Crítica: 40ª Porta

Facebook
Twitter
WhatsApp
Pinterest
LinkedIn
Por Fabricio Duque

Prólogo: Conhecendo o Azerbaijão

É um país localizado no Cáucaso,
na fronteira entre a Europa e a Ásia. Divide fronteiras com o Irã ao sul, com a
Armênia a oeste, com a Geórgia a noroeste, com a Rússia a norte e com o mar
Cáspio, que banha sua costa oriental. A sua capital é Baku. Considerada uma
nação transcontinental, é membro do Conselho da Europa desde 25 de janeiro de
2001.  O Centro Cultural Banco do Brasil
do Rio de Janeiro apresenta a “Mostra de Filmes do Azerbaijão”. São sete obras
que retratam a cultura e sociedade do país, enfatizando a diversidade e a percepção
criativa da arte cinematográfica azerbaijanesa. 
Crítica: A Experimentação
Referencial
“40ª Porta” é a estreia do
diretor Elchin Musaoglu em um longa-metragem. E representa uma experimentação
de narrativa e de técnica cinematográficas. A geografia do prólogo ajuda a
construir o entendimento sobre as características utilizadas no filme. O
espectador percebe influências do cinema iraniano, do cinema russo, do cinema
da Armênia e se prestarmos atenção, do cinema americano também, principalmente
pela teatralidade das ações, gestos, expressões e dos tempos de cena, como
exemplo o olhar do filho no cemitério. Mas este início apenas suaviza os
acontecimentos que reverberam aos poucos a falta de moralidade dos indivíduos.
O filme configura-se como uma odisseia da transformação (comportamental e não
da idade física) de um adolescente em adulto devido às consequências da perda. Pode-se
assistir como uma fábula da vida real, porque nosso personagem principal “conhece”
o verdadeiro lado do ser humano, recebendo picardias e surras, mas também a
bondade e solidariedade; aprendendo a vingança, o orgulho e a sobrevivência,
sem mitigar a essência da pureza intrínseca. Assim como nos filmes iranianos, o
fortalecimento é dado pela desgraça latente e ininterrupta. Talvez, isso seja uma
prova diária que a religião impõe no caminho a fim de ser vencida (a última
frase explicita o que foi dito aqui). É aceitável que o filme se perda em
alguns momentos, inserindo rapidamente personagens que vem e vão, muitas vezes
sem explicações maiores e mais aprofundadas. Até porque os prós ganham
deliberadamente dos contras. Um dessas vitórias é a atmosfera sinestésica que a
narrativa transpassa. Sentimos exatamente a dor e os “perrengues” que o filho
necessita transpor. São metáforas existencialistas que transformam o acaso
abstrato em possibilidade concreta. O filme foi exibido na 33ª Mostra
Internacional de São Paulo de 2009.
Rustam (Hasan Safarov), um menino
de 14 anos que vive em uma aldeia com a mãe, na 40ª porta, e recebe uma péssima
notícia: seu pai foi morto pela máfia russa. Com a morte do pai, ele se torna o
chefe da família. Para sustentar a família, vai para a cidade procurar emprego.
Sonhando em comprar um instrumento musical, Rustam se torna amigo de uma
lâmpada que pisca na velha ponte e que, como ele, também vive “sozinha” no
escuro. O filme leva o título de uma lenda antiga do Azerbaijão, sobre um herói
que salva a princesa de um castelo com quarenta portas sem enfrentar o maior
perigo na última porta que está trancada. 

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *