Ficha Técnica

Direção: Mark Romanek
Roteiro: Alex Garland, baseado no livro de Kazuo Ishiguro
Elenco: Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrew Garfield, Sally Hawkins, Charlotte Rampling, John Gillespie, Ella Purnell, Robert Harrison O’Neil
Fotografia: Adam Kimmel
Música: Rachel Portman
Direção de arte: Paul Cripps
Figurino: Rachael Fleming e Steven Noble
Edição: Barney Pilling
Produção: Alex Garland, Allon Reich
Duração: 107 minutos
País: Reino Unido, Estados Unidos
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O REGULAR E O BOM

A opinião

“Não me Abandone Jamais” discute o tema de órfãos serem criados para funcionar de doadores a outros. O roteiro opta pela ideia da utopia e do surrealismo. Ruth (Keira Knightley), Tommy (Andrew Garfield) e Kathy (Carey Mulligan) cresceram juntos em um internato cheio de disciplinas rígidas nas questões da alimentação e na manutenção do corpo saudável. Criados, praticamente, sem contato com o mundo exterior na misteriosa escola, os três sempre foram muito unidos, mas uma revelação surpreendente sobre doação de órgãos e o objetivo de suas vidas pode mudar o rumo da história. Ainda mais pelo clima de romance entre Ruth (Keira) e Tommy (Andrew) incomodar cada vez mais Kathy (Carey), que se sente traída. Baseado no livro “Never Let Me Go” de Kazuo Ishiguro, a trama levanta questões polêmicas. A vertente escolhida para a narrativa foi a teatral, com movimentos e ações simétricas e concatenadas. Com isso, o filme equilibra-se entre o aprofundamento da história e a indicação proposital de estar sendo encenado. Apresenta-se como uma fábula moderna, nostálgica e atemporal, gerando um filme novela e ou um filme livro. “Médicos que podem curar o incurável”, inicia-se. A narração de Kathy dá seguimento explicativo aos acontecimentos de assistentes e doadores.

A digressão ao passado acontece logo, tendo o inicio como uma prévia do final. A fotografia busca lembranças. As memórias possuem cores secas, amadeiradas, básicas. Assim como sua camera, que é sóbria e austera, assemelhando a características sociais da Inglaterra. No lugar onde vivem, as regras são rígidas e amedrontam. A cerca limite causa medo e mitiga a vontade de transpassa-la. Inevitável não inferir ao filme “A vila”. Eles recebem pouco. Mas este pouco faz a alegria como bonecas quebradas e uma fita cassete de Judy Bridgewater cantando “Never let me go”, do álbum “songs after dark”. A imagem bucólica também não aproxima o espectador. O desejo é afasta-lo daquele mundo. “Se aprendesse a se controlar, não o provocariam”, diz-se. Em um ambiente com muitas crianças crescendo, a crueldade entre eles é aceitável, com picardias psicológicas e físicas. Eles são conduzidos a uma vida “suposta” comum. Provocam-se, brincam, interpretam papeis em teatros improvisados e fazem sexo. Quando uma tutora diferente, que deseja mostrar a essas criaturas qual o seus objetivos de “uma vida pré estabelecida”, a direção do local manifesta-se contra a “subversão”. Eles não se consideram humanos. São cópias de outras pessoas originais. Manipulam futuros e impedem desejos maiores. Quando a idade permitida chega, eles são encaminhados aos Centros de Doação.

Muitos passam por várias doações até morrerem. “Já me acostumei com as perdas”, diz-se. A “ética da doação” que aprendem o tornam em marionetes sociais. Joguetes para que outras pessoas possam usufruir de seus órgãos. Há morbidez suavizada. O que incomoda no filme não é a falta de explicação sobre o porquê de tudo isso. Mas a quantidade de informação que é jogada em um período, tendo outro sem nenhuma. Não há equilíbrio para os novos elementos cênicos. A interpretação é um quesito complicador. A dos jovens não convence. Já a da Charlotte Rampling está satisfatória. Um longa com altos e baixos, com muitas falhas, explicações rápidas ou demoradas demais. Concluindo, um filme regular que utiliza um argumento incrível e é uma pena ter sido tão amadoramente trabalhado. Eleito pela revista Time um dos melhores filmes de 2010. A atriz Carey Mulligan teve que fazer um curso intensivo para aprender a dirigir, mas foi reprovada nos testes, obrigando a produção a rodar as cenas numa estrada particular para que ela pudesse ficar ao volante. Rodado inteiramente na Escócia e Inglaterra, no Reino Unido. No filme, as cenas que parecem ser na costa de Norfolk, na costa leste da Inglaterra, foram rodadas nas cidades de Clevedon e Weston-super-Mare, que ficam na costa oeste do país. Vencedor de Melhor Atriz (Mullingan) e indicado a Filme, Diretor, Roteiro, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante do British Independent Film Awards.

O Diretor

Mark Romanek (nascido em 18 de setembro de 1959) é um diretor de vídeos estado-unidense premiado que também seguiu para dirigir filmes teatrais. Dirigiu o Clipe Cant Stop dos Chili Peppers que foi (segundo a MTV Alemã) o segundo melhor clipe de todos os tempos, ficando atras apenas de Michael Jackson. Do mesmo diretor de Retratos de Uma Obsessão.

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