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Por Fabricio Duque

 

Uma das características marcantes da arte cinematográfica é poder tratar temas polêmicos pelo viés suavizado da ficção, informando e detalhando ao espectador uma denúncia crítica a fim de documentação representativa baseada na realidade. Como é o caso de “Spotlight – Segredos Revelados”, que utiliza sua própria temática da pedofilia na Igreja Católica para “acordar” em quem assiste as crenças indiscutíveis de doença-moralidade, pela narrativa de investigação-verborragia dos dados comprobatórios que embasam o argumento de incorreção-deturpação dos réus-envolvidos. A trama nos transforma em testemunhas, em uma edição à moda de “Erin Brockovich”, e se apresenta como um dossiê político-social-religioso (quase um Wikileaks) de transpassar estatísticas e lugares do crime infantil, incluindo reflexos em países como Brasil (informações fornecidas nos créditos finais do longa-metragem). Aqui, o espectador não sai imune porque é confrontado com as articulações, conspirações, acordos, poderio “divino” da Igreja Católica, que “acoberta” desvios de caráter de seus padres e membros da religião. E com as consequências psicológicas das vítimas, vide o exemplo de “Ray Donovan”, série que trata do mesmo tema e que tem Liev Schreiber, um dos atores como parte integrante de uma família que também sofreu abusos. Em “Spotlight – Segredos Revelados” vamos sendo “contaminados” por nossas pessoais-passionais-individuais moralidades e para quem é católico, ainda mais, por “rompe” a barreira da pureza celestial e o que se enxerga é o oportunismo unilateral do querer-desejo (e de saber que os órfãos e os pobres-carentes não terão a coragem da denúncia) desprovido de culpa e demônios, visto que a reza de alguns “Pão-Nosso” liberta, salva e limpa o pecador do purgatório e o inferno. O longa-metragem, baseado em uma história real (traduzido com veracidade o relato do começo dos anos 2000, que levou seu grupo de jornalistas do Boston Globe a vencer o Prêmio Pulitzer), mostra o drama deste incorruptível-desafiador time de repórteres que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso. “Spotlight – Segredos Revelados”, dirigido por Tom McCarthy (de “O Visitante”, “O Agente da Estação”) escala um elenco famoso, que inclui Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, entre tantos outros, que “ganham” individuais espaços para mostrar o talento que possuem. O roteiro de “Spotlight – Segredos Revelados” constava na Blacklist (lista negra dos scripts ainda não produzidos) de 2013. O diretor Tom McCarthy citou vários filmes como influência para este projeto: “Frost/Nixon” (2008), “Nos Bastidores da Notícia” (1987), “Rede de Intrigas” (1976), “Todos os Homens do Presidente” (1976), “Os Gritos do Silêncio” (1984), “O Informante” (1999), “Cidadão Kane” (1941), “A Montanha dos 7 Abutres” (1951), “JFK – A  Pergunta que Não Quer Calar” (1991), “O Veredicto” (1982) e “Boa Noite e Boa Sorte” (2005), no qual McCarthy faz uma pequena participação. “Assistir a performance de Michael Keaton no filme, me fez querer pedir desculpas para muitos entrevistados”, declarou o próprio Walter Robinson. Concluindo, um filme necessário, perturbador, e altamente recomendado.

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