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Crítica: O Preço da Traição

Ficha Técnica

Direção: Atom Egoyan
Roteiro: Erin Cressida Wilson
Elenco: Julianne Moore, Liam Neeson, Amanda Seyfried, Max Thieriot, R.H. Thomson, Nina Dobrev, Mishu Vellani, Julie Khaner, Laura DeCarteret, Natalie Lisinska, Tiffany Lyndall-Knight, Meghan Heffern, Arlene Duncan, Kathy Maloney, Rosalba Martinni
Fotografia: Paul Sarossy
Trilha Sonora: Mychael Danna
Produção: Daniel Dubiecki, Tom Pollock, Jason Reitman
Distribuidora: PlayArte
Estúdio: The Montecito Picture Company, Studio Canal
Duração: 99 minutos
País: Canadá/ Estados Unidos/ França
Ano: 2009
COTAÇÃO: ENTRE O REGULAR E O BOM

A opinião

Até que ponto alguém se violenta psicologicamente para vencer a solidão e a carência? Uma prostituta de luxo narra o realismo do seu existencialismo como pessoa. Ela humaniza as suas deficiências e busca ser amada e desejada, com carinho ou não, sendo paga ou não. Acredita que os seus atributos físicos, beleza e juventude, possam garantir um futuro satisfeito e promissor.

“Até onde colocar os meus pensamentos”, diz sobre o domínio que sua profissão faz a ela. As profissões dos outros personagens vão sendo descritas de forma elegante, blasé e com a normalidade de um cotidiano comum, natural e politicamente correto socialmente.

Do mesmo diretor de “Adoração”, aborda a história de Catherine (Julianne Moore) e David (Liam Neeson) – ela uma médica, ele um professor – são à primeira vista, o casal perfeito. Felizes, com um filho adolescente talentoso, eles parecem ter uma vida idílica. Mas, quando David perde um vôo e consequentemente sua festa de aniversário surpresa, Catherine começa a suspeitar do marido. Colocando em cheque a sua fidelidade, ela decide contratar Chloe (Amanda Seyfried, de “Mamma Mia”), uma acompanhante para seduzir David e testar sua lealdade.

As rachaduras começam a aparecer. Marido ausente, supostamente a traindo, um filho rebelde. Há relacionamentos artificiais e superficiais, gastos pelo tempo, delineando a falta de conversa e a omissão sentimental. Isso gera a hipocrisia da convivência. Isso por sua vez gera o costume de permitir que tudo fique em seu lugar. O comodismo da tranquilidade e do equilíbrio.

A simplicidade das imagens simétricas, com sua fotografia clara, demonstra marcas do tempo, rugas e o não retorno em ser jovem. A mulher traida encontra a juventude usando outra mulher, a prostituta que iniciou a narração, para este retorno, para que pudesse resgatar o marido. Uma presilha cai no chão. Ela diz “Não é minha”. A outra responde “Pode ficar”. Ela diz “Não vou ficar com algo que não é meu”, expressa a metafora do querer, de conseguir a qualquer custo.

“Os homens são previsíveis”, diz a acompanhante a cliente. “Quero fazer isso para ver a reação dele”, diz mostrando a imagem por um vidro, que cria outra matafora. De um lado do vidro quando se grita, o outro lado não escuta, abafa o desespero. Os diálogos são realistas e sinceros. “Acha que vai ficar uma cicatriz”, utiliza-se a figura de imagem a fim de expressar que todas as ações geram marcas e ou tombos.

A infidelidade realiza o trabalho ao que está sendo traido de encontrar respostas, deturpa a imaginação, pululando dúvidas. As histórias da prostituta, aparentemente com o seu marido, despertam excitação e desejo na esposa. Os momentos são sensuais e instintivos e descambam para o previsível, óbvio e o clichê mal feito. Há cenas lésbicas, o filho – que aparece sempre com a mesma cueca, cameras lentas. A trama corre, acelera e se perde complemente. O que era para funcionar como drama, transforma-se em comédia pastelão. É uma pena, já que os atores são excelentes. Portanto, esqueça a trama e dê atenção às interpretações e à fotografia.

O Diretor

Atom Egoyan (Cairo, 19 de Julho de 1960) é um cineasta egípcio, naturalizado canadiano, conhecido por diversos filmes que fizeram sucesso, à parceria de Mychael Danna. “Family Viewing” (1987), “The Adjuster” (1991), “Exotica” (1994), “The Sweet Hereafter” (1997), “Felicia’s Journey” (1999), “Ararat” (2002) e “Where the Truth Lies” (2005).

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