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Georges Méliès | Diretor

O mágico do cinema

Por Fabricio Duque

“A ele devo tudo”, frase de D. W. Griffith, um dos grandes diretores de cinema, ao mestre do ilusionismo cinematográfico, Georges Mélies, considerado “o pai dos efeitos especiais”, título que recebeu pela engenharia das imagens utilizadas em seus mais de quinhentos curtas-metragens (555 na verdade), no período de 1896 a 1913. Mélies estava presente na plateia que assistiu, em 28 de dezembro de 1895, aos Irmãos Lumière apresentarem a primeira projeção de um filme na história. “O alquimista da luz”, outro título que o precursor do cinema recebeu de Charles Chaplin.

“Tudo começou quando o cineasta ganhou um protótipo criado pelo cinematógrafo inglês Robert William Paul e ficou tão entusiasmado com o mesmo, que saía filmando cenas do cotidiano em Paris. Um dia a própria “câmara” parou de repente, mas as pessoas não paravam de se mexer e quando ele voltou a filmar, a ação feita na filmagem era diferente da ação que ele estava filmando. A esta trucagem ele deu o nome de stop-action; criou várias outras como perspectiva forçada, múltiplas exposições ou filmagens em alta e baixa velocidade”, texto, encontrado na internet, que explica o instante exato da “descoberta” do cinema.

Um de seus filmes mais conhecidos foi “Le voyage dans la lune” (Viagem à lua) de 1902, em que usou técnicas de dupla exposição do filme para obter efeitos especiais inovadores para a época. É dele também a coloração dos filmes, já que “pintava” fotograma por fotograma. Mélies era um visionário, extremamente atual. Suas obras podem gerar risadas pelos efeitos especiais “toscos” (era o que se podia conseguir no início de um século), pelos truques mágicos e surreais, pelo “cabelo” nas axilas das mulheres e pela extremada narrativa teatral. Há também uma crítica acirrada à religião por introduzir “diabinhos” personificados em figuras esdrúxulas, remetendo a quem assiste a “Barca do Inferno” e “Moby Dick”.

Eram filmes que objetivavam a diversão popular e traduziam um amor incondicional pela imagem em movimento. A época fez o “delírio” de um homem ser possível a transformação na realidade visual de uma tela de cinema, eternizando instantes em fotogramas. Só quem é cinéfilo entende. Georges Méliès (1861-1938) foi desenhista, mágico, diretor de teatro, decorador, ator, técnico, produtor-diretor-distribuidor de mais de 500 filmes entre 1896 e 1912. Durante quase vinte anos, Méliès reinou como mestre absoluto sobre o mundo da fantasia e dos truques cinematográficos.

Sua contribuição para a Sétima Arte é essencial, porque ele abre à cinematografia, então nascente e quase exclusivamente documentária, as portas do sonho, da magia, da ficção. Méliès realiza um ato fundador ao unir o universo de Robert-Houdin à cronofotografia ou cinematografia de Marey e dos irmãos Lumière. Recentemente, o público pôde conhecer um pouco mais da história de Méliès com o filme A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, Estados Unidos, 2011), de Martin Scorsese – obra que conquistou cinco Oscars neste ano. A referência ao cineasta também pode ser notada em diversas outras esferas artísticas. É o caso do videoclipe Tonight, Tonight (1996), da banda de rock norte-americana The Smashing Pumpkins, totalmente baseado em Viagem à Lua. Além do grande sucesso, o trabalho conquistou o prêmio de melhor videoclipe daquele ano no MTV Video Music Awards.

E a Maison de France também. No último dia 20, deste mês de agosto, os espectadores puderam mergulhar nas produções mais importantes do cinema mudo com o Cine-concerto Georges Méliès pelo pianista Martin Münch, exibindo em cópias restauradas, L’Homme à la tete en caoutchouc (1901) 3´ Dislocation mystérieuse (1901) 2´ Cake-walk infernal (1903) 5´´ Le Mélomane (1903) 2´ Le Diable noir (1904) 4´ Les cartes vivantes (1905) 5´ Barbe bleue (1901) 10´ Le Royaume des fées (1903) 16´ Quat’cent farces du Diable (1906) 17´ Le Voyage dans la Lune (1902) 14´ Voyage à travers l´impossible (1904) 24´. Fantástico e necessário.

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Georges Méliès, o mágico do cinema no Instituto da Imagem e do Som

O MIS apresenta a exposição Georges Méliès, o mágico do cinema. Inédita no Brasil, a mostra remonta, através de seis diferentes seções, a trajetória do artista e suas invenções revolucionárias na Sétima Arte. Produzida pela Cinemateca Francesa, a exposição exibe uma coleção única no mundo proveniente de duas fontes: a reunida desde 1936, na própria Cinemateca; e a herdada por sua neta, Madeleine Malthête-Méliès, que foi adquirida em 2004 pelo Centro Nacional de Filme, com o apoio do Fundo Patrimônio do Ministério da Cultura.

Conhecido como o pai dos efeitos especiais, Georges Méliès (1861-1938), atuava como mágico, diretor teatral, cenógrafo, ator, técnico e produtor. Durante sua trajetória profissional, também foi distribuidor de mais de 500 filmes entre os anos de 1896 e 1912. Na mostra do MIS, sua vida e carreira revisitadas, com objetos, cartazes, desenhos, figurinos, fotografias e documentos originais do artista.

Através das seções Méliès mágico; Méliès mágico e cineasta; O estúdio Méliès; O universo fantástico de Méliès; A Viagem à Lua; e Fim a mostra apresenta a vida e carreira do cineasta, reunindo objetos, cartazes, desenhos, figurinos, fotografias e documentos originais do artista. Georges Méliès, o mágico do cinema ainda conta com uma instalação exclusiva onde será possível criar filmes em stop motion com cenários baseados nas obras do cineasta.

Completando a exposição, o Museu ainda realizará projeções de onze de seus filmes em algumas das paredes. A obra-prima de Georges Méliès, Viagem à Lua (1902), será exibida dentro de uma nave espacial inspirada no filme, criada com exclusividade pelo MIS.

Instalação Méliès

O MIS concebeu, especialmente para acompanhar a exposição, a Instalação Méliès, uma obra interativa na qual grupos de até oito pessoas poderão criar filmes de até 30 segundos em meio aos cenários móveis que compõem essa instalação. Serão disponibilizadas quatro narrativas e cenários para escolha dos participantes: De volta à pré-história; Exploração do espaço; A chegada do submarino; e Movimento planetário.

O trabalho, desenvolvido para o Espaço Redondo do Museu pela artista Letícia Ramos, permite uma experiência de imersão no mundo mágico do cineasta e ilusionista francês. A partir da escolha de uma narrativa, será possível manipular recursos cenográficos e efeitos especiais como o aparecimento e desaparecimento de objetos e pessoas e a mudança de tamanho de elementos da narrativa, semelhantes aos truques utilizados por Meliès em seus filmes. Para conhecer melhor o projeto e marcar sua visita, acesse nosso hot site: melies.mis-sp.org.br

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