Ficha Técnica

Direção: Stephen Frears
Roteiro:Christopher Hampton, baseado em livros de Colette
Elenco: Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Rupert Friend, Bette Bourne, Iben Hjejle, Frances Tomelty, Joe Heridan
Fotografia:Darius Khondji
Música:Alexandre Desplat
Direção de arte:Denis Schnegg
Figurino:Consolate Boyle
Edição:Lucia Zucchetti
Efeitos especiais:Framestore CFC
Produção:Andras Hamori, Bill Kenwright, Thom Mount e Tracey Seaward
Distribuidora:Miramax Films / Califórnia Filmes
Duração:01 hs 26 min
País: Reino Unido/ França/ Alemanha
Ano:2009
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

Entender o universo do novo filme de Stephen Fears é necessário o conhecimento prévio da cultura e personalidade dos ingleses, principalmente da aristocracia deturpada chamada Belle Époque. Eles caracterizam-se por uma arrogância na imposição das falas, uma altivez de movimentos e uma pretensão nas idéias defensivas. Esses elementos são complementados com o sarcasmo ingênuo e exagerado de continuar sendo o que precisa ser (por convenções ou poder) em seus diálogos.

A narração explicativa sobre as prostitutas inicia o filme em Paris, 1906. Lea de Lonval (Michelle Pfeiffer) é uma linda cortesã aposentada, que mantém uma relação amorosa com Chéri (Rupert Friend), “olhos que tem o formato de um linguado”, filho de sua rival, Madame Peloux (Kathy Bates). Lea iniciou Chéri na arte do amor. Após seis anos, Madame Peloux planeja, em sigilo, o casamento do filho com Edmee (Felicity Jones), filha de Marie Laure (Iben Hjejle), uma rica cortesã. Lea e Chéri tentam se acostumar à idéia da separação, mas logo percebem o quanto um é importante para o outro.

A fotografia lembra pinturas antigas, principalmente a primeira cena da cama (quase um Caravaggio), ora com sua luz direta, incisiva, mas sem causar desconforto ora com o contraste do escuro pela luz da lareira. “Um corpo sadio dura muito tempo”, diz-se. A música cria o deboche dos instantes com um can-can fútil e sem contéudo, expressando a não pretensão em ser comum, nem com o medo de errar ‘a mão’. Os vários planos diferentes criam percepções e ângulos com viés interpretativo e subjetivo.

A educação social precisa ser politicamente correta. O oportunismo e a falsidade dos relacionamentos, sem demonstrar o que realmente deseja transmitir e ou sentir. Os favores da convivência casam-se com a crueldade de uns em manipular o sofrimento alheio, por simples diversão pessoal, ciúme e ou inveja vísivel saltada dos olhos de quem investe o veneno do lado obscuro. “O perfume fixa melhor quando a pele está flácida”, diz-se em relação à estágio de envelhecimento de uma ‘concorrente em potencial’.

Baseado no livro de Colette, de mesmo nome, apresenta-se como um novelão, porém competente e com apenas poucos clichês óbvios desse tipo de estilo.

“Qual o problema? – Você sabe a idade”. Há o sentimento de resignação da chegada da velhice. Uma aceitação irônica que brinca a sua personagem consigo mesmo. O realismo vence a utópia, sobrando a realidade sem expectativas. “Todos os homens são estranhos”, diz-se demonstrando a dissimulação racional e visceral de joguetes dos personagens em uma aura moderna de um mundo antigo. “Aposto que o divórcio será mais divertido que o casamento”. E o discernimento lúdico “Parecemos dois cães brigando”.

Vale muito a pena ser visto. Mesmo sendo cansativo e clichês às vezes. O humor ácido e afiado, tendo a excelente interpretação de Katy Bates, faz com que a vontade de assistir ao filme seja despertada. Recomendo.

