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Crítica: Argo
Argo, O Cinema de Ben Affleck 
 Por Fabricio Duque 

O ator Ben Affleck (de “Gênio Indomável”, “Armageddon”, “Dogma”) optou mesmo pela carreira de diretor, sem deixar de lado a interpretação, realizando as duas funções paralelamente. Depois de “Medo da Verdade” e “Atração Perigosa”, apresenta sua mais recente produção “Argo”, que ganhou o segundo lugar do Prêmio do Público de Melhor Filme no Festival de Toronto, e vem se tornando um sucesso de público e crítica. Affleck busca maestria ao escalar um elenco competente;  ao procurar George Clooney como produtor; ao utilizar a trilha sonora do premiado Alexandre Desplat; e ao escolher abordar camadas narrativas de espionagem internacional, “mexendo” com o tema iraniano ainda sensível. Argo conta a história de seis diplomatas que, em plena Revolução Iraniana, conseguiram escapar da embaixada americana tomada por rebeldes e se refugiaram na casa do embaixador canadense. Sabendo que seria mera questão de tempo até serem descobertos e mortos, eles fingiram ser integrantes da equipe de filmagens de um longa-metragem de Hollywood, procurando locações. O plano foi coordenado por Tony Mendez, especialista da CIA. Até a sinopse ajuda o sucesso que o filme está arrecadando, mas há um detalhe importante que incomoda e muito a absorção da história: a forma americana. É um filme feito para americanos. Há supremacia, valores nacionalistas exacerbados, frases de efeito, sangue no chão, carro em chamas, tensão “crônica”, lágrimas, música que aumenta o tom – exagerando o lado dramático e ou a “previsibilidade” do imprevisível, o dialogo irônico de referência clichê, imagens de efeito, consequências de tensão pretendida, como se no último segundo tudo pudesse mudar. Mesmo sabendo que é baseado numa história real, e que por lógica aconteceu de verdade, não esperava, em hipótese alguma, a mudança do roteiro, apenas corroboro meus argumentos de que o filme procura a manipulação sentimental de cada um de nós. A estética cinematográfica é incrível, com a fotografia estilizada, saturada à nostalgia, com imagens em 8mm, intimista, a fim de fornecer maior veracidade à trama, transmitindo uma próxima ligação com os acontecimentos. Tanto que no final do filme, há fotos reais das cenas, e percebemos o trabalho de pesquisa na realização fiel da história. “Exfiltração é como um aborto. Você não deseja, mas não consegue fazer sozinho”, diz-se. O roteiro referencia o pop e o político. O refinado e o fútil. O filme “A Batalha no Planeta dos Macacos” realiza a conexão com a ideia do projeto fictício, com a frase “virar cineasta da noite para o dia”, “até macacos da Índia podem fazer um filme”, dita pelo John Goodman (autoironia com Affleck?). Ou “John Wayne morreu… Isso que sobrou da América” (a guerra substituiu o faroeste). O longa-metragem é extremamente bem feito, mas a indução de características americanas configura uma “pedra no sapato” na convicção plena do espectador, não digo por causa do discurso unilateral de nacionalismo dos Estados Unidos, mas pela velocidade que se precisa incluir com o intuito de prender a atenção de quem assiste. É um filme excelente, com ressalvas e com a necessidade de cumplicidade de quem assiste. Recomendo sim.

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