Ondine

Facebook
Twitter
WhatsApp
Pinterest
LinkedIn

Ficha Técnica

Direção: Neil Jordan
Roteiro: Neil Jordan
Atores: Colin Farrell, Alicja Bachleda, Stephen Rea, Tony Curran, Dervla Kirwan
Fotografia: Christopher Doyle
Música: Kjartan Sveinsson
Direção de Arte: Mark Lowry
Figurino: Eimer Ni Mhaoldomhnaigh
Edição: Tony Lawson
Efeitos Especiais: Team Fx
Produção: Ben Browning, James Flynn E Neil Jordan
Estúdio: Wayfare Entertainment / Little Wave Productions / Radio Telefis Éireann / Octagon Films / Irish Film Board
Distribuidora: Paramount Vantage / Imagem Filmes
Duração: 111 Minutos
País: Irlanda / Estados Unidos
Ano: 2010
COTAÇÃO: REGULAR

A opinião

Partindo-se da premissa de que nenhum ser humano é perfeito e que comete erros, poderemos entender melhor o novo trabalho do diretor Neil Jordan. Ele já nos presenteou com excelentes filmes: “Café da manhã em Plutão”, “Entrevista com o vampiro”, “Fim de caso”, “Traídos pelo desejo”, entre outros.

O seu filme anterior “Valente”, entretanto, desvirtua-se desta filmografia de sucesso e descamba ao clichê, que se repete em “Ondine”, uma fábula realista sobre sereias e pescadores, contando a história de Siracusa (Colin Farrell), um simples pescador que, durante mais um dia de trabalho, encontra uma bela mulher presa as suas redes de arrastão. Ela parece morta, mas ganha vida assim que ele se aproxima e uma história cheia de altos e baixos se inicia.É natural e perdoável, pois a maré não está dando peixes para a nova fase do diretor. O detalhe talvez seja a escolha de alguns atores. Colin não convence em sua interpretação, muito menos a “sereia” em destaque. Mas nem tudo está perdido. O espectador poderá absorver a excelente atriz Alison Barry, que faz a filha, Annie, de Siracusa. Com sua curiosidade infantil, vivenciando o estagio maduro por necessidade de ser. Ela precisou de crescimento instantâneo. Isso ocasionou a sua perspicácia e entendimento direto sobre as coisas, buscando a normalidade da sua idade, ilustrando e tentando acreditar na fantasia a fim de se fugir da cruel realidade. Trocam-se os papéis. Os adultos comportam-se de maneira frágil e fraca, mergulhando em deslizes e vícios para mascarar as dores, as decepções e as frustrações.

Neste conto de fadas moderno, nem tudo é o que parece ser. Neil objetiva mudar direcionamentos de quem está do outro lado da tela a medida que se anda com o filme. Mas o que se consegue é o amadorismo, não chega a ser pretensioso, apresenta-se, apenas, com ingenuidade. A parte técnica conduz competentemente o roteiro. A fotografia acinzentada compara-se ao simples cotidiano como um dia sem sol em uma vila de pescadores. Quase não há a luz, projeta-se a superficialidade iluminada, propositalmente. Ao retornar ao elemento interpretativo, há quebra de qualidade. As conversas (diálogos) traduzem-se como perdidos, vazios e melodramáticos. Não há consistência nem no texto, nem nas expressões faciais dos protagonistas. “Não posso morrer duas vezes”, “Mas pode morrer uma vez de verdade”, diz-se entre as muitas frases de efeito que não funcionam, extremamente exageradas, quase falsas. A trilha sonora “navega” no equilíbrio. Ora há musica estilo “Brokeback montain” de ser, ora há Sigur Rós (incluindo um show televisionado) causando o “canto das sereias” ou “mulher foca”. A trama caminha à seguridade, por explorar a diálise de uma personagem, entre tantos comuns, defensivos as suas maneiras e sobrevivendo como podem e ou conseguem. Ambienta-se a estranheza natural. “Um dia estranho”, sobre aqueles dias que se vivencia o surrealismo de um sonho acordado. “Ondine, ela veio do mar”, explica-se.

O gênero romântico aparece com todos os óbvios clássicos deste tipo. “Você me traz sorte”, sobre o milagre dos peixes multiplicados. A chegada da “mulher foca” modifica a vida do pescador e o estimula a acreditar na felicidade e no amor. Como já disse, a garotinha é o melhor parte do filme. Ela humaniza as imperfeições próprias e alheias, definindo com poesia madura o seu próximo, com percepção aguçada e sincera sobre as pessoas e seus comportamentos intrínsecos. “Cada vez mais curioso”, diz com o seu bordão. “Foi o que Alice disse ao coelho branco”, complementa. “Felicidade inesperada”, “Homem da terra”, “Ter vidas incontáveis”, algumas colocações, incluindo “Cada um faz a sua sorte”. Há o politicamente correto “Não é deficiente, mas sim necessidades especiais”. A moral da história é a de que as pessoas acreditam no que querem acreditar. Cada um possui o seu livre arbítrio para decidir o caminho a percorrer, sendo responsável pelos seus próprios atos. Concluindo, o longa tem os seus méritos: a atuação de Alison Barry (a Annie) e a fotografia seca e depressiva, mas não seguram a atenção do espectador que dispersa a maior parte do tempo. O conjunto da obra gera a pobreza verborrágica (reitero o que já disse: excetuando os diálogos de Annie) e o excesso da previsibilidade. Vecendor do IFTA Award nas categorias: Melhor Ator (Colin Farrell), Melhor Atriz (Dervla Kirwa), Melhor Design de Produção (Anna Rackard) e Melhor Sonorização (Brendan Deasy).

O Diretor

Nasceu em Sligo, 25 de fevereiro de 1950, na Irlanda. Formou-se em História da Irlanda e em Literatura Inglesa pela University College de Dublin. Realizou seu primeiro filme em 1982, Angel – o Anjo da Vingança. Em 1992, ganhou o Oscar de Melhor Roteiro por Traídos pelo Desejo e, em 1998, o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim por Nó na Garganta. Conquistou ainda o Leão de Ouro em Veneza por Michael Collins – O Preço da Liberdade (1996).

Fimografia

2007 – Valente
2005 – Café da manhã em Plutão
2003 – Lance de sorte
2000 – Not I
1999 – Fim de caso
1998 – A premonição
1997 – Nó na garganta
1996 – Michael Collins – O preço da liberdade
1994 – Entrevista com o vampiro
1992 – Traídos pelo desejo
1991 – À procura do destino
1989 – Não somos anjos
1988 – O fantasma excêntrico
1986 – Mona Lisa
1984 – A companhia dos lobos
1982 – O anjo da vingança

Posts Relacionados

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *