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Crítica: A Viagem
A Viagem é a maior “viagem”


Por Fabricio Duque

“A Viagem”, traduzida do original Cloud Atlas, integra-se como o mais recente filme do diretor alemão Tom Tykwer, famoso pelo filme cult “Corra, Lola, Corra”, além de “3”, “Paraíso”, “Perfume” e ainda por ter colaborado no roteiro de “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino. O longa-metragem é longo, quase três horas de duração, e apresenta-se como conceito de filme “odisseia”, sendo adaptado do romance homônimo de David Mitchell. Em um primeiro momento, a estrutura narrativa dificulta a percepção dos elementos simbólicos e metafóricos, porque intercala épocas – passado, presente, futuro – em escala ágil e verborrágica, quase como um videoclipe de internet. Ao longo da trama, são fornecidos elementos (detalhes) que ajudam a compor o quebra-cabeça. Mas a confusão permanece e a quantidade de informações, com o intuito de explicar, desperta cansaço por parte do espectador. Se retirarmos o clichê de um filme comercial, então o que sobra é o conteúdo com tendências à metalinguagem religiosa de auto-ajuda, com pinceladas de manipulação da alta nata da sociedade – de quem se encontra no poder. Despertando a filosofia, entenderemos que o “problema” social sempre ocorreu e sempre ocorrerá e que o ser humano cometerá as mesmas ações, já que “a vida não o pertence”, que mesmo vivendo inúmeras vidas (conceito da reencarnação), o que está escrito será feito. Maktub. Que uma personagem (podendo ser a mesma e ou outra em diferentes momentos) terá o livre-arbítrio da escolha, mas a regra de “fim de jogo” se decretará logo no início da trajetória. Mas continuo apertando na mesma tecla: não havia necessidade de tanto tempo e de tanta fragmentação na narrativa, mesmo invocando a Teoria do Caos e das possibilidades de comportamento individual. Tykwer escalou um elenco de famosos hollywoodianos – incluindo ator inglês e atriz coreana, destaque para Tom Hanks (“Náufrago”, “Forrest Gump”), Halle Berry (“X-Men”, “Mulher-Gato”, “A Senha Swordfish”), Jim Broadbent (“Dama de Ferro”, “Mais um Ano”), Hugo Weaving (“O Senhor dos Anéis”, “Priscilla, A Rainha do Deserto, “Matrix”), Jim Sturgess (“Across The Universe”, “Um Dia”), Doona Bae (“Boneca Inflável”, “O Hospedeiro”, “Mr. Vingança”), Ben Whishaw (“007 Skyfall”, “O Brilho de Uma Paixão”, “Não Estou Lá”), James d’Arcy (“W.E. Romance do Século”, “Mestre dos Mares”) e Susan Sarandon (“Telma e Louise”, “Óleo de Lorenzo”); e divide a direção com os irmãos Wachowski (Andy e Lana), responsáveis pela trilogia Matrix, informação esta que ajuda a captar inúmeras referências, como a cena do desvio das balas cruzadas. Concluindo, um filme difícil, confuso e longo, que necessita de uma segunda investida ao cinema para que o espectador tenha um maior grau de entendimento. Mesmo assim, imperdível, desafiador e sem indício nenhum da “verdadeira verdade”. É como se fosse por vários caminhos, sem chegar ao objetivo, que tenta encaixar as peças num final pretendido: revelador e surpreendente. Isso sim, é a maior “viagem”. 

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