A indústria de cinema indiana é a maior do mundo em termos de venda de bilhetes e de número de filmes produzidos (somente em 2003 foram produzidos 877 longas metragens e 1177 curtas metragens). Os bilhetes de cinema na Índia estão entre os mais baratos do mundo. A indústria é sobretudo suportada por um vasto público. Em cada 3 meses um público tão grande quanto a população da Índia visita as salas de cinema. Os filmes indianos são populares em várias partes do mundo, especialmente em países com comunidades indianas de tamanho significativo.

A mostra Cinema Indiano Contemporâneo, que será realizada de 10 a 22 de agosto de 2010, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, com entrada gratuita para todas as sessões, vai oferecer ao público uma rara oportunidade de acesso a significativas obras cinematográficas indianas da atualidade. Na seleção, 19 filmes dos mais prestigiados títulos produzidos desde os meados dos anos 90, suprindo assim a curiosidade que existe no Brasil em torno do cinema e da cultura indianos.

A curadoria reúne títulos recentes não apenas de Bollywood (como é conhecida a principal indústria cinematográfica da Índia, localizada na cidade de Bombaim), mas também de outras regiões, como o cinema bengali, malayalam e tâmil. Grande parte dos filmes selecionados são inéditos no Brasil e destacam-se por serem os maiores sucessos de crítica e de público da índia nos últimos 15 anos, representando o melhor do cinema indianos da atualidade.

Bollywood se faz presente na mostra por meio de obras-primas como “Devdas” (2002), “Lagaan – A Coragem de Um Povo” (2001), “Siga em frente Munna Bhai” (2006), e “3 idiotas” (2009), quatro enormes sucessos do cinema indiano, que impressionaram a crítica e tiveram uma grande bilheteria. O filme “Siga em frente Munna Bhai” (2006) merece destaque especial por ter causado um grande impacto social naquele país. E “3 idiotas” por ter quebrado todos os recordes dentro e até fora da Índia – na Austrália, por exemplo, os exibidores foram obrigados a tirar o filme “Avatar” de algumas salas para atender à imensa demanda por “3 idiotas”.

Filmes de diretores clássicos que inauguraram o cinema de arte na Índia (também conhecido como nouvelle vague ou cinema novo) e que ainda são muito significativos na atualidade, como Mrinal Sen e Shyam Benegal, também integram a programação, assim como filmes baseados em fatos reais que chocaram a sociedade indiana, como “A Rainha Bandida” (1995), do aclamado diretor Shekhar Kapur, e “A Terrorista” (1999), de Santosh Sivan.

Destaque também para a presença da obra do diretor Mani Ratnam, considerado um mestre capaz de unir histórias fortes, roteiros bem trabalhados, questões políticas e dramas pessoais em um único filme, mostrando até questões ligadas ao terrorismo com certa dose de sensibilidade. Ele é o diretor com maior número de filmes na mostra (3 títulos): “Um beijo na bochecha” (2002), “Do coração” (1998) e “Bombaim” (1995), sendo os dois últimos a 2ª e 3ª partes da sua trilogia sobre terrorismo.

Realizadores mais novos também marcam presença. É o caso de Nagesh Kukunoor, diretor de dois filmes. São eles: “Dor” e “Iqbal”, ambos de 2006. Este último foi um dos maiores sucessos de baixo orçamento dos últimos anos.

A Índia e o Cinema

Toda essa diversidade de filmes torna evidente, tanto a vastidão temática e de linguagem do cinema indiano, quanto as questões que envolvem e mobilizam aquela sociedade, como a religião, o ambiente familiar, o incômodo sobre o direcionamento profissional que filhos recebem dos pais, a falta de escolha no amor e a opressão vivida pelas mulheres, entre outras questões.

Os filmes da Índia são populares em várias partes do mundo, especialmente em países com comunidades indianas de tamanho significativo, como Oriente Médio, Paquistão, Reino Unido, Austrália e Estados Unidos.

A extensão e a diversidade geográfica do país, das suas tantas línguas e dialetos, são enormes e estão certamente refletidas no seu fazer cinematográfico, de onde podemos apontar cinemas tão diversos quanto o hindi (“Bollywood”), o telugu (“Tollywood”), o punjabi (“Punjwood”), o tamil (“Kollywood”), o kannada (“Sandalwood”), o malayalam e o bengali.

Com curadoria de Gisella Cardoso, produção da Casa Cinco e apoio institucional da Embaixada da Índia no Brasil, a mostra “Cinema Indiano Contemporâneo” revela um cinema popular e de notável relevância artística. A maioria dos 19 títulos selecionados é de filmes inéditos no Brasil. Todas as exibições têm legendas eletrônicas, sendo 11 cópias em película, um atrativo ainda mais especial para assistir aos filmes.

“Organizamos a mostra a partir de um viés investigativo e como um processo de descoberta da cultura e do cinema indiano contemporâneo. Os filmes são surpreendentes, diversos e revelam várias questões que mobilizam a sociedade indiana atual. Foi uma descoberta incrível”, ressalta Gisella Cardoso.

Além da exibição dos filmes, haverá também duas sessões para crianças e duas mesas de debates, com o objetivo de proporcionar ao público um momento para reflexão acerca das características e importância do cinema indiano contemporâneo, não apenas para a cultura, mas também para o mercado. Os debates traçam um breve panorama sobre essa cinematografia, além de seus possíveis pontos de contato com o cinema brasileiro.

