Ficha Técnica

Direção: Marc Fitoussi
Roteiro: Marc Fitoussi
Elenco: Isabelle Huppert, Aure Atika, Lolita Chammah, Jurgen Delnaet, Chantal Banlier, Magali Woch, Nelly Antignac, Guillaume Gouix, Joachim Lombard, Noémie Lvovsky, Luis Rego Luis Rego
Música: Tim Gane, Sean O’Hagan
Edição: Martine Giordano
Produção: Caroline Bonmarchand
Distribuidora: Pandora Filmes
Estúdio: arte France Cinéma / Avenue B Productions
Duração: 107 minutos
País: França
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“Copacabana” é um filme alternativo estiloso, que não deseja ser nada, apenas contar uma história com humor irônico e espevitado, assim dissipa-se a pretensão. A protagonista é Isabelle Huppert, só por isso já vale o ingresso. Ela, Babou, é uma apaixonada pela cultura brasileira e comporta-se com ingenuidade, exagero passional e com ideias sonhadoras. Assim, o roteiro referencia as características dos brasileiros. Inicialmente, há a estranheza, com uma mulher que se maquia de forma espalhafatosa. O longa mostra imagens da França, com músicas do Brasil. A interpretação é afetada e over. Aos poucos entendemos, isso é o nosso país. Estranho em um determinado momento, mas que acolhe o excesso como inerência. Não podemos julgar. É a visão de alguém que se identifica, porém, não conhece a estrutura propriamente dita. A relação de mãe e filha, confusa e conflituosa, gera situações limites, deixando para Babou a única solução: a fuga para dentro dela mesma.
A caricatura de falar alto em uma biblioteca, escolher um livro indiano, vestir-se como uma figura típica de um outro país, tudo demonstra a pureza natural e sem defesas de nossos próximos. “Não quero que me envergonhe. Não quero que vá ao meu casamento”, a filha diz. Pois é, é difícil mesmo entender o Brasil. Há um aprofundamento realista e sentimental sem ser clichê. A protagonista envereda-se por outros caminhos. Aventura-se. Ela busca um emprego que vende apartamentos, faz caridade com os que precisam, envolve-se com tipos discriminados pela sociedade, com cachorro que tem o nome de droga sintética, confia nas pessoas, tenta muda-las pela gentileza e perspicácia, escolhe o sexo sem compromisso, divide lugares sem frescuras sociais, sofre com as ações mesquinhas alheias, mas não perde o frescor sonhador.
Ela não desiste, assim como qualquer brasileiro que vive a desigualdade rindo e sambando. “Você põe etiquetas nas pessoas. São livres e jovens”, diz-se. Ela comporta-se como uma criança grande, com a esperança pululando em suas veias. O carisma, a simpatia, a sinceridade são características tão entranhadas que a crueldade do caminho não consegue arranca-las. “São simpáticos nesta idade, depois te tratam como um merda”, diz sobre os filhos. É uma homenagem ingênua a nós brasileiros. A parte final segue o produto do terminar tudo bem. Opta-se por uma epifania brasileira, mas entendemos e aceitamos principalmente por que podemos assistir a Isabelle sambando e falando a nossa brasilidade. O exagero apresentado pode desvirtuar a ideia principal, criando a polêmica preconceituosa do nosso povo. Não siga por esse caminho. Entenda a sutileza específica por trás do todo apresentado.
Cortesia: Veja São Paulo

O Diretor
Nasceu em Paris em 1974. Estudou Inglês e Históra da Arte, em seguida ingressou no Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual, onde estudou escrita de roteiro. Realizou diversos curtas e médias metragens, entre eles Bonbon au poivre (2005), indicado ao César. Em 2006 dirigiu um documentário para a televisão, L’Éducation anglaise, e em 2007 La Vie d’artiste, seu primeiro longa-metragem.

LEIA SOBRE A ATRIZ ISABELLE HUPPERT –> AQUI 
E nos filmes: 

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