A Caixa Cultural Rio de Janeiro exibe pela primeira vez, no Brasil, a memória e as imagens da cultura e do povo do Tibet na Mostra “VER O TIBET”, composta por filmes restaurados e preservados pela Fundação Tibet Film Archive, sediada nos Estados Unidos. O evento acontece de 24 a 29 de agosto, em sessões contínuas às 15h e 18h.

O Tibete ou Tibet é uma região de planalto da Ásia, um território disputado situado ao norte da cordilheira do Himalaia. É habitada pelos tibetanos e outros grupos étnicos como os monpas e os lhobas, além de grandes minorias de chineses han e hui. O Tibete é a região mais alta do mundo, com uma elevação média de 4.900 metros de altitude, e por vezes recebe a designação de “o teto do mundo” ou “o telhado do mundo”.

Em 1913, o 13º Dalai Lama expulsou os representantes e tropas chinesas do território formado atualmente pela Região Autônoma do Tibete. Embora a expulsão tenha sido vista como uma afirmação da autonomia tibetana, esta independência proclamada do Tibete não foi aceita pelo governo da China nem recebeu reconhecimento diplomático internacional e, em 1945, a soberania da China sobre o Tibete não foi questionada pela Organização das Nações Unidas.

Após uma invasão contundente e uma batalha feroz em Chamdo, em 1950, o Partido Comunista da China assumiu o controle da região de Kham, a oeste do alto rio Yangtzé; no ano seguinte o 14º Dalai Lama e seu governo assinaram o Acordo de Dezessete Pontos. Em 1959, juntamente com um grupo de líderes tibetanos e de seus seguidores, o Dalai Lama fugiu para a Índia, onde instalou o Governo do Tibete no Exílio em Dharamsala. Pequim e este governo no exílio discordam a respeito de quando o Tibete teria passado a fazer parte da China, e se a incorporação do território à China é legítima de acordo com o direito internacional. Ainda existe muito debate acerca do que exatamente constitui o território do Tibete, e de qual seria sua exata área e população.

Além dos filmes, “Ver o Tibet” contará com uma publicação, criada pelo designer Guilherme Falcão, em formato de jornal-mural, para orientar os espectadores, com uma breve introdução ao passado e presente nos costumes, no budismo e na história tibetana.

A mostra, concebida pela agência Pequeno Comitê, de São Paulo, e com patrocínio da Caixa Econômica Federal, também realiza no dia 28, às 17h, um Talk Show com participação de Tenzin Phuntsog, um dos fundadores do Tibet Film Archive. Ele vai falar ao público brasileiro sobre o papel da instituição e a situação do país hoje. A conversa contará com participação do curador Fernando Oliva.

“Desde o início do século 20, no começo da história do cinema, viajantes como Thomas Lowell, Alexandra David-Neel, Francis Younghusband, Wilhelm Filchner and Giuseppe Tucci usaram suas câmeras, exibindo depois para a sensibilidade ocidental o que lhes pareceu belo, único, fantástico, exótico, diferente ou urgente, humanitária e politicamente. A esses registros outros se somaram, procurando de alguma forma explicar um mistério. Nesses filmes, uma história contemporânea das relações entre o Tibet e o Ocidente começa a ser montada, uma narrativa na qual a voz tibetana encontra os limites da compreensão europeia e americana, mas onde é possível, em inesperados momentos ou breves instantes, observar de forma mais livre o Tibet em sua tragédia, luta e contradição”, explica Marcelo Rezende, curador da mostra com Fernando Oliva e Paula Signorelli.

A Fundação Tibet Film Archive tem como objetivo o resgate de uma produção cinematográfica documental e jornalística sobre aquele país, realizada na primeira metade do século 20 – até o domínio chinês no Tibet, instaurado em 1950. Toda a renda da bilheteria será destinada ao Programa Fome Zero.

Talk Show – Debate

Dia 28 de agosto, sábado, às 17h

Encontro aberto ao público, com participação de Tenzin Phuntsog (diretor do Tibet Film Archive) e Fernando Oliva (crítico e curador).

O evento terá tradução consecutiva de inglês para português.

PROGRAMAÇÃO

Sessão das 15h

1 – “Tibetan Story” (História Tibetana)
Documentário, 1965. Dir. Christian Aid. Duração: 32 minutos. O filme examina os problemas e necessidades do povo tibetano no exílio, e as relações do país com a comunidade exilada na Índia.

