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A opinião

A era do petróleo pré-Vargas é o ambiente deste filme realizado durante quase seis semanas, livremente inspirado em fatos e personagens reais. É uma novela com interpretações encenadas. “O Estado forte é um perigo”, diz-se. Aborda a obstinação de um médico, passando ao seu filho e sobrinho, em conseguir equipamentos (uma sonda), com o governo, a fim de perfurar sua fazenda que acredita possuir petróleo. Há imagens de arquivos, realizando, assim a montagem de uma cena a outra. O serviço de geologia, que administra e fornece as licenças, é corrupta como “tentáculos dos trustes internacionais”. Tudo antes da criação da Companhia Nacional do Petróleo. O longa tenta transmitir a mensagem de forma competente, mas peca quando utiliza de camera lenta e musiquinhas para criar sentimentalismos e manipular o entendimento dos espectadores. As interpretações não ajudam, apresentando-se como artificiais, ingênuas e exageradas. “Só pelo progresso. Religião é atraso”, diz sobre a novidade do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Muitas vezes o clichê patético e óbvio impera, mostrando uma inexperiência na direção. “A vida só tem nos ensinado a perder”, outra frase do filme. É chato e perdido na maioria do tempo. Parece ser um comercial da Petrobras, com musiquinhas institucionais e colocações verbais do tipo “A vitória de uma nação é feita de perdas pessoais”. Se pudermos definir o filme em uma frase, poderia ser: ‘Um longa novelesco, superficial e institucional, realizado com uma técnica respeitável, mas sem inovações’.

Notas da Diretora

“Filmes funcionam como um espelho que nos diz o que somos. Espero que com Ouro Negro, uma história tão pouco divulgada, o Brasil seja mais conhecido e também possa se conhecer melhor”

Ficha Técnica

Direção: Isa Albuquerque
Roteiro: Isa Albuquerque, Duba Elia, Diana Nogueira e Ana Lúcia Andrade.
Elenco: Danton Mello, Thiago Fragoso, Luiza Curvo, Maria Ribeiro, Chico Diaz, Odilon Wagner, Mallu Galli, Walter Rosa, Raoni Ferreira e grande elenco.
Produção: Isa Albuquerque
Direção de Fotografia: Juarez Pavelak
Direção de Arte: Alexandre Meyer
Figurino: Rô Nascimento
Produção Executiva: Carlos Salgado e Mariângela Furtado
País: Brasil
Ano: 2008

A Sinopse

A aventura da descoberta do petróleo no Brasil contada por pioneiros idealistas a partir dos anos 10 – uma história de aventura, crimes e paixões.João Martins, 13 anos, terá sua vida marcada pelo sonho do ouro negro ao conviver com o cientista José Gosch ao longo de sua infância em Alagoas. Entre 1910 e 1918, o médico e geólogo alemão radicado no Nordeste beneficia xisto pirobetuminoso e luta para implantar sua Companhia de Petróleo quando é assassinado pelo sócio, em meio a uma trama internacional urdida por Otto Manheimer, um conceituado técnico americano infiltrado no Governo brasileiro. Gosch deixa a mulher viúva, os filhos Pedro e Luísa órfãos e lega o seu sonho para o seu aprendiz João. No segundo ato, João e Pedro se formam na Escola de Engenharia de Minas, em Ouro Preto. Mariana, viúva de Gosch, está muito doente no Rio, amparada pela filha Luísa por quem João se apaixona. Um antigo amor de infância vem dividi-lo: Camila, a filha de um amigo da família, o General Vicente Camargo, um dos homens fortes do Governo Vargas, está casada com Paulo Matos, um herói da aviação brasileira que pretende comprar os estudos sobre a Bacia sedimentar de Alagoas e Sergipe deixados pelo cientista. Paulo Matos é encontrado morto em circunstâncias misteriosas e Camila decide associar-se a João Martins. João e Camila conseguem implantar a nova companhia em meio a um movimento que envolve outros pioneiros como Oscar Cordeiro e Monteiro Lobato. Com a morte de Mariana, Luísa e João se casam. Camila volta para o Rio de Janeiro onde cuida do departamento comercial da empresa e passa a freqüentar a ANL – Aliança Nacional Libertadora, envolvendo-se com o movimento comunista. Neste ínterim Oscar Cordeiro anuncia a descoberta do petróleo na Bahia mesmo enfrentando a oposição e o descrédito de Otto Manheimer. João e Camila são acusados de estelionato por venderem ações da companhia, João é perseguido e preso e a empresa sofre uma devassa. Suas denúncias, como parte da campanha contra o Serviço de Geologia realizada por Monteiro Lobato propiciam o surgimento de uma comissão de inquérito que culmina com a demissão de Manheimer e a implantação de uma nova política para o petróleo brasileiro. João perde a companhia mas o país ganha uma estatal do petróleo em plena era Vargas.

A Diretora

Nascida no Maranhão, Isa Albuquerque tem formação jornalística, é roteirista, produtora, diretora e organizadora de festivais. Realizou vários documentários e telefilmes, entre eles os premiados A Quarta Dimensão de Clarice Lispector (uma das maiores escritoras brasileiras) e O Crepúsculo do Verde, sobre a devastação do meio ambiente.Em 1994, Isa Albuquerque criou a Íris Produções Cinematográficas e em 2000, produziu, dirigiu e foi co-autora do roteiro de Histórias do Olhar, longa-metragem de quatro episódios que recebeu o prêmio especial Tirant Laiffa no Festival de Valência, Espanha (2003), o Prêmio de Público /Festival de Trieste (Itália, 2001) e o prêmio para elenco no Festival de Recife /2001. Em dezembro de 2006 promoveu a primeira edição brasileira do III Festival de Cinema Hispano-Americano na Cinemateca do MAM- RJ. (As duas edições anteriores foram realizadas em Valência, Espanha). Isa Albuquerque é co-autora do roteiro de Ouro Negro juntamente com Duba Elia, Diana Nogueira, Ana Lúcia Andrade.

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