A oportunidade de trazer para o Brasil algumas obras que se destacaram nos últimos anos, em território indiano e internacionalmente, foi possível por intermédio da parceria firmada com a Embaixada da Índia no Brasil. A originalidade da mostra se destaca devido à inexistência de títulos indianos nas cinematecas e acervos brasileiros.

Será uma oportunidade totalmente nova e rara para o público apreciar e comparar diferentes expressões de um cinema que não é sinônimo apenas de Bollywood, mas também de um território rico e complexo, parte de uma indústria forte e frutífera, que sustenta diferentes formas de se fazer cinema.

Programação

Terça, 10 AGOSTO
13h – Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, Índia, 1994, cor,

35mm, 90 min, livre).
15h – Lagaan – A coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan – Once Upon a Time in India, Índia, 2001, cor, 35mm, 224 min, livre)
19h – Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, dvd, cor, 147 min, livre)

Quarta, 11 AGO
13h – A terrorista, de Santosh Sivan (Theeviravaathi: The terrorist, Índia, 1999, cor, betacam, 95 min, 12 anos)
15h – Faça o que o seu coração mandar, de Farhan Akhtar (Dil Chahta Hai, Índia, 2001, 35mm, cor, 180 min, livre)
18h30 – Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, Índia, 2002, 35mm, cor, 180 min, 12 anos)

Quinta, 12 AGOSTO
12h – Você não está sozinho, de Rakesh Roshan (Koi… Mil Gaya, Índia, 2006, 176 min, livre)
15h30 – Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, Índia, 2005, 35mm, cor, 127 min, livre)
18h – Bombaim, de Mani Ratnam (1995), 141 minutos (Bumbai, Índia, 1995, cor, 35mm, 141 min, 12 anos)
20h20 – Debate após a sessão: A Índia e o cinema – de Bollywood a Calcutá

Sexta, 13 AGOSTO
13h30 – A Rainha dos bandidos, de Shekhar Kapur (Bandit Queen, Índia, 1994, cor, dvd, 119 min, 14 anos)
16h – Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, Índia, 2006, dvd, cor, 144 min, livre)
19h – Do coração, de Mani Ratnam (Dil Se, Índia, 1998, 35mm, cor, 163 min, 12 anos)

Sábado, 14 AGOSTO
10h15 – Sessão para crianças: Somos todos diferentes, de Aamir Khan (Like Stars on Earth – Tare Zameen Par, Índia, 2007, cor, dvd, 165 min.
13h30 – Zubeidaa, de Shyam Benegal (Zubeidaa, Índia, 2001, 35mm, cor, 150 min, livre)
16h30 – Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathi Muthamuttal, Índia, 2002, 35mm, cor, 130 min, livre)
19h30 – Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, Índia, 2003, dvd, cor, 132 min, 12 anos)

Domingo, 15 AGOSTO
14h – Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. & Mrs. Iyer, Índia, 2002, cor, 35mm, 120 min, livre)
16h30 – Três idiotas, de Rajkumar Hirani (03 Idiots, Índia, 2009, 164 min, livre)
19h30 – Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, Índia, 2002, 35mm, cor, 90 min, livre)

Terça, 17 AGOSTO
13h – Faça o que o seu coração mandar, de Farhan Akhtar (Dil Chahta Hai, Índia, 2001, 35mm, cor, 180 min, livre)
16h30 – A rainha dos bandidos, de Shekhar Kapur (Bandit Queen, Índia, 1994, cor, dvd, 119 min, 14 anos)
19h30 – Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, Índia, 1994, cor, 35mm, 90 min, livre)

Quarta, 18 AGOSTO
13h – Você não está sozinho, de Rakesh Roshan (Koi… Mil Gaya, Índia, 2006, 176 min, livre)
16h30 – Zubeidaa, de Shyam Benegal (Zubeidaa, Índia, 2001, 35mm, cor, 150 min,livre)
19h30 – Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathi Muthamuttal, Índia, 2002, 35mm, cor/pb, 130 min,livre)

Quinta, 19 AGOSTO
13h30 – Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, Índia, 2005, 35mm, cor, 127 min, livre)
16h – Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, Índia, 2002, 35mm, cor, 90 min, livre)
18h – Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, Índia, 2006, dvd, cor, 144 min, livre).
20h20 – Debate após sessão: Para onde aponta o cinema indiano contemporâneo?

Sexta, 20 AGOSTO
14h – Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, Índia, 2003, dvd, cor, 132 min, 12 anos)
16h30 – Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. & Mrs. Iyer, Índia, 2002, cor, 35mm, 120 min, livre)
19h – Três idiotas, de Rajkumar Hirani (03 Idiots, Índia, 2009, 164 min, livre)

Sábado, 21 AGOSTO
10h15 – Sessão para crianças: COMO ESTRELAS NA TERRA, de Aamir Khan (Like Stars on Earth – Tare Zameen Par, Índia, 2007, cor, dvd, 165 min.
13h30 – A terrorista, de Santosh Sivan (Theeviravaathi: The terrorist, Índia, 1999, cor, betacam, 95 min, 12anos)
15h30 – Lagaan – A coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker ( Lagaan – Once Upon a Time in India, Índia, 2001, cor, 35mm, 224 min, livre)
19h30 – Bombaim, de Mani Ratnam (Bumbai, Índia, 1995, cor, 35mm, 140 min, 14 anos)

Domingo, 22 AGOSTO
12h – Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, dvd, cor, 147 min, livre)
15h – Do coração, de Mani Ratnam (Dil Se, Índia, 1998, 35mm, cor, 163 min, 12 anos)
18h – Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, Índia, 2002, 35mm, cor, 180 min, 12 anos)

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