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Ficha Técnica

Direção: Carlos Adriano
Roteiro: Bernardo Vorobow, Carlos Adriano
Elenco: Charles Silver, Eduardo Morettin, Henrique Lins de Barros, Ismail Xavier, Ken Jacobs, Laurent Mannoni, Nicole Brenez, Paul C. Spehr, Ron Magliozzi, Solange Ferraz de Lima
Fotografia: Carlos Adriano
Montagem: Carlos Adriano
Música: Carlos Adriano, Eduardo Santos Mendes
País: Brasil
Ano: 2010
Duração: 64 minutos

A opinião

“Metáforas visuais”, o diretor avisa na exibição do filme “Santos Dummont…” no Cinema Odeon. Ele agradece a Universidade de São Paulo (USP), que guarda o carretel mutoscópio do documentário em questão. “Mudar a visão da história de Santos Dummont”, continua dizendo. É um caleidoscópio. As imagens retratam detalhes. Um senhor que tira a foto, a Torre Eiffel, imagens da época – de filmes antigos da era inicial do nascimento do cinema, incluindo fotografias. A narrativa busca o elemento didático, já que há narração explicativa, ora tendo textos em um computador portátil – com uma xicara e uma planta, ora tendo imagens de arquivo. Quando se utiliza a união de texto diferenciado do que se fala, há a confusão, porque não se consegue ler uma coisa e escutar outra. Eu, por exemplo, não consigo. “Me chame de Santos”, diz o inventor em uma placa. Os depoimentos incluem curadores de Nova Iorque (Museu de Arte Moderna), Londres, Washington, França, Ken Jacobs (que é um mestre da montagem de imagens antigas com a música). A diretriz deste documentário é a invenção de Santos Dummont, o Mutoscópio: com eletricidade, em 68mm, introduz-se uma ficha, gira-se a manivela, a luz interna se acende e pode ser visto um filme feito de fotografias coladas em sequência num fichário que, ao girar, dá a ilusão do movimento.

O inventor também tem como currículo o avião, que é a transposição da matéria. O arquivo mostra os Irmãos Lumiere, que levam a fama por terem descoberto o cinema, filmando o dirigível de Santos. “Crítico usa a imagem para tirar a explicação”, diz-se. Vamos nos focar na forma como é contada a história. Comporta-se lenta, ingênua e amadora. Entende-se o objetivo, que é utilizar a repetição para aludir ao objeto inventado. São inúmeros repetições: o mesmo filme, a mesma rua, a mesma casa, o mesmo senhor tirando foto, as idas e voltas verticais na torre francesa. O tempo que o espectador suporta é ultrapassado, tornando as mesmas cenas em obviedades. Este projeto foi tese (final) do curso de cinema do diretor. Não há equilíbrio: dados demais (alguns sem importância) e de menos (imagens contempladas). Massifica-se tanto a repetição que podemos decorar. Concluindo, é um filme que busca o vazio para explicar a essência, fazendo um paralelo da máquina digital do agora com a da antiguidade. É chato, possuindo como solução, cortar excessos e deixa-lo como curta.

A Sinopse

Este documentário parte da descoberta e restauração de um desconhecido carretel de fotografias reproduzidas de um filme mutoscópico de 1901, em Londres, sobre Santos Dumont (1873-1932). A obra aborda aspectos históricos e artísticos dos primórdios do cinema (pré-cinema, cinema de atrações) e do cinema de reapropriação de arquivo (found footage, filme de reciclagem), por meio de entrevistas, documentos, metáforas visuais e da própria articulação de um ensaio poético. Transfiguração do documento, monumento à memória do cinema, para o cinema e pelo cinema.

O Diretor

Nasceu em São Paulo, em 1966. Doutor em Cinema pela USP. Seus filmes foram exibidos no MoMA (NY), em Bilbao, Bologna, Chicago, Paris, Roterdam, e retrospectivas nos Festivais do Rio (2002), Locarno (Cineastas do Presente, 2003) e Videobrasil (Cinema + Artes + Vídeo, 2007). Com Bernardo Vorobow, editou os livros Peter Kubelka: A Essência do Cinema e Julio Bressane: CinePoética.

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