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Coco Chanel & Igor Stravinsky

Ficha Técnica

Direção: Jan Kounen
Roteiro: Carlo De Boutiny, Jan Kounen
Elenco: Anna Mouglalis, Mads Mikkelsen, Elena Morozova
Fotografia: David Ungaro
Montagem: Anny Danché
Música: Gabriel Yared
Produtor: Claudie Ossard
Produtora:Eurowide Film Production
Duração: 118 minutos
País: França
Ano: 2009
COTAÇÃO: FRACO

A opinião

O caminho escolhido para direcionar a trama foi preferir a estética. A preocupação com a embalagem é mais importante do que o próprio conteúdo. A abertura é psicodélica. Juntam-se fotogramas, formando imagens iniciais a fim de que a história comece a ser contada. O filme é direto. Logo se percebe as contradições questionadoras sobre a sociedade aristocrata. “Tira o corpete, quero respirar”, diz-se utilizando críticas nos diálogos, que se incrementam com picardias irônicas e sutis.

Há elegância e simetria na fotografia apresentada. A camera preza os detalhes, guiando com suavidade e leveza, quando descreve o que há em volta, com seus enquadramentos de foco e não foco, brinca-se com o que se vê. Apresenta-se como um filme de época, porém com a modernidade nostálgica e clássica dos dias atuais. Os personagens são apresentados.

Em 1913, a jovem Coco Chanel começa a se destacar no mundo da moda. Ao mesmo tempo, o compositor russo Igor Stravinsky desponta no cenário artístico ocidental. A estreia do balé A Sagração da Primavera, em Paris, arrebata a jovem estilista e choca o público pela sua modernidade exacerbada e experimental. “Dancem ao ritmo da batida”, dirigia-se envolto a intolerância dos espectadores ao novo, ao Teatro Russo, eles vaiavam e trocavam insultos. “Deus coloca à prova, aqueles que mais ama”, reconforta-se o diretor do espetáculo. “Você criou uma nova linguagem, Igor”, diz-se sobre o Balé.

Anos mais tarde, já célebre, Coco é devastada pela morte do seu amante, Boy Capel. Quando conhece Stravinsky, recém-chegado a Paris como exilado da nova União Soviética, Coco oferece sua casa de campo para abrigar o músico e sua família. É o início de uma relação intensa, um misto de desejo carnal, gratidão e troca de interesses, entre os dois artistas. É uma nova visão de Coco. Mais forte, menos frágil, mais defensiva, menos culpada, mais literal, menos passional, de voz rouca, grossa, rígida e embargada.

O longa não mostra correria nos acontecimentos. Segue naturalmente passagens de tempo. Há agilidade de conexão em interligar música e imagem. A intensidade de uma nota musical criando analogia aos sentimentos de seus personagens e ações instantâneas na tela.

Há inserções de imagens de arquivos de guerras, de Paris em 1920, em preto-e-branco. “Esqueça os marxistas e os bolchevistas”, diz-se em uma festa não puritana com artistas dos mais variados estilos, tendências e gêneros.

Quando Coco convida Igor a morar em sua casa. Ele leva a sua família. A estilista apresenta “Para os meninos, o quarto da China. Para as meninas, o quarto árabe. Para o casal, tudo desde que seja preto”. Os diálogos são maduros, perspicazes, respeitosos, com o tom irônico do politicamente correto.

É um filme que retrata uma versão comercial de Coco, com o objetivo oscarizado. A escolha pela técnica atrapalha o aprofundamento necessário de seus interpretes. O que se absorve deste conteúdo é superficial. Contudo a sutileza é ponto alto do filme, como por exemplo a mulher de Igor toma conhecimento da traição pela pausa da música de um piano. Em contrapartida, o excesso deste elemento atinge o clichê pela sua própria repeticão. “As mentalidades mudaram após a guerra. Ela (Coco) é muito independente”, explica-se a personalidade da estilista. A esposa traída tenta salvar seu casamento.

Utiliza-se a imagem como pintura. Extrai-se o máximo da época retratada. “Procuro um perfume tão complexo como a personalidade”, Coco diz e complementa “Quero cheirar igual a uma mulher e não uma flor. Nada vulgar, efêmero”. Ela sabe exatamente o que deseja e assim o seu perfume mais famoso Chanel número 5 é criado.

A sutileza muda de tom e adquire uma certa agressividade. “Tira-lhe o marido e dá um perfume”, diz-se. “Fico feliz de você distraí-lo no seu trabalho”, resposta da mulher de Igor a Coco. Naquela época, características como resignação e condescendência eram primordiais para uma convivência pacata e sem problemas.

Quando a trama encaminha para o fim, os clichês técnicos aparecem com mais vigor, descambando para o melodrama. Cameras nervosas para expressar sofrimentos e frustrações. Lembranças e flashbacks do que o espectador já viu. Explosões agressivas. Reviravoltas rápidas. Saltos gigantescos de tempo e sua velhice solitária. Corre-se com o roteiro. A música acompanha o filme inteiro. Quase não há silêncio. É um grande videoclipe clássico. Quando o acompanhamento musical concerto-filme acaba, podemos reparar e reconfortar-se com o nada. Não satisfeito, ainda há um extra após os créditos. Portanto, permaneçam até o finalzinho. Os elementos estéticos, com sua técnica extremamente trabalhada, não suprem a imersão de quem está do outro lado da tela de um cinema, tornando a história coadjuvante, ingênua e sem atrativos.

O Diretor

Jan Kounen nasceu em 1964 na Holanda. Estudou Cinema e Animação na Escola de Artes Decorativas de Nice, na França. Realizou curtas-metragens e produções de animação para a TV holandesa. Entre seus curtas estão Gisele Kerosene (1989), Vibroboy (1994) e Le Dernier Chaperon Rouge (1996). Em 1997, finalizou Doberman, seu primeiro longa-metragem. Seus outros filmes incluem Blueberry – Desejo de Vingança (2004), o documentário D’Autres Mondes (2004) e o longa 99 Francs (2007).

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  • Puxa, Fabrício, é a crítica mais fraca que já li sobre o filme. Até uma notinha na Revista Quem saiu melhor…

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