Depois da Chuva

A água que transforma

Por Chris Raphael

Festival Cavídeo em Berlim

“Depois da Chuva” transborda uma nova vida. A rotina será transformada e tudo estará aguado com pingos gelados despendidos das nuvens. Nenhuma mágoa guardada pode resistir às lágrimas do céu. E as dores são transmutadas em partes sofríveis de uma questão qualquer.

É um curta-metragem realizado com recursos do 5°festival Ver e Fazer -Edição Usina Criativa de Cinema, promovido em cidades que compõem o Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais. Foi produzido pela Cavideo em 2017. Dirigido por Cavi Borges, o roteiro é de Patricia Niedermeier, que atua no filme como protagonista.

A película represente um dia na vida da personagem principal, com revelações primárias  de sua personalidade, feitas pela própria. É possível traçar um perfil de sua índole, antes e depois da chuva. As revelações são relatadas diretamente, como em uma sessão de análise; o público empresta o ouvido e os lamentos, as angústias, as descobertas e as lembranças são trazidas à tona como em uma enxurrada, são restos de tudo boiando,  arrastado pelo temporal. E estando à mostra, não se trata de expiação e sim de remição. Libertar-se do que quer que esteja sufocando e tornar-se o que deseja ser.

“Depois da Chuva”, a alma está lavada e enxaguada, os problemas estão escorrido e secando no varal da vida. Depois da chuva, o risco de alegria é crescente e volumoso. Depois da chuva, recomeça o tempo, ressurge o caminho, reacende a claridade óbvia do dia óbvio. Depois da chuva, em meio a umidade, a vida brota de fato, as flores crescem, o vento sopra, os pássaros cantam suas canções de bem aventuranças Depois da chuva, os medos estão superados, o calor está dissipado e a aridez das verdades perde a força. Depois da chuva, o contato com a vida que continua está restabelecido. Definitivamente.

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