Belle Époque

A Belle Époque (bela época em francês) foi um período de cultura cosmopolita na história da Europa que começou no final do século XIX (1871) e durou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914. A expressão também designa o clima intelectual e artístico do período em questão. Foi uma época marcada por profundas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver o cotidiano.

A Belle Époque foi considerada uma era de ouro da beleza, inovação e paz entre os países europeus. Novas invenções tornavam a vida mais fácil em todos os níveis sociais, e a cena cultural estava em efervescência: cabarés, o cancan, e o cinema haviam nascido, e a arte tomava novas formas com o Impressionismo e a Art Nouveau. A arte e a arquitetura inspiradas no estilo dessa era, em outras nações, são chamadas algumas vezes de estilo “Belle Époque”. Além disso “Belle Epóque” foi representada por uma cultura urbana de divertimento incentivada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte gerados pelos lucros e necessidades da política imperialista, que aproximou ainda mais as principais cidades do planeta.

O Diretor

Stephen Frears (Leicester, 20 de junho de 1941) é um diretor de cinema britânico. É um dos mais respeitáveis diretores da Hollywood atual, e tem em seu currículo realizações diversas e premiadas, como Ligações Perigosas (1988), Os Imorais (1990), O Segredo de Mary Reilly (1996) e A Rainha (2006).

Nascido na Inglaterra e educado na Escola Gresham, Frears seguiu um longo caminho como cineasta local antes de aceitar a direção de produções maiores. Em 1968 dirigiu o curta-metragem The Burning. Até 1984, dirigiu episódios de séries de televião e programas para a BBC. A partir de The Hit (O Traidor, 1984), no qual trabalhou com John Hurt e Terence Stamp, entre outros, Frears se dedicou a dirigir filmes para a tela grande. Logo em seguida, vieram My Beautiful Laundrette (Minha Adorável Lavanderia, 1985) e Prick Up Your Ears (O Amor Não Tem Sexo, 1987), ambos produções inglesas estreladas por atores como Daniel Day-Lewis e Vanessa Redgrave.

O início em Hollywood aconteceu com o grande sucesso de público e crítica Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas, 1988), que acabou ganhando três Oscar e definindo a linha de elenco com a qual Frears iria trabalhar nos filmes seguintes. John Malkovich e Glenn Close já trabalharam mais de uma vez com ele. A consagração se deu com The Grifters (Os Imorais, 1990), que lhe rendeu a primeira indicação à estatueta na categoria de melhor direção. O ritmo de trabalho não diminuiu, com produções como Hero (Herói por Acidente, 1992), e Mary Reilly (O Segredo de Mary Reilly, 1996), com Julia Roberts como protagonista.

Depois deste ciclo de trabalhos nos Estados Unidos, Frears se voltou novamente para produções inglesas, como A Van, de 1996; Terra de Paixões, de 1998; Alta Fidelidade, de 2000; Coisas Belas e Sujas, de 2003, e, finalmente, Mrs. Henderson Presents (Sra. Henderson Apresenta, 2005), no qual dirige a dama do cinema britânico Judi Dench.

Filmografia

1968 – The Burning (curta-metragem)
1972 – Gumshoe
1979 – Bloody Kids’
1984 – O Traidor (The Hit)
1985 – Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette)
1986 – Walter and June
1987 – O Amor Não Tem Sexo (Prick Up Your Ears)
1987 – Sammy and Rosie Get Laid (Sammy e Rosie)
1988 – Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons)
1990 – Os Imorais (The Grifters)
1992 – Herói Por Acidente (Hero)
1996 – O Segredo de Mary Reilly (Mary Reilly)
1996 – The Van (A Van)
1998 – Terra de Paixões (The Hi-Lo Country)
2000 – Alta Fidelidade (High Fidelity)
2000 – Liam
2003 – Coisas Belas e Sujas (Dirty Pretty Things)
2005 – Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents)
2006 – A Rainha (The Queen)

A Atriz

Michelle Marie Pfeiffer (Santa Ana, 29 de abril de 1958) é uma atriz e cantora americana.Michelle começou na televisão em 1979, na série O Homem Solitário, no papel de Tricia. Posteriormente, participou das séries Delta House, CHiPs e B.A.D. Cats, até fazer sua estréia no cinema com a fita The Hollywood Knights, em 1980.

