O Fantástico Sr. Raposo

A repetição da covardia do não sofrimento

Por Fabricio Duque

O cinema do diretor Wes Anderson tem uma característica bem peculiar: a estranheza. A atmosfera é artificial com um intenso aprofundamento. Ele sempre repete o estilo surreal com existencialismo defensivo. Os seus personagens debatem-se para abandonar suas crenças e são absorvidos pela inércia de decisões. Há a humanização do estágio letárgico.

Em paralelo a transformação translinear de uma ponta a outra, de um estágio parado a uma movimentação acorda o catatônico e fornece a ele uma adrenalina exacerbada. Com isso temos personagens em constantes mudanças de humor. E é esse o “truque” escolhido para ser realizado a animação baseada no clássico infantil “O Fantástico Sr. Raposo”, de Roald Dahl. O estilo animado é o Stop Motion (Leia mais sobre o processo abaixo), cujo princípio é o movimento parado. O filme aborda a história de uma raposa inteligente, que precisa descobrir uma maneira de vencer três malvados fazendeiros que tentam, de todas as formas, prejudicar sua família.

Com situações de humor negro sútil, “O Fantástico Sr. Raposo” explicita o estilo do diretor. É perfeccionista, colorido, exagerado, sarcástico, debochado, cruel, resignado, patético às vezes e cruel, muito cruel. É incrível como o lado sombrio de cada um é escancarado. As máscaras da hipocrisia são “necropsiadas”. A inteligência está presente, mesmo nas piadas mais idiotas e clichês.

A narrativa de “O Fantástico Sr. Raposo”, embalado por Rolling Stones e Beach Boys, busca o verdadeiro saber “quem eu realmente sou”, os medos paralisantes e a redenção própria e a do próximo, sem deixar as manias de verdade absoluta de cada um. É a repetição da covardia do não sofrimento. Até que essa repetição cansa, desejando o querer de algo da natureza selvagem, que todos possuem escondido no mais fundo da vontade unilateral intrínseca. A técnica é muito bem utilizada. Vale muito a pena ser visto. Recomendo.

Stop motion, termo que quer dizer: stop = parado, motion = movimento, é um modalidade de animação que utiliza modelos reais em diversos materiais, dentro dos mais comuns, estão a massa de modelar, ou especificamente massinha. No cinema o material utilizado tem que ser mais resistente e maleável, visto que os modelos têm que durar meses, pois para cada segundo de filme são necessárias aproximadamente 24 quadros (frames). Os modelos são movimentados e fotografados quadro a quadro. Só é preciso filmar e pausar; mudar os personagens de lugar e soltar a tecla de pause; filmar e pausar de novo. E assim até toda a sequência desejada estar pronta. Estes quadros são posteriormente montados em uma película cinematográfica, criando a impressão de movimento. Nesta fase podem ser acrescentados efeitos sonoros como fala ou música. Um dos muitos filmes feito com a técnica de stop motion foi O Estranho Mundo de Jack (1993), de Tim Burton. A Fuga das Galinhas, A Noiva Cadáver, Wallace e Gromit, “O Fantastico Sr. Raposo” (2009), de Wes Anderson, são exemplos de filmes em stop motion.

São várias as vertentes do cinema criadas com esta ideologia, majoritariamente trabalhos de animação, pelo o que os trabalhos ficam com um toque característico distinto. Atualmente no Brasil a produtora Animaking está produzindo um longa metragem na técnica stop motion chamado “Minhocas”, o qual o Brasil será o primeiro país da América Latina a produzir em tal técnica. Portugal também tem algumas animações em “stop motion” ou o verdadeiro “boneco animado”, sendo a mais relevante nestes últimos temos o curta “A Suspeita” de José Miguel Ribeiro.

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