Moebius

Violência raivosa

Por Fabricio Duque

Durante o Festival do Rio 2013

O diretor coreano Kim Ki-Duk resolveu, por vontade própria, simplificar seu cinema ao estágio de amador, mitigando possibilidades de credibilidade narrativa. Talvez, Ki-Kuk não tenha despertado do transe de sua obra-prima “Casa Vazia”, que se expressa por poesia naturalista, silêncio e insinuações sutis. O cineasta vem apresentando experimentações fílmicas que beiram à pretensão (como no seu último filme “Pietá”). No mais recente, em questão aqui, “Moebius”, equilibra-se por um triz na linha tênue entre genialidade e arrogância do estilo pretendido.

Se procurarmos o significado do título “Moebius”, então encontraremos a definição médica de que “é um distúrbio neurológico extremamente raro. Decorre do desenvolvimento anormal dos nervos cranianos, possui como principal característica a perda total ou parcial dos movimentos dos músculos da face, responsáveis pelas expressões e motricidade ocular”. Aqui, Kim Ki-Duk mescla as últimas vertentes dos elementos que emprega em sua filmografia. Há a violência explícita, esquizofrênica e “raivosa” de Pietá com o silêncio total de “Casa Vazia” (já que não há diálogos entre os personagens – apenas sons ambientes). É uma pena que a criatividade de um dos mais conhecidos representantes da vanguarda cinematográfica sul-coreana tenha seguido pelo caminho da inércia-inovação e do clichê da repetição do não clichê – temas recorrentes e ultrapassados moralmente (como o desejo, o sexo entre familiares e proteção vingativa – o corte do pênis e a antropofagia).

“Moebius” é um filme teatral (nas ações), dramático (nas expressões), gratuito (nas causas – loucura) e quase patético (no argumento e ou nas consequências da trama). É a metáfora da transposição do abstrato ao concreto, quando personifica o desejo e o sentimento, por uma ação que gera consequências (e a adaptação). Um retrato da epifania da falta de sentido da violência como estilo de vida. Mesmo com todos os contras de um exemplo de filme B querendo ser cult, por incrível que pareça, assisti-lo é obrigatório e necessário.

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