Ficha Técnica

Direção: Sylvain Chomet
Roteiro: Sylvain Chomet adaptado do roteiro de Jacques Tati.
Vozes: Jean-Claude Donda, Eilidh Rankin, Duncan MacNeil, Raymond Mearns
Música: Sylvain Chomet
Direção de arte: Bjarne Hansen
Produção: Sally Chomet, Bob Last
Distribuidora: Pathé (França e Inglaterra) | PlayArte Filmes (Brasil)
Duração: 90 minutos
País: França/ Inglaterra
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“O Magico” gerou expectativa por causa de prévias informações. É do mesmo diretor, Sylvain Chomet, de “As Bicicletas de Belleville”, uma animação franco-belga-canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme de animação em 2004. Foi Indicado a Melhor Animação do Globo de Ouro deste ano e ao Annie (Oscar das animações) de Filme, Diretor, Roteiro, Música e Desenho de Personagem. Para complementar, Sylvain adaptou um roteiro de Jacques Tati, de “Meu tio”. É um longa sem a necessidade de diálogos, então a falta de legendas. Ambienta o universo de Tati, que humaniza ações e reações detalhistas, assim há o respeito pelo tempo do acontecimento real. Utilizando um misto de 2D com 3D, apresenta ao espectador uma experiência sensorial pelo fato de fornecer o cotidiano como material bruto. Os quereres, os medos, os anseios, as angústias e as regras sociais dos seus personagens são conduzidas à emoção natural. Mesmo com acompanhamento quase totalitário da música nas cenas, o filme não tende ao melodrama, porque dosa com competência o tempo que se precisa a fim de construir cada etapa da trama.

A mágica ilusionista e tradicional de Tatischeff está em decadência. Ele passa por várias cidades tentando sobreviver tirando coelho da cartola, fazendo brotar buquês de flores, descobrindo moedas atrás de orelhas de crianças. Sua glória, no entanto, é roubada por estrelas do rock e pelas novidades mostradas pela TV. Diante dessa nova realidade, o mágico se vê forçado a aceitar tarefas cada vez mais obscuras, como se apresentar em bares falidos e festas. Numa dessas apresentações pouco inspiradoras, conhece uma jovem fã, Alice, que vai mudar sua vida para sempre. É um longa sobre esperanças e sobre o desejo passional – e puro – de se envolver com alguém. Alice apaixona-se pelo o que o mágico é, na verdade. Mas o ilusionista – vivenciando o fracasso do seu tempo – conflita-se com a mudança que permite experimentar. Assim as situações tangenciam ao sofrimento e a novos rumos. A animação é plasticamente incrível, conservando o mundo criado por Tati – o homenageando, metalinguisticamente, em tela de cinema (com imagem real de uma cena de um de seus filmes).

A mensagem que se deseja transmitir é a falta de sintonia do tempo. O mágico já viveu a novidade, e hoje só encontra a resignação. A jovem fã deslumbra-se em uma nova vida, mas só encontra a solidão, o descaso e incompreensão. A simetria coordenada das ações desenha o equilíbrio narrativo, porém são acrescentadas silepses temporais. Este recurso traduz a sensação de se estar assistindo instantes perdidos dentro de pessoas, que vivem as inerências e individualismos, criando defesas para não mostrar o que são realmente. O final pode ser entendido como desolador, mas também como libertador, que salva do senso comum e dá vida à alma esquecida dentro do próprio ser. Concluindo, um filme interessante, com uma fotografia animada extremamente interessante, plástica. Uma narrativa de espera ao próximo passo. A música rasga a cena e insere emoção. Mesmo com todos os atributos positivos, o longa é morno e caricato, perdendo a mão por exceder nos elementos diferenciais.

O Diretor

Sylvain Chomet nasceu em Maisons-Lafitte, França, em 10 de novembro de 1963, e vive em Edimburgo. Estudou Artes Visuais em Angoulême. Seu primeiro gibi foi escrito em 1986. Seu primeiro trabalho como animador foi no estúdio de Richard Purdum em Londres, mais tarde abrindo sua própria produtora. Em 1998, seu primeiro curta-metragem, A Velha Dama e os Pombos, foi indicado a um Oscar, assim como seu primeiro longa-metragem, As Bicicletas de Belleville, em 2004. Também dirigiu um dos episódios do filme Paris, Te Amo, (2006).

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