Lua Nova

Metáforas do crescimento

Por Julhia Quadros

O curta metragem “Lua Nova” (2015), dirigido por Andrea Prado tematiza a relação entre uma mãe (Patrícia Niedermeier) e uma filha (Jolie Derzett, filha de Cavi Borges) e o crescimento, de uma forma bastante sensível, através da metáfora da ilha como lar e segurança pessoal, abordando conceitos como relação entre mãe e filha, morte, puberdade e família. Na obra, as duas personagens dialogam, convivem, dançam e interagem com o espaço de modo a evidenciar a comparação entre a natureza, a mudança de ciclos, as fases da lua, as ondas do mar e o crescimento de uma pessoa, principalmente, de uma mulher, em que uma filha aprende sobre a vida com uma mãe. Ao olhar para o céu, há uma metáfora sobre projetar o futuro, sonhos e desejos distantes, em que a menina deseja se comparar a um planeta, não a uma estrela, denotando um desejo pela fixidez e concretude da vida nos tempos futuros.

Há uma beleza na sequência da dança, em que ambas executam passos em meio às ondas sob a luz do sol. A fotografia em preto e branco, de Vinicius Brum, favorece, com a iluminação, a brancura dos vestidos das duas, que passeiam entre as águas e brincam uma com a outra. Quando a menina encontra um peixe morto e o enterra junto com a mãe, há a consciência da morte por parte da menina e, principalmente com a ajuda de sua mentora, subentende-se que esta acompanha o que aquela estava descobrindo, sobre o fim e as intempéries da vida; a criança repete o gesto no cemitério, colocando flores sobre os túmulos, como havia feito antes com as conchas sobre o peixe na areia.

Quando a menina chega à puberdade, o que no filme se dá através de sua primeira menstruação, ela se assusta e teme pelo futuro e por seu estado. Quando a mãe a enterra sozinha na areia, há uma alegoria para a passagem para a vida adulta e consciência dos próprios medos ao amadurecer, representados pelos caranguejos, que circundam a jovem e pelo desaparecimento da progenitora. O fim da obra trata de enfrentamento das adversidades e ver-se só diante de um futuro em que a pessoa precisa se construir enquanto sujeito. A jovem, que já não é mais a filha, apenas, mas um indivíduo com sonhos e conquistas pela frente, a princípio teme as mudanças e a separação de sua mãe, angustiada e desamparada, porém com o tempo se acostuma e aprende a amar sua liberdade e a olhar para todas as possibilidades que tem pela frente.

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