Ficha Técnica

Direção: Neil Burger
Roteiro: Leslie Dixon, baseado na obra de Alan Glynn
Elenco: Bradley Cooper, Robert De Niro, Abbie Cornish, Jennifer Butler, Daniel Breaker.
Fotografia: Jo Willems
Música: Nico Muhly
Figurino: Jenny Gering
Edição: Tracy Adams e Naomi Geraghty
Produção: Leslie Dixon, Ryan Kavanaugh, Scott Kroopf
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Universal Studios, Relativity Media
Duração: 105 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: BOM

A opinião

“Sem limites” invoca o imaginário popular ao abordar uma “suposta” droga com poder de estimular o cérebro de forma hiperbólica. Os efeitos conseguidos são lembranças nítidas e físicas de tudo o que se leu e ou aprendeu. “Não estava chapado, nem elétrico, estava vendo as coisas claramente e eu sabia ao certo o que fazer”, o personagem principal explica. O longa-metragem do diretor Neil Burger imprime inúmeras referências. As explicitas tem elementos do filme “Matrix”, podendo quase considerar o filme em questão uma refilmagem adaptada aos dias atuais.

Em 1999, os irmãos Wachowski inovaram ao tratar a metafísica existencial de que todos os indivíduos podem conseguir o que querem apenas pelo poder de suas mentes. A regra era clara: só acreditar. Para isso acontecer, o protagonista escolhia entre a verdade e a alienação em pílulas coloridas. Se optasse pela primeira, havia expansão do universo individual. Então, os medos e anseios dissipariam-se e a agilidade de aprendizagem era consumida com uma incrível velocidade. Já no de 2011, a pílula mudou. É transparente agora. E as referências implícitas atingem “A origem”, por causa do uso da manipulação de um próprio ser tornando-se outros dentro de um mesmo contexto.

Isso pode ser observado no seu filme anterior “O Ilusionista”. Outro elemento utilizado percebemos logo no inicio quando há inferência ao universo de Charles Bukowski, um bêbado e fracassado – que escreve sobre o lado submundo e humanizado do ser humano. O filme aborda a vida de um jovem escritor em crise – sem perspectivas, Carl Van Loon (Bradley Cooper, de “Se beber não case” e “Esquadrão classe A” – cada vez mais parecido com o ator Christian Bale, de “O Psicopata americano). A nova droga aumenta sua capacidade cerebral de forma exponencial. Conhecida como NZT, as pílulas tecnológicas são controladas por computador para liberar substâncias no corpo na hora marcada.

Com o cérebro turbinado, ele toma Wall Street de assalto e obtém rápido sucesso financeiro e social. O revés acontece quando percebe os perigosos efeitos colaterais que surgem. Ele “recebe” a rapidez. Escreve um livro em quatro dias. Quanto mais vivencia o que o novo “medicamento” tem a oferecer, mais aumenta a necessidade de querer mais. O vicio instaura-se, regulando o seu estado mental. Sem NZT, a concentração esvai-se. A narrativa impulsiona o suspense. Perseguições, espionagem, observações – por imaginações e ou reais – são recorrentes. A camera mostra o efeito da droga, interagindo com o espectador a sua sinestesia. “Aprendi piano em três dias. Sabia sobre tudo. Lembrava plenamente de tudo que tinha lido e aprendido. Todos os medos e vergonhas foram embora.

Tornei-me um homem sem medo”, diz. O roteiro utiliza o recurso dos detalhes para que seja possível a lembrança, aludindo talvez sem querer ao seriado americano “Chuck”. Em um misto de realismo fantástico e ficção cientifica, o argumento fornece convencimento por se embasar em algo concreto e crível como empresas farmacêuticas. Não questionamos o que uma droga pode causar. Vide exctasy, cocaína e a maconha (ilícitas) ou pílulas para dormir, ansiedade, depressão (lícitas controladas) ou remédios para dor de cabeça (liberados). São efeitos comprovados. O protagonista vê nitidamente os detalhes da pessoa que está se comunicando, pesquisa em seu cérebro e processa a informação de forma veloz. Não há limites ao seu crescimento. Ele transforma-se em vários e cada um lembra de algo. É como se a sua mente criasse departamentos. “Toda a sua energia e foco vêm da droga”, diz-se.

O diretor critica, baseado no livro “The Dark Fields” de Alan Glynn, a velocidade do mundo atual. As pessoas necessitam produzir mais e mais. Pensar mais e mais. Não há tempo para analises demoradas. O cérebro precisa estar conectado a gigabytes. Assim, comporta-se como máquinas humanas. O filme possui no elenco um coadjuvante de peso, Robert de Niro. Mas a grande atração é o ator Bradley Cooper. Ele segue a linha da interpretação realista, sendo um dos alunos da escola de atores Actors Studio, em Nova Iorque. Isso explica a sua entrega visceral sem a afetação caricata. Concluindo, um bom filme, que se perde às vezes por incluir informações demais e muitas referências. Extremamente bem feito, dirigido, editado. Vale a pena assistir. Orçamento de 26 milhões de dólares.

O Diretor

Neil Burger nasceu em Connecticut. É um cineasta e roteirista americano, famoso por dirigir e roteirizar o drama O Ilusionista.

Filmografia

2002 – Entrevista com o Assassino
2006 – O Ilusionista
2007 – The Return
2008 – The Lucky Ones
2011 – Sem limites
2012 – Noiva de Frakenstein

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