Por Fabricio Duque

 

“Trumbo – Lista Negra” aborda o período que Hollywood “baniu” do sucesso os roteiristas e artistas que se filiaram ao partido comunista. O longa-metragem, dirigido por Jay Roach (de “Entrando Numa Fria”, “Austin Powers – O Agente Bom de Cama”), e que tem como protagonista Bryan Cranston, o eterno Mr. White, de “Breaking Bad”. A narrativa de época, com atmosfera nostálgica, intercala cenas de filmes, com making of e bastidores do universo dos estúdios cinematográficos. “Sexo e dinheiro, por isso os americanos lutam”, diz-se, entre protestos (dos contras como John Wayne – “Ele não está atuando, é ele mesmo” e Hedda) e manifestação (dos comunistas a favor da liberdade na América) para conservar as convicções políticas-sociais (“Perigoso só para aqueles que nos fazem mal”). O filme tem estrutura didática-explicada de seriado, palatável nas ações-reações, ágil em sua edição e sacadas como a filha comunista que divide o lanche. “Trumbo” critica a alienação americana de “ovelha” (de seguir a padronização da opinião de que o pensamento diferente “corrompe a democracia” – acreditar sem questionar a mídia e não “sair da caixa”), e quer “virar o país de cabeça para baixo”, mas opta pela encenação, por mostrar a interpretação, de forma superficial quase como uma novela, porém sem a inclusão de trilha-sonora, desconstruindo e tentando “abrigo” no classicismo. “Seus roteiros são muito longos”, satiriza os “dez odiados” e “acusados” de desacato por “dizer coisas que importam”. “Todas as liberdades seguem lado-a-lado”, ensina-se. Há humilhação, prisão política e “negro preso por matar um branco em auto-defesa”. Aqui, caminha-se entre a perspicácia-realista-sarcástica em lapsos temporais (“Querem vender a alma, mas não encontram”) e o clichê caricato de tiradas de efeito, com inúmeros momentos sentimentais com a música que “aparece” para manipular a emoção. Trumbo começa a escrever roteiros em três dias com cem páginas. Escreve sem parar, nem sempre com qualidade (“como papel higiênico”) para gente “raivosa e ignorante”. “A vida é um perpétuo networking recorrente”, “Se toda cena for brilhante, todo filme será monótono”, diz-se. E aí o filme “descamba” ladeira abaixo ao clichê sentimental-dramático, como o remédio com a bebida, a redenção final da homenagem do Guild. Um filme que merece ser assistido pelo tema e pela impecável interpretação de “Heisenberg” (inclusive pelo chapéu “inferência”).

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