Ficha Técnica

Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Harris, Roman Polanski
Elenco: Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Eli Wallach, Kim Cattrall, Olivia Williams, Tom Wilkinson, James Belushi, Timothy Hutton, Jon Bernthal, Robert Pugh, Daphne Alexander, Jaymes Butler
Fotografia: Pawel Edelman
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Direção de arte: Cornelia Ott, David Scheunemann e Steve Summersgill
Figurino: Dinah Collin
Edição:Hervé de Luze
Efeitos especiais:Scanline VFX
Produção: Robert Benmussa
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: France 2 Cinéma, RP Films, Elfte Babelsberg Film
Duração: 128 minutos
País: Estados Unidos / Alemanha
Ano: 2010
COTAÇÃO: MUITO BOM

A opinião

O diretor Roman Polanski está de volta com o seu novo filme “The Ghost Writer”, que no Brasil adotou a tradução “Um Escritor Fantasma”, visando um título mais comercial. Mas não é um filme de terror, e sim de suspense. Há espionagem, dúvidas, mocinhos, bandidos, perseguições, carros transferidos por uma barca de uma ilha por quarenta dólares. Logo no início o espectador já sente a atmosfera da trama. Estranha e sem respostas.

Um ghost writer (pessoa que escreve textos e livros que são assinados por outros), vivido por Ewan McGregor, é contratado para completar as memórias de Adam Lang (Pierce Brosnan), primeiro-ministro da Inglaterra. O personagem acaba descobrindo segredos sobre uma conspiração mundial que colocam a própria vida em perigo. Baseado em um livro homônimo de Robert Harris, quem também assina o roteiro.

Os elementos, simétricos e concatenados, da história apresentada: assassinato, ciúmes, corrupção, fraqueza moral, bodes expiatórios, emboscadas, farol, ilha, chuva, lugares soturnos, escuros e vazios, o desconhecido, falsas acusações, moralidade ambígua e relativa, com a máxima que os fins justificam o meios, tudo infere a um estilo noir colorido. É um quebra-cabeça. Os expectadores são manipulados, perdidos e que obtêm respostas pela percepção do personagem principal, que nada mais é que uma marionete de todos os outros.

Os diálogos irônicos e ingênuos, excessivos ou omissos, confundem. “Quem lê memórias políticas? Coração, é o que vende autobiografias”, diz o escritor não percebendo a enganação. “Você é inglês? Nada melhor que inflexões britânicas corretas no livro”, ironiza-se sutilmente, de forma natural, sem querer fazer graça. “A aliança é grande demais”, diz-se com metáforas. “Palavras estão na ordem errada”, sobre metalinguagem.

As cenas e diálogos possuem os efeitos, com silêncios projetados no tempo certo. Os enquadramentos de camera são comuns , não há novidades experimentais. O roteiro é o grande personagem, que faz de quem está assistindo, do outro lado da cadeira no cinema, participar observando. Não há prévias informações. O espectador é o próprio escritor. Quando ele descobre algo, a plateia descobre. Quando ele é enganado, o público também é. “Os lobos vão atacar”, diz, enquanto o que se filma no momento é o que aparece na televisão.

É um filme livro. Um longa que se lê em imagens. As ações do protagonista estão monitoradas. Todos sabem para qual lugar ir, menos ele e o espectador. “Perder o controle da minha vida”, diz-se e avança-se sexualmente. O Ghost Writer é ingênuo, não percebe o que acontece a sua volta. Nem nós. Os diálogos apresentam-se superficiais, focando a necessidade da omissão. À princípio bobo e confuso. Mais adiante, o propósito é entendido.

O jogo acrescenta novas peças, reviravoltas. “Está doente? Não, envelhecendo. Aqui é Shangri-La ao contrário (lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, que o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde)”, diz-se. Exacerba com o sarcasmo dos diálogos “Se vierem terroristas, mando um torpedo (de celular)”.

“Típico de Mike (ex-ghost writer), destruir uma história por pesquisar demais”, alfineta o próprio roteirista. Há teatro e manipulação de todos. Até mesmo do Google. “O pudor da manhã seguinte”, sinceridade sobre a transa infiel.

Escritores fantasmas não podem existir. Eles escrevem uma história para que outra pessoa leve o nome e a fama. Eles necessitam descobrir o que é conveniente ao interessado. Alguma informação a mais pode ser prejudicial. O ante final fornece entendimento sobre a trama. O final concretiza o talento do diretor. Vale muito a pena ser visto. Recomendo.

O Diretor

“Cada filme que eu faço representa um afastamento para mim. Eu levo tanto tempo para produzir um filme, que quando começo o próximo, já sou um homem diferente.” (Roman Polanski)

“Aos olhos de muitas pessoas, eu passo por uma espécie de gnomo e de depravado, mas meus amigos, e as mulheres de minha vida, sabem ao que se ater”, escreveu, em 1984, em sua autobiografia “Roman”.

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