Mocidade Independente
Revolução ou Revolta?
Por Vitor Velloso
Durante o CineOP 2020
O curta-metragem “Mocidade Independente”, de Nelson Motta, faz parte da “Mostra Histórica”, com curadoria de Francis Vogner dos Reis e é um retrato particular do início dos 80. Uma espécie de esquizofrenia coletiva, com nomes nada ortodoxos à sua frente: Jorge Mautner, Raul Seixas, Blitz, Gang 90 & Absurdetes etc. O teor destrutivo de uma linguagem que não tinha nem se estruturado direito, um fulgor próprio dessa juventude que já compreendia em seu papel formal uma luta política imediata, sem nunca seccionar suas características dessas relações intrínsecas à precariedade desse país subdesenvolvido. Mas alegre.
Em “Mocidade Independente”, as canções entrecortadas, os fragmentos que são despejados na tela, tudo isso consome a própria imagem em tom elíptico de apocalipse, da guitarra elétrica à psicodélicos. São recortes curtos, dessas filmagens, que acabam compondo uma obra que não pode ser compreendida em si, mas a partir de si. Pois está situada em algo de maior complexidade, de conscientização programática de uma demanda política, industrial e mercadológica. As performances e as canções, dão o teor daquilo que viria a nortear os anos 80, que ansiava por uma reabertura e por reverberações da forma como um rompimento constante.
Hoje, em 2020, é possível olhar para esse momento histórico e compreender que grande parte das pautas colocadas ali, filhas de 68, foram cumpridas de acordo com os interesses da burguesia, que fez parte dessa “revolução” do final de 60. Revolução cultural foi uma farsa para o mercado conceber suas estruturas particulares, em totalidade com a mídia, para que essas demandas fossem cumpridas, sem que houvesse deturpação dessa mentalidade da burguesia. Logo, uma parte desses remanescentes da década de 80, envolvidos diretamente com “Mocidade Independente”, tornaram-se reacionários. Mas isso é discussão para outro momento.
O fato é: A TVDO foi um rompimento absolutamente brutal, e necessário, com a estética daquele momento, visando suas reverberações políticas dentro desse campo formal. Algo revolucionário, para aquele momento.