagens que recriam a sensação nostálgica das vitórias do piloto. Muitos não viam as corridas, como eu, mas se emocionavam pelo vitória, pelo música e pelo orgulho de morar em um país com o ídolo que foi eleito, em dezembro de 2009, por seus próprios pares, o melhor piloto de Fórmula-1 de todos os tempos. A eleição foi organizada pela revista inglesa Autosport que consultou 217 pilotos que passaram pela categoria. Concluindo, é um documentário que merece ser visto por aqueles que gostam e por aqueles que não acompanham este esporte. Mesmo com os seus momentos repetitivos, a figura de Senna segura o roteiro. Recomendo.

O Diretor

Vencedor do BAFTA Asif Kapadia é conhecido por seus filmes visualmente surpreendentes. Ele se interessa por explorar a vida de ‘forasteiros’, personagens vivendo em circunstâncias ou paisagens extremas e implacáveis. Seus filmes foram premiados e distribuídos
internacionalmente e mostram como o cinema inglês pode ser versátil e expressivo.

Nascido em Hackney, Londres, em 1972, Kapadia estudou Cinema no Royal College of Art, onde ganhou reconhecimento com seu curtametragem THE SHEEP THIEF (1997), que conta a história de um talentoso menino de rua e da família que o acolhe, tendo sido realizado com atores amadores em Rajasthan, Índia. O filme ganhou muitos prêmios, incluindo o de Segundo Lugar no Festival Internacional de Cinema de Cannes de 1998 (Cinéfoundation), o Grand Prix no Festival Europeu de Curta-Metragens de 1997 em Brest e Melhor Diretor no Festival de Cinema Poitiers de 1997.

O estilo visual distinto de Kapadia continuou com seu primeiro longametragem, UM GUERREIRO SOLITÁRIO, filmado nos desertos de Rajasthan e no Himalaia coberto de neve. UM GUERREIRO SOLITÁRIO foi louvado pela imprensa britânica como ‘épico’ e ‘impressionante’ e ganhou dois prêmios BAFTA por Filme Inglês Revelação do Ano e o Prêmio Carl Foreman por Realização Especial de um Diretor em seu Primeiro Filme. FAR NORTH (2004) estreou no Festival de Cinema de Veneza, baseado em um obscuro conto de Sara Maitland. Kapadia usou a paisagem épica e
brutal ártica para mostrar como desespero e solidão levam uma mulher a ferir a pessoa que ela mais ama.

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