Ficha Técnica

Direção: Lírio Ferreira
Roteiro: Lírio Ferreira
Produção: Denise Dummont
Fotografia: Walter Carvalho
Trilha Sonora: Guto Graça Mello
Som: Waldir Xavier
Montagem: Mair Tavares
Produção: Good Juju
Distribuidora: Filmes do Estação
Duração: 106 min
País: Brasil
Ano: 2008
COTAÇÃO: ENTRE O MUITO BOM E O BOM

A opinião

A metáfora da mistura entre imagem (simetria) e música (ritmo), não necessariamente na ordem de apresentação, porém com muitas recorrências, apresenta a história de Humberto Teixeira, “o doutor do baião”, por sua filha, Denise Dummont, que busca descobrir quem foi realmente seu pai. “Não sei se é bom saber de tudo. Às vezes é até bom não saber para sobreviver”, diz-se.

“O documentário musical” expressa-se como uma história de cordel, com suas ilustrações nordestinas típicas, e explica o que é o baião, quem foi Humberto, qual a importância na música brasileira, descreve os costumes e gostos do local onde vivia. Descorre sobre a Rabeca (violino que lembra a sanfona), sobre o Balancê (ritmo do baião com tempo quebrado), sobre guizado, sobre o baião em japonês e em inglês e sobre a chegada da bossa nova, quando o baião e Humberto Teixeira afundaram-se na obscuridade.

Humberto Teixeira, letrista (triste e enternecido) e poeta (observador e humanizador dos sofrimentos da alma humana), pensador e articulador de idéias, advogado e político (deputado federal pelo Ceará e criador das leis de direito autoral), “que nasceu para viver solteiro”, que possui uma rodovia no Ceará, é documentado por entrevistas e músicas de Gilberto Gil, Zeca Pagodinho, Caetano Veloso “fiz a música Terra para ele”, Lenine, Gal Costa, Fagner, Sivuca, Amália Alves, Otto “Luiz Gonzaga já veio Elvis”, Muniz Sodré, Pedro Bandeira, Maria Bethânia, David Byrne, Lirinha, Cordel do Fogo Encantado, Alselmo Duarte, Daniel Filho, Chico Buarque, Dalva de Oliveira, Forró in the Dark, Bebel Gilberto, João Gilberto, Cego Oliveira, Os Mutantes, Elba Ramalho, Alceu Valença, Raul Seixas e outros. “Humberto planta e dança”, diz-se.

“O baião tem três ou quatro séculos, talvez a música mais típica brasileira”, diz-se. A camera conduz e inova em enquadramentos ingênuos e competentes e comporta-se pela visão do espectador. “Caboclo de cara larga”, descreve Luiz Gonzaga, com quem trabalhou em muitas músicas. E complementa “Havia a necessidade de urbanizar o baião com características nacionais. Era uma resposta à invasão de ritmos pós-guerra. Não são erros de português, é como o povo fala corretamente”. Sobre a poesia do surreal dizia que engarrafava brumas coloridas e colecionava arco-íris.

A fotografia, de Walter Carvalho, granulada do calor abafado do solo do nordeste e desfocada é sensacional. As imagens de arquivo de guerra, de Fortaleza dos Anos 20, do Rio de Janeiro, de Nova Iorque. Uma dessas referências é o filme de Woody Allen ‘A era do rádio’.

O longa é recheado de frases. “O Nordeste é assim: ou desce para São Pedro, ou sobe para São Paulo”, “O baião era o videoclipe da época” e “O cearense muda apenas o local da rede”. E termina dizendo “Busco um mundo sem ‘ismos’, sem seca e com paz”.

A conclusão e de ser um filme de terapia regressiva da filha. Autoral e amador. Ela resolveu expurgar os demônios da falta de conhecimento e embrenhar-se em uma jornada de catarse pelo autor de Asa Branca, segunda canção mais popular no Brasil. O acervo documental e histórico é extremamente interessante. Porém é cansativo em alguns momentos.

Vencedor de Melhor Roteiro, Som e prêmio Oscarito, da Câmara Municipal de Fortaleza, no 19º Cine Ceará, realizado em julho de 2009.

Vale a pena ser visto. Aguarde até o final dos créditos do filme. Há novidades. Recomendo.

O Diretor

Co-diretor de Baile perfumado (1996), realizado em parceria com o conterrâneo Paulo Caldas, biografia de Benjamim Abrahão, único fotógrafo e cinegrafista que fez registros do cangaceiro Lampião e seu bando. Premiado em Brasília, o filme é considerado uma das revelações da geração de cineastas brasileiros surgida em meados dos anos 1990.

Pernambucano radicado no Rio de Janeiro, tem em sua filmografia os curtas O crime da imagem (1994), That`s a lero lero (1995), e Assombrações do Recife Velho (2000), em co-direção com Cláudio Barroso e Adelina Pontual, além do roteiro do curta Chá (1994), do amigo Paulo Caldas. Dirigiu e roteirizou videoclipes para vários artistas.

Em 2005, Árido movie, o seu segundo longa-metragem, foi selecionado para a mostra Horizontes do Festival de Veneza e estreou no Brasil no Festival do Rio. No ano seguinte, o filme participou do 10º Cine PE, onde ganhou os prêmios de melhor filme, direção, ator coadjuvante (Selton Mello), fotografia, montagem e o prêmio da crítica, além de, no 10º Festival de Miami, ter ganhado o prêmio de melhor direção. Seus próximos projetos são a cine-biografia Cartola e o documentário-musical O homem que engarrafava nuvens, sobre a vida e a obra do compositor, advogado, deputado federal e criador das leis de direito autoral, Humberto Teixeira, também conhecido como “O Doutor do Baião” por ser o autor de clássicos populares como Asa Branca.

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