Até ganhar o papel de protagonista do musical Grease 2, Michelle Pfeiffer trabalhou em produções pequenas, tais como Ambição e sedução e Quando o amor renasce. A consagração veio com a participação no filme de Brian De Palma, Scarface, de 1983, no qual contracena com atores como Al Pacino e F. Murray Abraham.

A partir daí, Pfeiffer se envolveu em projetos como Sweet Liberty, The Witches of Eastwick e Tequila Sunrise.A primeira indicação ao Oscar, veio por seu papel como Madame Marie de Tourvel, na versão de Stephen Frears (The Grifters / Os imorais) para Dangerous Liaisons, baseado na obra de Choderlos de Laclos. Depois, vieram as indicações como atriz principal, pelos filmes The Fabulous Baker Boys e Love Field, pelos quais ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama e o Urso de Prata de Melhor Atriz, respectivamente.

Em 1992 Michelle Pfeiffer interpretou a ladra Mulher-Gato, na produção Batman Returns, dirigida por Tim Burton. Pfeiffer protagonizou também a obra do cineasta ítalo-americano Martin Scorsese, The Age of Innocence, de 1993. Neste filme, contracenava com Daniel Day-Lewis e Winona Ryder, e foi indicada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama.

De 1994 a 1999, trabalhou em Dangerous Minds, Wolf e The Story of Us, no qual fez par romântico com Bruce Willis.Em 2000, Pfeiffer deu um tempo nas pequenas produções para trabalhar com Robert Zemeckis (o diretor de Forrest Gump e Uma cilada para Roger Rabbit) e Harrison Ford no filme What Lies Beneath, um suspense produzido por Steven Spielberg. Contudo, posteriormente, a atriz continuou trabalhar em pequenos filmes, como I Am Sam, ao lado de Sean Penn, e White Oleander, de 2002, onde contracenou com Renée Zellweger. Posteriormente, recusou o papel de Jadis, a Feiticeira Branca, no filme As crônicas de Nárnia, alegando precisar estar com sua família.

Em 2007, Michelle Pfeiffer e Robert De Niro trabalharam juntos pela primeira vez. Trata-se da ficção científica Stardust, baseada em graphic novel de Neil Gaiman (o autor de Sandman). O longa teve direção de Matthew Vaughn e contou também com Claire Danes e Sienna Miller no elenco.

Filmografia

2010 – Cheri
2009 – Por Amor
2007 – Hairspray
2007 – Stardust
2007 – Nunca é tarde para amar
2007 – Sinbad – A lenda dos sete mares (voz)
2003 – Deixe-me viver
2002 – I Am Sam
2001 – Revelação
2000 – A história de nós dois Uma vida a dois
1999 – Sonho de uma noite de verão
1999 – Nas profundezas do mar sem fim
1999 – O príncipe do Egito (voz)
1998 – Amigas e rivais
1997 – Um dia especial
1996 – Para Gillian no seu aniversário
1996 – Íntimo e pessoal
1996 – Mentes perigosas
1995 – Lobo
1993 – A época da inocência
1992 – As barreiras do amor
1992 – Batman – O retorno
1992 – Mulher-gato
1992 – Frankie & Johnny
1991 – A casa da Rússia
1990 – Susie e os Baker Boys
1989 – Ligações perigosas
1988 – Conspiração tequila
1988 – De caso com a máfia
1987 – As bruxas de Eastwick
1987 – Doce liberdade
1986 – O feitiço de Áquila
1985 – Scarface
1983 – Grease 2 – Os tempos da brilhantina voltaram
1980 – Suzie Q

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