2 – “Home Away from Home”(Lar Longe do Lar)
Documentário, (s/d). Diretor desconhecido. Duração: 15 minutos. O filme registra os primeiros dias de exílio do povo tibetano na Índia.

16h

3 – “Tashi Writes a Letter” (Tashi escreve uma carta)
Documentário, 1964. Direção desconhecida. Duração: 15 minutos. A história da família Kampu, que decide partir para o exílio, até o encontro com o Dalai Lama.

4 – “Tscham-Tanze in Einem Tibetischen Lama-Kloster (Kumbum Dschamba Ling)” (Danças Scham em um mosteiro de Lamas no Tibet). 1926/27, Dir. Wilhelm Filchner. 10 minutos / “Feste Und Gebete in Einem Tibetischen Lama-Kloster” (Festas e orações em um mosteiro de Lamas no Tibet). 1926/27, Dir. Wilhelm Filchner. 10 minutos / “Tibeter (Zentralasien, Ost Tibet) Tanze Buddhistischer” (Danças budista-tibetanas (Ásia Central, leste do Tibet). Dir. Editor G. Wolf. 4 minutos. Conjunto de três filmes restaurados, produzidos durante expedições alemãs no país durante os anos 1920. Trata-se de raros e incomuns registros de danças, orações e cantos filmados no noroeste do Tibet, incluindo danças do monastério Kumbum.

17h

5 – “Religious Investiture of His Holiness” (Posse Religiosa de Sua Santidade)

Documentário, 1970. Duração: 15 minutos. O documentário registra os textos e exames orais realizados pelo Dalai Lama, para que fosse reconhecida sua santidade. O filme traz imagens do Dalai Lama antes de sua fuga e exílio na Índia.

6 – “Raid Into Tibet” (Ataque dentro do Tibet).
Documentário, 1964. Dir. Adrian Cowell. Duração: 25 minutos. O filme mostra as únicas imagens existentes dos guerrilheiros tibetanos e suas ações de resistência frente ao domínio chinês.

Sessão das 18h

1 – “Tibetan Story” (História Tibetana).

Documentário, 1965. Dir. Christian Aid. Duração: 32 minutos. O filme examina os problemas e necessidades do povo tibetano no exílio, e a relação do País com a comunidade exilada na Índia.

2 – “Home Away from Home”(Lar Longe do Lar)

Documentário, (s/d). Diretor desconhecido. Duração: 15 minutos. O filme registra os primeiros dias de exílio do povo tibetano na Índia.

19h

3 – “Tashi Writes a Letter” (Tashi escreve uma carta). Documentário, 1964. Direção desconhecida. Duração: 15 minutos. A história da família Kampu, que decide partir para o exílio, até o encontro com o Dalai Lama.

4 – “Tscham-Tanze in Einem Tibetischen Lama-Kloster (Kumbum Dschamba Ling)” (Danças Scham em um mosteiro de Lamas no Tibet). 1926/27, Dir. Wilhelm Filchner. 10 minutos / “Feste Und Gebete in Einem Tibetischen Lama-Kloster” (Festas e orações em um mosteiro de Lamas no Tibet). 1926/27, Dir. Wilhelm Filchner. 10 minutos / “Tibeter (Zentralasien, Ost Tibet) Tanze Buddhistischer” (Danças budista-tibetanas (Ásia Central, leste do Tibet). Dir. Editor G. Wolf. 4 minutos.
Conjunto de três filmes restaurados, produzidos durante expedições alemãs no País nos anos 1920. Trata-se de raros e incomuns registros de danças, orações e cantos filmados no noroeste do Tibet, incluindo danças do monastério Kumbum.

20h

5 – “Religious Investiture of His Holiness” (Posse Religiosa de Sua Santidade)
Documentário, 1970. Duração: 15 minutos. O documentário registra os textos e exames orais realizados pelo Dalai Lama, para que fosse reconhecida sua santidade. O filme traz imagens do Dalai Lama antes de sua fuga e exílio na Índia.

6 – “Raid Into Tibet” (Ataque dentro do Tibet).

Documentário, 1964. Dir. Adrian Cowell. Duração: 25 minutos. O filme mostra as únicas imagens existentes dos guerrilheiros tibetanos e suas ações de resistência frente ao domínio chinês.

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